Expoente do jazz contemporâneo, Christian Scott aTunde Adjuah fecha noite de festival gratuito no Ibirapuera – GQ

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(Foto: Divulgação)

“Vai ser um show muito, muito bom” fala do outro lado da linha uma voz empolgada. E emenda: “Na verdade, esse show será o primeiro que vamos fazer esse ano com todos os elementos da banda necessários para passar a ideia que queremos”.

Christian Scott aTunde Adjuah é complexo. O trompetista, compositor e produtor americano se apresenta nesse final de semana no Mastercard Jazz, festival que tem como proposta reunir no Parque Ibirapuera os artistas que têm trazido inovação para um gênero tão exigente — e o melhor: tudo de graça.

Sua complexidade aparece na tentativa de traduzir em palavras um trabalho grandioso: “Teremos camadas de percussão, uma verdadeira parede de percussão, na verdade. Eu quis ter certeza de que a gente tivesse para esse show a maior quantidade de percussionistas possível, para que as pessoas consigam ter uma ideia mais completa da música”.

Nascido em Nova Orleans, berço do jazz e polo exportador de grandes nomes da música americana, Christian traz ao Brasil o show da turnê do seu último disco, Ancestral Recall, que foge um pouco do trabalho de jazz no qual vinha apostando em seus últimos três discos, a trilogia The Centennial Trilogy. A série prestava uma homenagem à tradição do jazz americano, misturando elementos eletrônicos no som. Ancestral Recall vai para uma direção oposta. É um lembrete de que uma música calcada no ritmo, no teor percussivo, consegue ter tantas camadas quanto o improviso do jazz tradicional.


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Lançada no início do ano, a obra, que aborda a herança da música africana dentro da cultura americana, também funciona como um recado para um presidente que não é afeito a outras culturas. Christian é assertivo sobre seu papel como artista negro na América de Trump: “Eu não acho que esse papel deva mudar pra nenhum músico, negro ou não. Eu discordava de várias coisas a respeito da administração Obama, por exemplo, mas que da minha perspectiva eu compreendia perfeitamente. A diferença é que com o Obama você sabia que se tratava de uma pessoa íntegra, que era um cara que pensava em todos os americanos, e não apenas em alguns deles”.

Fã confesso da música brasileira, para além de Tom Jobim e João Gilberto — “Tem um guitarrista brasileiro chamado Diego Figueiredo que é um dos músicos mais incríveis que já escutei” — o músico também enxerga nas suas roupas uma maneira de se expressar artisticamente. “Acho que estilo é algo importante em tudo que você faz.  Música é algo tão estilizado que é importante que o visual esteja de acordo. Então para mim, a maneira como eu me identifico e como eu toco tem muitos significados importantes. Então, é fundamental que, quando as pessoas te veem, elas vejam também o que você representa”.

Considerado um dos grandes expoentes do jazz atual, ao lado de músicos como Robert Glasper e Kamasi Washington, finaliza a conversa com GQ falando sobre como entende o futuro do estilo que ajuda a transformar: “Não há fronteiras para o jazz. E isso é o que o faz jazz uma das mais bonitas formas de arte já criadas.”

Serviço

Mastercard Jazz

31 agosto (sábado), às 17h30
Lourenço Rebetez convida Xênia França
Aaron Parks & Little Big convida Dayna Stephens
Terrace Martin
Christian Scott aTunde Adjuah

1 de setembro (domingo), às 17h30
Bixiga 70
Dinosaur
Lakecia Benjamim & Soul Squad
Robert Randolph & The Family Band

Auditório do Ibirapuera – Plateia Externa
Entrada gratuita

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Fonte oficial: GQ

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