“Homem não tem que ter medo de mulher de atitude”, diz Raphael Logam – GQ

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Raphael Logam fala sobre seu personagem na série “Impuros”, que foi para o caminho do crime: “O Evandro, por ele ser muito leal à família e amá-la e defendê-la muito; por ser muito fiel aos amigos; por ser inteligente e dedicado, ele deveria ser um herói” (Foto: Sergio Baia / Divulgação)

GQ Brasil: Como é estar em Homens?, a série do Porchat que descontrói a masculinidade hoje? De alguma forma, ela questiona sua própria vida?
Raphael Logam: Está sendo uma aula! Estou gostando muito! Fábio Porchat não dá ponto sem nó. Ele trouxe essa questão em um momento necessário, já que as mulheres vêm trabalhando maravilhosamente bem e mostrando a sua força. Nós, homens, temos que entender isso. É inadmissível a gente não se reeducar. Nossos personagens têm de 30 a 34 anos e essa geração ainda tem salvação. A mudança é um pouco mais difícil para as gerações anteriores porque têm a cabeça formada, porém não é impossível que haja mudança. A série tem tudo para desconstruir essa masculinidade de hoje. Tem muito homem que ainda está com a guarda alta. Não tem que ter medo de mulher de atitude! Então, quem está querendo ver algo leve e está com a cabeça aberta para desconstruir, vai ver cenas ótimas, vai rir e vai refletir com Homens? [da Amazon Prime Video]. E sim, a série questiona a minha vida também. Ela vem em uma hora de eu querer mudar. Venho estudando e escutando amigas, minha mãe, minha irmã, minha filha (que com 12 anos já tem a cabeça forte). E tudo isso me faz questionar para aprender sempre. E agora que vamos ter a segunda temporada, a gente retoma esse tema que tem que ser diário.

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GQ Brasil: Ser pai de menina (Sophia) mudou sua visão sobre masculinidade?
Raphael Logam: Ser pai de menina não mudou minha visão, me aprimorou. Minha filha nasceu em 31 de outubro, no “Dia das Bruxas”. Uma vez eu falei que ia mudar o nome para “Dia das Fadas”. Ela se recusou e disse que era bruxa – ela é assim, totalmente empoderada, muito sagaz. Mas, antes de ser pai de uma menina, sou filho de uma mulher do interior mineiro, guerreira, que trabalha desde pequena. Minha mãe diz que “homem é frouxo” porque vive reclamando até quando está com um gripe. Então, com essa referência, aprendi que a mulher é forte. Meu pai sempre a respeitou, ela era quem dava a última palavra em casa. E minha mãe não é avó que mima, na casa dela tem que ser tudo certinho.

GQ Brasil: Em que mundo quer que sua filha cresça?
Raphael Logam: É exatamente o mundo que a geração dela vem construindo junto com essa interação que segue transformando. Sirvo de base para ela, dou os caminhos junto com a mãe dela e com toda a família.  Ela tem 12 anos e, com certeza (e se as Deusas quiserem), quando se tornar uma mulher, o mundo já vai estar melhor para todas. E é por isso que eu também luto.

GQ Brasil: Você tambvém está em Impuros. Já falou sobre o Evandro (seu personagem) e de quanto a série – que originalmente se passa nos anos 90 – parece de hoje devido à violência e desigualdade social. Como vê este personagem? Acredita que ele, um bandido, pode se tornar herói?
Raphael Logam: O Evandro, por ele ser muito leal à família e amá-la e defendê-la muito; por ser muito fiel aos amigos; por ser inteligente e dedicado, ele deveria ser um herói. Mas, infelizmente, foi para um lado errado. Mas quem mora em favela sabe que é mais fácil o governo virar as costas e não dar oportunidade nenhuma. É mais difícil que você tenha chance de estudar, focar e se tornar alguém de bem. Por isso o Evandro foi puxado para essa vida do crime. E, nesse caso, já não acho que ele pode ser considerado um herói. Ele mesmo fala em uma cena para o enteado que “essa vida não é legal”. Ele diz ao menino: “Você me vê fazendo isso, aquilo, protegendo as pessoas, mas não posso sair daqui porque lá fora querem me matar. Me tenha como referência de estudo, dedicação e amor à família, não como referência de futuro”.

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Fonte oficial: GQ

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