“Fotógrafos documentais não são super-heróis”, diz Cris Veit – GQ

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Cris Veit conversou com a GQ Brasil sobre o que viu – e clicou – em sua recente passagem pela Venezuela, nação marcada pela crise econômica e desigualdade social (vale lembrar que, nos últimos anos, cerca de 2 milhões de venezuelanos cruzaram as fronteiras de sua nação buscando refúgio em outros países da América Latina). 

A editora de fotografia, juntamente com o jornalista e fotógrafo Yan Boechat contam mais sobre essa viagem em bate-papo no “Encontros no Quintal” no Bar do Beco, em São Paulo, na próxima quarta-feira, 05.

GQ Brasil: No mundo como o de hoje, em que a velocidade da informação se torna quase mais importante do que a veracidade dela, como uma fotografia pode contar uma história?
Cris Veit: Acho um pouco radical a ideia de velocidade ser considerada mais importante que a veracidade, uma vez que uma informação falsa pode até chegar rápido, mas terá vida curta, inclusive pela quantidade de gente com capacidade de registrar os momentos importantes – o chamado jornalismo colaborativo, ou citizen journalism, em que cidadãos vendem ou cedem imagens que testemunharam para a mídia. Posto isso, tanto esse cidadão, munido de um celular, quanto um fotojornalista experiente tem capacidade de contar histórias hoje. Mas o jornalista, em princípio, tem as ferramentas, experiência e isenção necessárias para contar uma história mais completa.

Venezuela (Foto: Cris Veit / Divulgação)

GQ Brasil: A fotografia, que também tem um papel de documentar momentos, é também um veículo que dissemina fake news. As manipulações de imagem de cunho político seria um dos desafios dos fotógrafos e editores deste momento?
Cris Veit: Pela facilidade de alcance e a velocidade com que qualquer um pode disseminar falsas notícias, ou notícias imparciais, se multiplicou. Uma maneira de o fotógrafo tentar se defender disso é associar o máximo de informações (legendas, tags, data etc) ao material que produz e divulga; assim um uso indevido pode ser mais rapidamente identificado.

Venezuela (Foto: Yan Boechat)

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GQ Brasil: Algumas imagens nos trazem sensações e vontade de mudar o mundo que vemos. Como fazer um foto documental de algum momento crítico sem tentar modifica-lo na vida real?
Cris Veit: Fotógrafos documentais não são super-heróis que querem mudar o mundo, mas costumam ser movidos por questões sociais e querem mostrar injustiças e realidades que testemunham. 

Venezuela (Foto: Cris Veit / Divulgação)

GQ Brasil: Como acredita que os refugiados venezuelanos que chegaram ao Brasil podem modificar nossa cultura e costumes?
Cris Veit: Toda cultura tem sua riqueza. Algumas pessoas são mais abertas a isso, outras menos. Mas acho que a curiosidade com o que é diferente da gente traz mais benefícios do que prejuízos.

Venezuela (Foto: Yan Boechat)

Encontros no Quintal do Beco: Cris Veit e Yan Boechat
5/12, quarta-feira, das 19h30 às 21h30
Rua Aspicuelta, 17 – Vila Madalena

Fonte oficial: GQ

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