Este é o primeiro smartphone completamente feito na África – GQ

9

Os Mara são os primeiros smartphones feitos em Ruanda (Foto: Divulgação)

Lançados esta semana, os Mara X e Mara Z, da foto acima, são os primeiros smartphopones ‘made in Africa’. Feitos dos chips à embalagem em uma fábrica em Ruanda, os modelos são baseados no sistema operacional Google Android, contam com módicos 16 e 32GB de armazenamento e parecem atender ao filão de médio desempenho – mais caros por exemplo que os populares Tecnos, fabricados na China e comercializados localmente.

+ Conheça a primeira mulher negra a visitar todos os países do mundo
+ Por que você ainda precisa ficar de olho em Pokémon Go – segundo a ONU
+ Colonialismo, poesia e resistência: um papo com Bonaventure Ndikung

A versão mais simples, o X, sai por 120.250 francos ruandeses (cerca de R$ 533), enquanto o Y custa 175.750 francos ruandeses (R$ 780). A fabricante ruandesa Mara Group espera que o status dos aparelhos como tecnologia de produção local possa motivar compradores a optarem pelos smarts.

Ruanda tem um histórico recente de violência (se você está lendo isto, é bem possível que estava vivo quando o massacre engendrado por extremistas Hutus sobre a minoria étnica Tutsi estourou, há 25 anos). Por outro lado, o governo local também vem desde a virada do milênio investindo em infraestrutura de comunicação. Em 2011, uma década depois do primeiro programa estatal de tecnologia, o estado ruandese concluiu a instalação de 2.300 km de fibra ótica. Os Mara podem ser um ponto de inflexão nesta jornada: tanto é que o próprio presidente Paul Kagame este ve na abertura do complexo da marca, celebrando, segundo ele, “a primeira fábrica high tech de smartphones da África”.

Ruanda, que foi sede da edição África do Fórum Econômico Mundial em 2018, tem em sua capital, Kigali, o primeiro projeto de um pólo tecnológico. Um plano anunciado ano passado e avaliado em 2 bilhões de dólares prevê a construção de universidades, firmas de biotech e inovação na região. O objetivo final é transformar Ruanda em uma economia baseada no conhecimento.

Tudo isso acontece no pano de fundo de um país ainda pobre, mas que alcançou metas importantes: desde os anos 90 a expectativa de vida foi de 48 para 66 anos, e a mortalidade infantil no caso de crianças abaixo dos 5 anos caiu de 152 casos por 1000 habitantes para 42. Ele também está entre as nações mais igualitárias do mundo quando o assunto é gênero. É, no entanto, um país ainda a caminho de uma democracia sustentável: segundo aponta a Time, o governo é composto praticamente de um único partido, a Frente Patriótica de Ruanda, e a própria constituição prevê que Paul Kagame possa se manter presidente até 2034.

Acompanha tudo de GQ? Agora você pode ler as edições e matérias exclusivas no Globo Mais,o app com conteúdo para todos os momentos do seu dia. Baixe agora!

Gostou da nossa matéria? Clique aqui para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários