Felipe Árias desistiu da vida corporativa para criar um cantinho praiano em SP – GQ

36

Felipe Árias (Foto: Divulgação)

Ele era um advogado bem-sucedido. Trabalhava numa boa empresa, tinha um salário de respeito e uma carreira promissora. Mas algo o incomodava: ele não se sentia confortável com a vida que tinha.

+ Conheça Rodrigo Sá, o DJ de todos os ritmos
+ Foxton lança campanha estrelada por Rodrigo Hilbert

Felipe Árias cumpre à risca a cartilha do inconformismo: ele jogou tudo pro alto e foi viver, em suas palavras, a “necessidade da alma”. Hoje ele é dono do LarMar, uma marca que se tornou bar – e fatura R$ 7 milhões por ano – idealizada pelo (atual) empreendedor e localizada em Pinheiros, São Paulo.

O ex-advogado conversou com a GQ Brasil e falou da mudança em sua vida e da importância de conhecer a si mesmo. Confira nosso bate-papo:

GQ Brasil: Conte pra gente o início da sua história. Qual foi o momento em que você decidiu largar a profissão para entrar nessa empreitada?

Felipe Árias: Eu sou natural de Santos. Minha turma cresceu com esta pegada praiana de pegar onda e estar conectado com a natureza. Eu escolhi ser advogado e isso que me trouxe para SP.  Eu estava indo bem na minha área, mas desconectado com aquilo que eu gostava. Chegou um momento em que eu me sentia um peixe fora d’água dentro do mundo corporativo.

Foi neste contexto que eu tive a ideia de criar um blog chamado LarMar, no qual eu contava histórias de pessoas que tiveram coragem de largar tudo e realizar uma atividade nova ligada a arte, fotografia, música e surfe. Nisso encontrei histórias da galera que foi pra Bali, para Austrália. Pessoas que passaram um perrengue no começo, mas que hoje estão conectados com seu “habitat natural”. E eu não sabia como começar, criar este ambiente pra mim.

Foram dois anos escrevendo essas histórias. Depois ter toda essa experiência virtual, eu criei um evento no Litoral Norte de SP, no qual eu chamava essa galera das histórias para expor seu trabalho ao vivo e conectar todo mundo que estava na mesma pegada que eu. Isso se espalhou e tomou uma proporção muito grande. Neste contexto eu comecei a tomar coragem para me livrar daquilo que eu não gostava mais. E foi aí que eu decidi largar tudo e  pensei: “chega de fazer coisas para os outros, vou materializar aquilo que eu fazia itinerante”.

Assim, em 2017, eu aluguei uma casa por 10 anos, montei um espaço com o nome do blog [LarMar] e é onde recebo shapers [nome dado a quem faz pranchas de surfe], artistas plásticos, bandas, exposição de arte e fotografia. Criei uma loja também com marcas nacionais que estão começando. Foi feito um ambiente para conectar todo mundo destes segmentos.  

GQ Brasil: Como foi essa transição para você e as pessoas ao seu redor? Todos entenderam?

Felipe Árias: O dia que eu entreguei o crachá para o dono da construtora onde eu trabalhava, ele me disse: “você está muito louco. Você não sabe como está o mercado hoje?”. Eu falei para amigos próximos meu plano e eles me disseram a mesma coisa. Mas hoje, depois que o negócio deu certo, todo mundo apoia (risos). Era uma necessidade de alma, igual você estar preso e querer sair da jaula. Era uma intuição tão forte que eu consegui seguir e deu certo. 


LarMar: cantinho praiano de Felipe Árias em SP (Foto: Reprodução: Instagram)

GQ Brasil: Podemos dizer que hoje o LarMar é seu hobbie?

Felipe Árias: Pode tranquilamente. Claro que quando a gente vira dono do próprio negócio, a gente ganha responsabilidades sérias, mas sem dúvida é isso. Eu trabalho descalço, por exemplo. Eu convido marcas, amigos shapers que eu gosto para estarem no LarMar. Há responsabilides, mas é um outro mundo pra mim.

GQ Brasil: Neste momento de transição de “profissões”, você fez terapia, correto?

Felipe Árias: Sim. Eu sentia muita angústia de estar no escritório. Estar de terno e gravata, conversando com as pessoas da maneira que eles achavam que eu tinha de me portar. E aí, no processo terapêutico, veio a ideia de eu escrever o que eu tinha vontade de fazer, onde eu queria chegar. Foi aí que nasceu o blog. No começo, eu não tive a ideia de abrir um negócio que desse certo, embora eu sonhasse com isso. O intuito era simplesmente olhar para dentro de mim. E eu me encontrei nessas histórias que eu escrevia pro blog.

GQ Brasil: A terapia ainda tem muita rejeição por parte de algumas pessoas. Quão importante ela foi pra você? 

Felipe Árias: Se não fosse esse processo, eu não teria conseguido tirar várias crenças erradas que eu tinha de mim. Meu pai me incentivou a vida inteira a passar no concurso público. Eu me sentia agredido só de me imaginar nesta situação. A terapia fez com que eu me aceitasse. Eu sou muito mais feliz servindo cerveja, abraçando cliente e combinado de pegar onda no final de semana do que tentar abrir um escritório e resolver problemas super complexos. A terapia fez com que eu encontrasse uma maneira muito mais simples de me realizar.

Acompanha tudo de GQ? Agora você pode ler as edições e matérias exclusivas no Globo Mais,o app com conteúdo para todos os momentos do seu dia. Baixe agora!

Gostou da nossa matéria? Clique aqui para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários