Facebook rompe regras da Apple com app que espiona atividade de usuários – GQ

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O Facebook tem usado desde 2016 um app chamado Facebook Research para instalar uma rede virtual privada (ou VPN) capaz de recolher informações de usuários direto de seus smartphones (tanto iOS quanto Android), reporta investigação do site TechCrunch. A medida rompe com as regras da Apple, que em junho do ano passado baniu um app VPN do Facebook – o Onavo Project -, que também coletava dados similares. A decisão de então tem a ver com o uso da ferramenta como uma solução considerada desleal de pesquisa de mercado (informações adquiridas pelo Onavo foram chave para a aquisição do WhatsApp em 2014, segundo o BuzzFeed News). 

O Facebook teria pagado até 20 dólares – além de compensação por indicações – para usuários de 13 a 35 anos nos EUA baixarem o Research em troca de seus dados. Mas a coisa era menos clara do que parece, aponta a investigação: o programa era baixado através de aplicativos de teste como Applause, BetaBound e uTest. O nome ‘Facebook’ não aparece nem nos aplicativos, nem nos banners divulgando-os em serviços como Instagram e Snapchat. O caso talvez te faz lembre do escândalo do Cambridge Analytica, quando informações cletadas por um app de pesquisa terceiro foram usadas para criar perfis de milhões de americanos, informação posteriormente colocada à venda para campanhas eleitorais.

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No pior cenário possível, o VPN permite acesso a “mensagens privadas em redes sociais, chats de apps de mensagem instantânea – incluindo fotos e vídeos enviados para terceiros, emails, buscas online, navegação em browser e até informação geolocalizada acessando o feed de qualquer serviço de mapas e rotas que você tenha instalado”, diz Will Strafach, especialista em segurança digital da firma Guardian Mobile Firewall, consultado pela reportagem. A linguagem obtusa, sergundo o TechCrunch, impossibilitaria ao usuário a opção de consentir plenamente com as práticas do serviço.

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Embora a Apple ainda não tenha divulgado um comunicado oficial, o Facebook já retirou o serviço da App Store. A empresa de Mountain View também publicou resposta a respeito da investigação (via Fast Company): “Fatos fundamentais sobre este programa de pesquisa de mercado foram omitidos”, diz o comunicado. “Apesar do que foi anteriormente reportado, não houve ‘segredo’ a este respeito; o programa era literalmente chamado Facebook Research App. Ele não estava ‘espionando’, já que todos os participantes passaram por um processo introdutório claro que pedia sua permissão, e eram pagos para fazer parte. Além disso, menos de 5% das pessoas que escolheram fazer parte da pesquisa eram jovens abaixo dos 19. Todos eles assinaram um formulário de consentimento de pais e responsáveis”, conclui.

Fonte oficial: GQ

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