“Eu me considero um homem feminino”, diz Eduardo Speroni – GQ

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“Muitos jovens brasileiros ainda enfrentam um pai que acredita que dança não é coisa para homem e, portanto, reprimem o talento do filho. Essa trama será importante para quebrar esse estigma na sociedade. Esse preconceito que impossibilita muitos jovens de seguirem seus próprios desejos”, comenta Eduardo Speroni, 25, que discute o machismo através da novela das 9, O Sétimo Guardião. Nas telas, seu personagem, o Bebeto, tem o sonho de ser dançarino, mas encontra resistência do progenitor, Nicolau, interpretado por Marcelo Serrado. “Dentro de casa, o patriarcado dominador e a figura machista do pai ainda estão muito presentes”, complementa o ator que acredita na desconstrução da figura do “macho”:

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GQ Brasil: Como é viver um personagem vítima de machismo? 
Eduardo Speroni: Tocamos em temas polêmicos – um deles é o machismo – que, na minha opinião, devem ser criticados e debatidos. Sinto que somos capazes de transformar culturalmente a sociedade. Estamos mostrando situações delicadas – de preconceito e violência – que necessitam de cuidado e esmero na hora de serem retratadas. Para este papel, tive uma preparação intensa de dança que durou aproximadamente dois meses [com a Cia Urbana de Dança]. Além disso, com base no perfil do personagem desenvolvido pelo Aguinaldo Silva e nos capítulos já escritos, fiz um estudo detalhado, criando assim sua personalidade. Para isso, me inspirei muito no personagem Billy, do filme Billy Elliot.

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GQ Brasil: O que pensa sobre o fato de ainda existirem pais como o Nicolau, vivido por Marcelo Serrado?
Eduardo Speroni: Como no caso do Bebeto, muitos jovens brasileiros ainda enfrentam um pai que acredita que dança não é coisa para homem e, portanto, reprimem o talento do filho. Essa trama será importante para quebrar esse estigma na sociedade, esse preconceito que impossibilita muitos jovens de seguirem seus próprios desejos. Dentro de casa, o patriarcado dominador e a figura machista do pai ainda estão muito presentes. Isso tem que mudar, o jovem precisa ter sua liberdade individual garantida e seus sonhos respeitados.

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GQ Brasil: Muito se fala da desconstrução do homem. De alguma forma, você lida com isso também (com questionamentos diários sobre machismo e privilégios)?
Eduardo Speroni: Me questiono diariamente. Acredito nessa desconstrução da figura do “macho”. Esses padrões que querem definir o que é masculino e o que é feminino devem acabar. Como o absurdo dito pela Ministra Damares, que afirmou qual é a cor do homem e qual é a da mulher. Eu me considero um homem feminino e isso não interfere na minha sexualidade. Prezo e respeito a diversidade. No meu convívio social, estou cercado de pessoas de todo tipo – que resistem e lutam por uma transformação social.

Eduardo Speroni (Foto: Sérgio Baia / Divulgação)

Ainda em 2019, o artista que tem 10 anos de carreira – ele faz parte do elenco da premiada peça Caranguejo Overdrive, dirigida por Marco André Nunes – estreia no longa Macabro, de Marcos Prado [O Mecanismo e Paraísos Artificiais], produzido por ele e José Padilha [Tropa de Elite e Narcos]. “[No filme] Meu personagem se chama Pedro. Ele é um cabo do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) que persegue dois criminosos muito conhecidos na década de 90 na região serrana do Rio de Janeiro [os crimes da dupla chocaram Nova Friburgo na época. Eles eram chamados de ‘Os irmãos necrófilos’]”, explica Speroni.

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Fonte oficial: GQ

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