Guto Requena, o brasileiro que já faz hoje a arquitetura do futuro – GQ

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Se o futuro para alguns não inspira empatia tendo em vista previsões como a superpopulação do planeta, o deslocamento em massa de humanos e os problemas relacionados ao aquecimento global, para o arquiteto brasileiro Guto Requena é um mundo de mil possibilidades.

“Estamos entrando em uma fase na qual a gente começa a ler os espaços, concebê-los não só por sua matéria física, no caso os átomos, mas com uma camada digital, interativa. Por outro lado, vivemos cada vez mais a ideia da desmaterialização com a necessidade de menos espaços físicos. No futuro vamos desmaterializar para desterritorializar”, explica ele, que começou a viajar para o futuro nas pistas de dança, já que seus primeiros projetos foram danceterias como a Hot Hot, caixa colorida e piscante que interagia com a música que desenvolveu nos anos 2000.

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Em 1999, ele entrou para a Universidade de São Paulo, onde também fez mestrado. “Participei de um grupo de pesquisa bastante importante na história da arquitetura, chamado Núcleo de Estudos de Habitares Interativos”, lembra. Foi nesse período que se interessou em pesquisar o impacto da tecnologia nos novos modos de vida e tentar entender esse potencial na formação das cidades.

O primeiro grande projeto fora do Brasil foi desenvolvido em Paris, o Centro Cultural Alternativo Le Terminal 7, um espaço que se transforma de discoteca a espaço de eventos, shows e congressos. “O conceito foi o de plantar cinco árvores e usar um software generativo que simulasse o crescimento delas. Com um software chamado Madrix, que une som e música, deu para fazer milhões de efeitos incríveis”, conta ele sobre o rooftop com vista para a Torre Eiffel. O projeto inaugurou um novo momento na carreira de Requena, que carrega seu estúdio em formato nômade.

O Centro Cultural Alternativo Terminal 7, projetado por Guto Requena em Paris (Foto: Divulgação)

Do reflexo de 10 anos de pesquisa em criar arquitetura que estimula a empatia, veio o Pavilhão Dançante criado para a Olimpíada do Brasil, que venceu em março deste ano o prêmio máximo da arquitetura mundial: a categoria Gold do iF Design Awards. “A ideia foi criar uma pele interativa, que eu chamo de arquitetura emocional, emotiva. Sensores na pista criavam padrões geométricos de acordo com as emoções coletadas”, recorda.

O Pavilhão Dançante da Olimpíada do Rio, projetado por Guto Requena (Foto: Divulgação)

Atualmente, a empreitada de Guto é um auditório em Lisboa. “Acho que é uma das primeiras casas no mundo com esse viés. Ocupando um prédio dos anos 60, ele tem capacidade para mil pessoas e une música e tecnologia. Vai receber festivais, DJs, orquestras. Pode abrir, fechar e ainda deslizar plataformas a fim de criar diferentes configurações”, conta o arquiteto.

A lista de projetos vai longe, sempre com a mistura do analógico com o digital. “Foi na arquitetura que encontrei minha maneira de fazer ativismo”, completa o criador, que neste momento pode estar em qualquer lugar do mundo, e um pé à frente!

Fonte oficial: GQ

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