Estreia de Virgil Abloh na direção criativa da LV é repleta de significados – GQ

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Pouco importa se você gostou ou não das roupas e dos acessórios que Virgil Abloh apresentou em sua coleção de estreia na Louis Vuitton nessa quinta-feira, na Semana de Moda Masculina de Paris. A importância do desfile realizado nos jardins do Palais Royal está, mesmo, é nas entrelinhas. Criador multifacetado, Virgil é, além de novo estilista da maior grife de luxo do planeta, DJ, designer de móveis e artista plástico (ele está inaugurando uma mostra em parceria com o japonês Takashi Murakami – aquele das flores sorridentes que já estamparam os produtos da Louis Vuitton na década passada, quando Marc Jacobs ainda dirigia a grife – na celebre galeria Gagosian, na capital francesa).

Desfile Louis Vouitton (Foto: Fashion to Max)

Primeiro negro a assumir o posto que ocupa desde março deste ano, Virgil veio de baixo. Nasceu no estado de Illinois, nos Estados Unidos, estudou Engenharia Civil e Arquitetura e começou na moda como assistente na Fendi, antes de se juntar ao amigo Kanye West para colaborar em suas turnês. Hoje, o filho de imigrantes ganeses é considerado uma das 100 pessoas mais influentes do mundo segundo a Time Magazine – segura essa, Trump! Extremamente hábil com ferramentas digitais, ele tem 2,5 milhões de seguidores no Instagram, canal essencial para divulgar o streetwear que faz agora na Vuitton, mas também em sua marca própria, a Off-White – que também desfilou em Paris esta semana. Além da passarela em arco-íris – símbolo da diversidade -, Virgil distribuiu camisetas de diversas cores na primeira fila e entre os estudantes de moda e design que ele convidou para assistirem à apresentação, em um generoso sinal de inclusão. Mais: junto com o release da coleção, deixado nos assentos do front row, estava um mapa indicando de qual parte do globo vinha cada modelo do casting multirracial do desfile. Um clin d’ oeil às raízes viajantes da Louis Vuitton, mas também uma demonstração de que, para ele, fronteiras não existem. A pluralidade e o acolhimento de raças, gêneros e credos diferentes são necessários.

A disputada primeira fila, aliás, foi mais um sinal dos novos ventos que devem soprar na Louis Vuitton e na moda. Amigos, jogadores de basquete e rappers, a maioria composta de negros. Além de serem os donos dos maiores faturamentos da atualidade, são eles que melhor se encaixam no streetwear fluido e utilitário que Virgil – e muita gente – aposta. Na primeira fila da Valentino, dois dias antes, foi a mesma coisa.

Desfile Louis Vuitton (Foto: Fashion to Max)

Repleta de potenciais hits – sneakers à go go, bolsas e malas com correntes fluo, moletons… – a coleção de estreia de Virgil é o prenúncio de uma nova era na grife e na moda como um todo. Você não precisa gostar, só respeitar. Por que, afinal, respeito é a palavra-chave deste novo momento.

Fonte oficial: GQ

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