Heitor Dhalia leva a cerveja perfeita para dentro da sala do cinema – GQ

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Heitor Dhalia (Foto: Soul em Cena)

Em cartaz em seis capitais brasileiras, Em Busca da Cerveja Perfeita é um raro estudo sobre uma das bebidas mais populares do mundo. Em uma jornada de 10.000 km, o diretor Heitor Dhalia analisou diversas escolas cervejeiras e entrevistou especialistas para tentar descobrir o fascínio por trás de combinações de malte e lúpulo.

“Conheci estilos, cervejarias, pessoas, os maiores especialistas em cerveja do mundo e me encantei muito com tanta informação e em ver tantas pessoas apaixonadas pelo que fazem”, diz o cineasta em entrevista à GQ, sem deixar de destacar a relação do brasileiro com a bebida, a qual descreve como “popular e democrática”.

Autor de um dos clássicos do cinema nacional, Cheiro do Ralo (2006), o diretor ainda analisou o bom momento de um grupo que se orgulha de fazer parte: o cinema pernambucano. “O governo entendeu que seria uma área estratégica e fez uma política de fomento estadual forte, bem específico de Pernambuco”, explica ele.

Cena do documentário Em Busca da Cerveja Perfeita (Foto: reprodução)

E ainda há um motivo adicional para prestigiar o documentário nos cinemas: realizadas em apoio da Ambev, todas as sessões oferecem degustação de rótulos durante o filme. “. Uma cervejinha sempre vai bem, ainda mais assistindo a um filme sobre a bebida. Escolha a sua e bom filme”, convida Dhalia.

Confira o nosso papo com Heitor na íntegra:

GQ: Heitor, após fazer o documentário, como você definiria a relação do brasileiro com a cerveja? Qual foi o seu maior aprendizado durante as filmagens?

A relação das pessoas com a cerveja é interessante demais. Uma das coisas mais legais que eu aprendi neste documentário é a história dela, e a importância do caminho que ela percorre. A importância da jornada. É incrível saber que cerveja está diretamente ligada à história da humanidade. Essa questão cultural da cerveja com os brasileiros é bacana de ver, porque ela é popular e democrática. Aqui temos a maior cervejaria do mundo, várias boas microcervejarias, temos oportunidades enormes aqui no nosso país. E temos cervejas para todos os gostos.

GQ: O documentário mostra diferentes tipos de cerveja pelo mundo. Você pôde provar todas elas? Qual a sua favorita?

É tanta cerveja que existe nesse mundo, que não sei te dizer a quantidade, mas olha, provei muitas. Infelizmente, eu não podia ficar bebendo muito para não perder o foco das filmagens (risos). Mas provei e degustei muitas. Muitas. Conheci estilos, cervejarias, pessoas, os maiores especialistas em cerveja do mundo e me encantei muito com tanta informação e em ver tantas pessoas apaixonadas pelo que fazem. Eu gosto mesmo é das IPAS, as mais lupuladas.

Cena do documentário Em Busca da Cerveja Perfeita (Foto: reprodução)

GQ: Cheiro do Ralo foi um marco do cinema autoral brasileiro na década passada. Para você, o que mudou nesta cena de 2006 para cá?

Vejo duas frentes de mudanças. Primeiro, o momento da quantidade de produções atualmente, além dos nossos autores e novas vozes. O cinema está mais plural e com mais variedade de região e vozes. Ao mesmo tempo, a exibição se tornou mais complicada, com o cinema mais competitivo também. Os filmes americanos entram com muita fome tomando todo o circuito. O tempo de permanência de um filme nacional nas sessões é diferente. A sala de cinema se tornou um espaço difícil para os filmes. Então por um lado temos esse crescimento na produção, mas por outro essa dificuldade de exibição. Há muitos filmes bons que não são exibidos.

GQ: Desde os anos 90 surgem cineastas talentosos em Pernambuco, como Cláudio Assis, Gabriel Massaro, Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles e, claro, você. Em sua opinião, existe um “cinema pernambucano”?

Eu acho que existe, sim. Pernambuco tem uma característica muito interessante: é um estado que sempre foi vanguardista no pensamento, tem uma tradição de combate muito grande, uma cultura popular forte também. E lá no começo começou um movimento de cinema importante para a nossa história. O governo entendeu que seria uma área estratégica e fez uma política de fomento estadual forte, bem específico de Pernambuco, o que fez toda a diferença e nos deu aquela grande ajuda pública para crescer essas vozes. Aí nasceu a nossa identidade. “Nossa” porque sou pernambucano e fui criado lá, fazendo parte desse movimento, embora eu tenha um DNA forte de São Paulo também, onde moro há anos. Daí vem minha inquietação criativa.

Cena do documentário Em Busca da Cerveja Perfeita (Foto: reprodução)

GQ: Aproveitando que o filme passará nos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte, vale perguntar: uma cervejinha antes ou durante um filme cai mesmo bem?

Olha, já adianto que esse documentário dá muita sede de cerveja. Vale antes, durante e depois, depende do gosto, da ocasião. Uma cervejinha sempre vai bem, ainda mais assistindo a um filme sobre a bebida. Escolha a sua e bom filme!

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Fonte oficial: GQ

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