Guia vegano 2019: ano bate recorde de lançamentos vegetais; listamos os principais – GQ

30

Revolução no prato: “Alimentação é um ato cultural. Quando sentamos à mesa, carregamos nossa história, a da nossa família, a dos nossos amigos” (Ilustração Débora Islas)

“Eu como cada vez menos carne”. Passei a escutar com frequência essa frase nos últimos meses. Por saúde, por consciência ambiental ou por ética animal, muita gente, de alguma maneira, parece querer diminuir o consumo de produtos de origem animal (exatamente 29% dos brasileiros, segundo uma pesquisa recente). O mercado se movimenta para suprir esse novo desejo. Os restaurantes incluem pratos veganos em seus cardápios; os serviços de marmitas e os aplicativos de delivery de congelados proliferam e a grande indústria investe em pesquisa e em novos lançamentos – até a JBS tem um burger vegano! “Crescemos 300% no último ano”, diz Jônatas Mesquita, do e-commerce de delivery de pratos congelados veganos Beleaf. “Em outubro, lançamos mais 21 opções de refeições e snacks à base de plantas”,  conta Victor Santos, do app Livup, que entrega 250 mil refeições por mês. Ambas as startups levam praticidade e comida saudável sem trabalho (e com preços justos) até o consumidor.

Nos supermercados, 2019 bate recorde de lançamentos de produtos vegetais. Além dos leites de fontes variadas, surgiram queijos (@nomoo e @vidaveg), maioneses (@thenotco), ovos para receitas (@n.ovoplantbased) e, mais recentemente, os burgers que imitam a carne de vaca. O Futuro Burger (@fazendafuturo) chegou com barulho e está na Lanchonete da Cidade e em todas as filiais do Bob’s. A Marfrig disponibilizou a sua versão na rede Burguer King da capital paulista (e até o final do ano no Brasil inteiro) para compor o Rebel Whopper. E a JBS também criou o seu, chamado Incrível Burguer (@incrivelseara), da linha Seara Gourmet. Há ainda o burger da Behind (@behind_thefoods) e o da Superbom (@superbombr), que fechou parceria com a rede Giraffas – onde além do burger serve refeições com frango vegetal à milanesa. Mais tradicional marca de produtos à base de vegetais do Brasil, a Superbom tem nos supermercados 18 opções de produtos congelados, além de linguiças, almôndegas e queijos.

Esses itens atendem todo o mundo, mas não são pensados para consumidores já convertidos ao vegetarianismo ou ao veganismo. O foco são os flexitarianos e reducitarianos, ou seja, pessoas que amam o sabor, o aroma e a textura da carne, mas querem experimentar e adotar, de vez em quando, opções mais leves, saudáveis e modernas.


Revolução no prato: Hoje, a população de animais criada para virar comida beira os 100 bilhões – incluindo aí vacas, galinhas, peixes etc. Por isso, mais de 80% da produção mundial de grãos vira ração (Ilustração Débora Islas)

Do ponto de vista dos experts, quem quiser iniciar a transição deve diminuir carne, ovos e derivados aos poucos. “Alimentação é um ato cultural. Quando sentamos à mesa carregamos nossa história, a da nossa família, a dos nossos amigos. Por mais que todos estejam conscientes do grande problema para a saúde e para o planeta que é usar animais como alimento, não conseguimos abrir mão de uma só vez dos hábitos”, salienta Gustavo Guadagnini, diretor no Brasil do The Good Food Institute (GFI), organização sem fins lucrativos que promove a alimentação do futuro (a qual elimina os animais da equação). O GFI investe em pesquisas científicas e apoia, como consultoria, empresas que querem lançar produtos feitos de plantas – quando foi criado nos Estados Unidos, em 2016, recebeu US$ 25 milhões de aporte do fundo New Crop Capital. A “carne limpa” hoje é proveniente de plantas, porém, nos próximos anos, veremos chegar ao mercado a cell meat, ou carne de laboratório (idêntica à normal), mas que nunca foi parte de um animal vivo completo.

