Gokula Stoffel encontra sua inspiração como artista “com o que tenho à mão” – GQ

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Nas mãos da artista plástica Gokula Stoffel, a sobreposição se transforma em matéria prima. “Me interesso em materializar imagens mentais evocando memórias e estados psicológicos e tento investigar esses possíveis desdobramentos pictóricos através de objetos e espaço”, diz em conversa com a GQ Brasil. “Tenho olhado bastante para o Simbolismo, na pintura e também na literatura”, completa.

Suas colagens geralmente empregram materias como pedaços de vidro, tecido e refugo industrial. Saiba mais sobre ela abaixo:

Sua última obra foi?

Um de meus últimos trabalhos foi uma pintura chamada “Headspace”. Nessa peça eu estava evocando um desenho de observação do meu próprio corpo, tentando reproduzi-
-lo diversas vezes. A cada vez que fazia uma nova tentativa, usava uma nova cor, sem apagar os vestígios da tentativa anterior. Ao aceitar a impossibilidade de repeti-lo, usei um projetor para fazê-los coexistir. Essas sobreposições resultam em expressões faciais semelhantes, mas totalmente diferentes, como humores internos x externos. Há algumas manchas/figuras no canto superior direito, que sugerem diferentes estados da mente, como sabedoria anciã, ingenuidade, insegurança e autossabotagem.

Ser artista no imaginário é?

Idealmente seria apenas o momento mão na massa, em que estou completamente imersa no fazer, em fluxo. 

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Um artista incompreendido.

Lorenzo Lotto, pintor italiano do alto Renascimento que teve o azar de ser contemporâneo de grandes mestres como Ticiano, Veronese e Tintoretto e, por isso, acabou ofuscado. Produziu retratos sublimes, com alto teor psicológico.

O que há de brasileiro na sua arte?

O que consigo relacionar de imediato é um senso de urgência do fazer com o que tenho à mão, um fazer-gambiarra que é muito típico e bonito no nosso povo.

Styling Gustavo José | Grooming Ale Fagundes (CAPA MGT); produção executiva Flavia Fraccaroli | beleza Alê Fagundes (CAPA MGT)

Fonte oficial: GQ

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