Ex-PayPal quer mudar sua relação com a política: ‘A aproximação gera esperança’ – GQ

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O papel do cidadão não termina na urna. Qualquer cientista político que valha seu quinhão tem essa na ponta da língua. E é uma máxima especialmente valiosa em tempos nos quais a desconfiança sobre as instituições alcançam números recordes. “Eu entendo que de uma forma geral as pessoas estão indignadas”, diz o empresário Mario Mello em conversa para a GQ Brasil. Mello, que fará palestra no Wired Festival Brasil, fala conosco sobre como prefere não olhar para tecnologia e eleições com o receio que a era Whats App / Cambridge Analytica meio que sugere. “A resposta e impressão delas nas redes é um pouco dessa indignação, mas as pessoas estão lá, só falta uma plataforma”.

“Como uma pessoa hoje se posiciona sobre o deputado? Ela não tem um alerta sobre leis e decisões, por exemplo. Dá trabalho, você tem que entrar no servidor, mandar um e-mail”, diz Mario. “O aumento do STF, as pessoas estão reclamando, mas poderiam ter se posicionado ativamente antes.”

Essas questões movem o Poder do Voto, app criado por Mario Mello e tocado por mais 8 voluntários que é gerido sem fins lucrativos. Tentar encerrar o abismo entre eleitor e representante é a meta. Através do aplicativo, o usuário pode escolher um deputado e até três senadores para acompanhar no decorrer de seus mandatos. Dá para ficar de olho em como eles votam, escolher assuntos para seguir e ter acesso a ‘Comunidades’, entidades como a CUT e o Instituto Millenium, que emitem opiniões sobre projetos de lei em andamento. 

Mario Mello vem de um background engravatado, mas de um tipo bem diferente. Mello tem experiência na indústria de serviços financeiros, tecnologia e gestão empresarial, passando por empresas como Visa, onde foi presidente executivo para a América Latina, e mais recentemente o PayPal, assumindo a caceira de diretor geral para a região antes de decidir pela mudança de hábito. E de onde ela veio? “De uma jornada de esperança”, responde. “Tenho 30 anos entre mercado financeiro tecnologia e fintech, cheguei numa fase da minha vida em que eu tenho esperança que o Brasil vá melhorar.” Pensamento positivo foi uma parte da equação, inquietação foi outra. “Esse distanciamento entre deputado federal, senadores e eleitores me levam a uma indignação, e o Poder do voto surge como essa ponte.”

Mario Mello, ex-PayPal fundador do Poder do Voto (Foto: Divulgação)

“Em dezembro a gente decidiu criar a empresa sem fins lucrativos, financiada por pessoas físicas, e em agosto deste ano comlocamos a primeira versão do ar”, explica o empresário. 

Mario reforça que a tecnologia não é apenas ferramenta para consertar um problema: ela é central para a questão toda. Pegue os enormes bancos de dados públicos criados desde a lei de Transparência Fiscal de 2012, que permitem ao cidadão pesquisar na web informações sobre gastos e valores arrecadados por parlamentares. “Quando tive a ideia [do Poder do Voto], havia muita informação na internet”, lembra o empresário. “O x da questão era mesmo UX, user experience”. Ou, em outras palavras, design e práticas que ajudam o usuário a interagir com uma aplicação – neste caso, o congresso. Para tanto, sua equipe focou na criação de robôs e APIs de controle, cobrança e armazenamento, que alimentam o app com informações organizadas.

Mas nada de criar atritos e pressões. “Não vamos soltar ranking, falar que um deputado é melhor que o outro”, explica o ex-PayPal. A ideia é educar e aproximar, sem criar desafetos no processo.

Com mais de 10 mil usuários ativos no momento, apoio de pessoas físicas interessadas na ideia e um total de R$ 2,3 mihões EM serviços pro bono de empresas como Google e Microsoft, Mario não tem planos de parar tão cedo, e mira em uma outra plataforma: “Há 900 milhões de usuários de WhatsApp”, diz, “a maioria adultos, e a gente que entrar nesse grupo”.

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Para tal, a equipe do Poder do Voto planeja uma nova versão do aplicativo para o mês que vem, por onde será possível estabelecer similaridades entre eleitor e seu representante através de temas. “Vamos fazer um grande trabalho de comunicação na posse do novo governo.” Para 2019 a meta é ter 10 milhões de usuários na plataforma.

A sua própria maneira, Marcos Mello faz parte de uma onda de empresários interessados em se aproximar da política. Mas a meta não é escolher lados. “Minha jornada é de esperança, de olhar para o Brasil, criar tecnologias e processos que as pessoas possam ter mais esperança, de entender o congresso, de acompanhar seu deputado, que ele lhes dê respostas definitivas”, nos explica o ex-PayPal.

“A palavra que vem em minha cabeça é ’servir’. No fundo o deputado tem que “servir” seus eleitores, e a tecnologia coloca-se como um instrumento muito importante para viabilizar essa plataforma do ‘servir’”, diz Mario. “A aproximação gera esperança.”

Fonte oficial: GQ

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