Gabriel Jesus sem clima de obaoba: “É muito cedo pra falar em ser ídolo” – GQ

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Expressão maior de gol, de ídolo, naturalmente a mais fácil interlocução de um time com a torcida. Leva consigo a glória e a frustração de milhares. Qualquer que seja o time, qualquer que seja o país. Em se tratando do esporte bretão no Brasil, onde um de seus maiores chavões é o de que toda a população se sente um pouco técnica da seleção, a pressão sobre o centroavante é elevada à enésima potência.

Um conjunto tão complexo que torna inviável justificar racionalmente a busca de um ser humano para vestir a camisa 9. Na trajetória da seleção, muitos se aventuraram e raros foram os que se consagraram. Agora, um menino, o mais novo de todos que já tentaram, quer fazer história. Seu nome é Gabriel Jesus.

Aos 21 anos, nascido no bairro de Jardim Peri, extremo norte de São Paulo, Gabriel hoje carrega a responsabilidade de representar o país em uma Copa do Mundo. Já o fez nas Olimpíadas do Rio. E foi campeão, um título inédito para o Brasil. Repetiu o desempenho durante as eliminatórias para os jogos da Rússia. E foi o artilheiro. Ainda assim, preserva com responsabilidade qualquer empolgação exacerbada ou clima de obaoba: “É muito cedo pra falar em ser ídolo. Ainda preciso fazer muita coisa pra atingir esse status.” Não é o que pensam outros grandes ídolos do esporte.

Gabriel Jesus (Foto: Élio Nogueira)

“Apesar da pouca idade, o Gabriel não se assusta com o desafio. Está jogando bem e se sente solto no campo. Tem todo o potencial necessário para ser ídolo”, diz o comentarista da Rede Globo e ex-centroavante da seleção brasileira, Walter Casagrande. Pep Guardiola, treinador de Gabriel no Manchester City, é outro que rasga elogios ao atacante. “Acho que o Gabriel nunca vai perder esta energia e a solidariedade e qualidade incríveis que tem. Com o tempo, vai ser um jogador mais sábio, vai entender quando fazer um movimento ou outro”, afirma o técnico. 

Da realidade pobre do Jardim Peri até o posto de homem-gol do futebol inglês, foram apenas quatro anos. Na primeira temporada completa como profissional do Palmeiras, conquistou o Campeonato Brasileiro e foi eleito o melhor jogador do torneio. O clube paulista não levantava a taça há 22 anos. No ano seguinte, foi para o City, atualmente um dos cinco clubes mais ricos do mundo. Fez sete gols, mesmo sendo reserva do time na maior parte do campeonato. Neste ano, consagrou-se campeão da liga inglesa, com 17 gols marcados e considerado um dos destaques do time, que se tornou o segundo clube da história do país a romper a marca dos 100 pontos em uma temporada.

Gabriel vive em Spinningfields, bairro moderno de Manchester, com prédios residenciais e comerciais de alto padrão, e muitos restaurantes. Mora no décimo quarto andar de um prédio muito bem localizado, na beira do Rio Irwell. Duas sacadas gigantes dão uma linda vista para o rio e para todo o centro da cidade. A sala, também muito grande, tem um sofá que é o lugar preferido dele na casa. Uma TV enorme e um Playstation garantem a diversão. No canto da sala, uma mesa de poker, outros poucos móveis e apenas um porta-retrato: com uma foto dele treinando pela seleção brasileira.

Gabriel Jesus (Foto: Élio Nogueira)

Como é de se esperar de um jovem de 21 anos que joga no atual campeão da liga inglesa, a mais competitiva do mundo, e é atacante da seleção brasileira, o que Gabriel mais faz em seu dia a dia é se dedicar ao esporte. Não bebe — afirma nunca ter sequer gostado de bebida. “Gosto da cidade, mas a verdade é que aqui não tem muito o que fazer.” Nos últimos tempos, a principal diversão é ir ao shopping, que fica bem próximo ao prédio onde mora, jogar boliche. A gastronomia predileta é do Brasil. Na cozinha, também espaçosa e sem divisão com a sala, a prova: cobertos com um pano, uma tigela com torta, outra com bife e batata, e uma terceira com farofa. Era o jantar a ser esquentado no micro-ondas depois que a sessão de fotos e a entrevista para a GQ acabassem.

Naquela noite, ainda falaria com a mãe, por quem o respeito e carinho expressado após os jogos acabaram virando mote de peça publicitária da Vivo no Brasil — também é patrocinado por Adidas, Gatorade e o Guaraná Antarctica. Eles se falam diariamente, e sempre que ele faz algo que ela não gosta, ouve um sermão: “Sabe como é, toda mãe é assim.” Os craques, não. “Eu passo o que sou. Sou de verdade mesmo, não crio uma imagem que não existe.” Para cima deles, Gabriel!

Fonte oficial: GQ

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