Este gráfico mostra como a discussão sobre mudança climática evoluiu com o tempo – GQ

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Conforme nossa noção sobre o impacto humano no planeta vira debate, nossa noção sobre o problema também muda. E em 2019, um ano que mal começou mas já mostra sinais de cansaço, talvez as maiores tretas de todas seriam algo saído da lista de prioridades do Capitão Planeta.

Veja o gráfico abaixo pra ter uma ideia:  

Os 5 maiores riscos em termos de probabilidade (Foto: Fórum Econômico Mundial)

Esta relação mostra os resultados de uma pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial com seus participantes às vésperas da reunião que acontece nesta terça (22) em Davos. A primeira coisa óbvia é que clima domina a pauta este ano: tanto eventos meteorológicos extremos e desastres naturais quanto a falha em adaptar modelos que eliminem ou diminuam os efeitos de mudança climática compõem o ‘top 3’ dos maiores riscos em termos de probabilidade (e portanto, os mais preocupantes) segundo o Fórum. Clima também tem protagonismo quando se considera o tamanho do impacto previsto: dos 5 temas mais importante este ano, o assunto ocupa 4 posições.

Clima é uma constante entre os destaques do Fórum desde 2011, quando tempestades e furacões, perda da biodiversidade, enchentes e mudança climática foram 4 dos 5 dilemas mais prováveis. Na época, o tema ainda era bem calcado no debate sobre crescimento populacional e o uso de recursos naturais: “Mais de 75% do crescimento global no uso de energia entre 2007 e 2030 deve ser alcançado através de combustíveis fósseis, em particular o carvão”, dizia o relatório. Corta para a China em 2018 e, bem, esta certamente não foi uma previsão ruim.

Eventos climáticos extremos se mantiveram no topo da pesquisa desde 2014, perdendo espaço apenas em 2016, na esteira da crise da Síria, do Estado Islâmico e do debate acerca dos refugiados (buscas online pelos assuntos, segundo o Google, encontraram alguns de seus maiores picos entre 2015 e 2016). Considerando que boa parte do estopim sócio-político sírio se relaciona com uma das maiores secas registradas na região, não é de se estranhar que o tema não perdeu protagonismo por muito tempo. Mas o ano trouxe outro destaque. Os páises membros do Acordo de Paris já haviam entrado em consenso em dezembro de 2015, o que trouxe um outro lado da questão: se há um problema com a nossa relação com o ambiente, então que raios fazer?

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A incapacidade de governos lidarem com medidas para diminuirem suas pegadas ecológicas ficou em terceiro lugar em 2016, uma insegurança no ar que viria a se consolidar com a saída dos Estados Unidos em 2017. E que ganha fôlego em 2019, vale dizer, com a sinalização de outros governos (incluindo o Brasil) no caminho contrário do corte de emissões. Há também a incerteza sobre um modelo de globalização em xeque, a guerra tarifária, os ‘coletes amarelos’, Brexit e afins (não à toa, o tema do Fórum de Davos este ano é Globalização 4.0).

áreas rurais aparecem alagadas após fotes chuvas na Turquia este mês (Foto: Getty Images)

Bom, e quem está dizendo tudo isso? O Fórum Econômico Mundial, ao menos na aparência, ainda é uma elite global tomando champagne em um resort de esqui transformado em palanque de discussão. Mas contabilizando agora 3 mil membros, o grupo tem uma preocupação renovada em mudar seu perfil. Sendo mais millennial para início de conversa: o Fórum recrutou seis jovens líderes para acompanhar Satya Nadella, CEO da Microsoft, na definição do que seria discutido este ano. Este grupo, por sinal, é majoritariamente feminino: incluindo Satya, são 4 mulheres e 3 homens. 

Apesar dos esforços, o perfil do visitante do Fórum continua outro: o maior grupo está entre os 40 e 60 anos (a média de idade dos homens é 54, das mulheres, 49). Apenas um entre quatro inscritos são do sexo feminino.

Fonte oficial: GQ

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