Para o instituto, a agricultura animal, aquela que existe para alimentar apenas os bichos, é um dos maiores problemas do planeta. O GFI se baseia em dados inquestionáveis: enquanto os humanos somam quase 7 bilhões, a população de animais criada para virar comida beira 100 bilhões – incluindo aí vacas, galinhas, peixes etc. Mais de 80% da produção global de grãos de soja vira ração. Grande parte dessa agricultura acontece no Brasil – e nas proximidades da Amazônia. O país é o pasto do mundo, tem o maior rebanho e é, em volume, o maior produtor mundial de carne bovina e de frango. A carne brasileira é a carne mais barata do mercado. É assustador. Mas, em vez de  se apavorar, se abra para o novo. Experimente aventurar-se em desafios como a “segunda sem carne”, peça pratos veganos de vez em quando nos restaurantes e teste os novos lançamentos que chegam às prateleiras. Pesquise até achar seus favoritos. “O avanço tecnológico permite entregar o que as pessoas querem comer, mantendo o mesmo sabor e, às vezes, o mesmo valor nutricional, só que de maneira mais sustentável”, diz Guadagnini.

A tendência de diminuir a ingestão de produtos de origem animal existe há cerca de 50 anos, no entanto, ganhou impulso em 2019 – por conta das notícias sobre o impacto da pecuária no meio ambiente e as queimadas na floresta amazônica. “Tenho muitos clientes não veganos que estão criando uma consciência sustentável”, avisa Laryssa Ferraz, do serviço de entregas de marmitas Larica Vegan. Desde o incêndio na mata, o Larica duplicou o número de entregas, ela lembra. A veganeconomia segue em franca expansão. Prove.


Revolução no prato: “O avanço tecnológico permite entregar o que as pessoas querem comer, mantendo o mesmo sabor e, às vezes, o mesmo valor nutricional, só que de maneira mais sustentável” (Foto: Ilustração Débora Islas)

Mesa vegana

Se você quer aderir a uma alimentação mais saudável e ambientalmente responsável, veja nossas sugestões de deliveries:

Beleaf  / @bbeleaf
E-commerce de marmitas congeladas (por ultracongelamento que mantém o sabor e os nutrientes) que entrega
em 24 horas na Grande São Paulo. Até o próximo ano, o serviço deve chegar ao Rio e a outras capitais. Servem 2500 pratos por semana, todos em bandejinhas de papel-cartão biodegradável. O mais pedido do cardápio é o risoto de funghi.

Livup / @livupoficial
Marca de alimentação saudável direta ao consumidor, o Livup tem menos de quatro anos e já emprega 420 pessoas diretamente (que produzem e entregam 250 mil refeições por mês em 10 cidades). Nem todos os pratos são congelados, porque eles têm também snacks, salgadinhos e doces. A categoria vegana é uma das mais procuradas sendo o prato de cogumelos e vegetais o mais pedido. Em outubro, o aplicativo incluiu mais 21 opções (veganas) no menu.

Apptite / @apptite_br
Comida artesanal de pequenos estabelecimentos ou chefs independentes. Uma das palavras mais buscadas no menu é “vegano”, por isso cada dia cresce mais a oferta de doces e pratos desse tipo. Quem preferir pode agendar a entrega. O combinado de sushi vegano/vegetariano faz sucesso.

Larica Vegan / @laricaveganmarmitas
Criado em 2017, disponibiliza o menu no Instagram e recebe pedidos por WhatsApp. Faz entregas duas vezes por semana e tem variedade de números de marmitas por pacotes. Lasanha, feijoada, strogonoff e a panqueca de calabresa vegetal são os campeões de pedidos.

Marmita Veggie / @marmitaveggie
Estas marmitas congeladas, entregues duas vezes por semana em São Paulo, já tem fãs famosos comoPabllo Vittar. O prato mais pedido é o nhoque de mandioquinha com almôndegas.

Olivato cozinha / @olivatocozinha
Uma vez por semana, disponibiliza o cardápio no Instagram. Os pedidos podem ser feitos por WhatsApp e os pratos são entregues fresquinhos todos os dias. Há também opções congeladas. A moqueca de banana-da-terra é um hit.

Vegano / @veganosp
Esqueça a ideia de saladas e pratos levinhos. Este take-away de São Paulo aposta em menus fartos (pedidos pelo iFood). O menu postado no Instagram aposta em dois pratos por dia. Para a sobremesa, prove os cookies gigantes ou o dilúvio de chocolate.

Pesquisa do The Good Food Institute

Gostou da nossa matéria? Clique aqui para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários