Fabrício Boliveira conta como foi desafio interpretar Wilson Simonal no cinema – GQ

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Simonal, filme que conta a história de Wilson Simonal, cantor que encantou multidões nas décadas de 60 e 70 no país e caiu no ostracismo depois de ver seu nome envolvido com o DOPS na ditadura, foi um dos destaques do Festival de Cinema de Gramado na categoria longa-metragem.

O filme repete a dupla romântica do longa Faroeste Caboclo, formada por Fabrício Oliveira, na pele de Simonal, e Isis Valverde, que vive sua mulher, Sandra Cerqueira. Antes da premiação, Fabricio conversou a GQ sobre o filme:

GQ: Como foi repetir a dobradinha com Isis Valverde?

Fabrício Boliveira: Um reencontro maravilhoso, a gente já tinha vivido a história forte do Faroeste se rever sete, oito anos depois, quando muita coisa aconteceu na minha vida e na dela. A gente se encontrava mas não em cena, foi tão bom ver a Isis já em outro lugar como atriz, amadurecida. Ela era uma grande atriz em outros lugares, outros recortes. Acho que a gente tem uma histórinha pra vida eu e ela. Vamos querer fazer com certeza a terceira versão do casal.

GQ: Como foi viver Simonal no cinema?

Fabrício Boliveira: Eu estava muito agoniado em fazer um personagem que já existiu e que tem muitas imagens dele na internet, sabe? Aí fiquei me perguntando por que reconstruir essas imagens? Você já pode ver o Simonal do jeito que ele é ou do jeito que a gente conhece. Tem algum lugar aí que eu preciso investigar pra fazer sentido eu fazer esse filme. Que outro Simonal é esse que a gente não conhece? Que outras coisas dentro dessa história a gente nunca ouviu falar?

Simplesmente copiar o Simonal e ficar parecido iria ficar só num lugar de vaidade meu: ‘Olha como eu consigo fazer bem um Simonal’. Na verdade eu queria dialogar, mais do que dizer o quanto eu posso fazer um personagem, eu queria entender o que é fazer um homem negro neste país sendo um dos maiores artistas daquela época.

O que mudou? Pode acontecer comigo, Fabrício, que sou ator também. Quem sabe inventam fake news sobre mim e eu não consiga mais trabalhar? Foi o que aconteceu com Simonal, ele foi impedido de continuar a carreira dele.

Eu acho que muitas coisas juntavam a minha história com a dele, então eu preferi não ficar aprisionado no personagem e fazer esse diálogo entre quem é o Fabricio hoje e quem ele seria naquela época. O que os dois têm em comum o que têm de diferente, o que é um artista negro hoje nesse país. Quis vasculhar um pouco por aí. Ele morreu tentando provar que não era dedo duro.

GQ: Você teve a juda dos filhos do cantor, Simoninha e Max de Castro, no papel?

Fabrício Boliveira: Os filhos de Simonal foram providenciais, saí muito com eles, vi show, saí com a família.

Fonte oficial: GQ

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