Iñarritu diz como é presidir o júri do Festival de Cannes: “A coisa mais esquisita do mundo” – GQ

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Como em todos os anos, a coletiva de abertura do 72º Festival de Cannes reuniu os jurados para falar dos próximos 12 dias no Palais des Festivals. Quatro homens e quatro mulheres, de países e histórias diferentes. A começar pelo diretor Alejandro González Iñarritu, primeiro mexicano a presidir o júri.

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Com muito humor e falando em inglês, ele respondeu a perguntas sobre a indústria do cinema hoje e o que significa estar à frente do júri. “A posição de presidente é a mais esquisita do mundo. Especialmente se for um presidente mexicano”.

Disse também que hoje o cinema tinha infinitas formas de expressão e a Netflix tinha feito um bom trabalho ao entregar filmes que faltavam no mercado, numa alusão indireta a Roma, de Alfonso Cuáron, que não pôde estrear em Cannes no ano passado devido às restrições de período mínimo entre a exibição no cinema e a disponibilização nas plataformas de streaming. “Se alguém de 200 anos atrás me visse escutando Beethoven no carro não entenderia nada. Ao mesmo tempo, seria terrível não ter a opção de escutar Beethoven com uma orquestra de 200 pessoas. O cinema foi feito para a experiência. Não há por que privar as pessoas disso”.

Um jornalista lembrou da coletiva do ano passado, quando Cate Blanchett disse que o júri havia decidido conceder uma Palma de Ouro especial a Jean-Luc Godard pois, após assistirem ao seu último filme, tinham visto todos os outros sob uma nova ótica. O festival seria então uma narrativa? “Sim, um filme influencia o outro. É como um grande jantar sem nem mesmo um sorbet para limpar o paladar”, disse Iñarritu.

Festival de Cannes 2019 (Foto: Getty Images)

A mediadora fez uma pergunta às mulheres, perguntando o que significava para cada uma delas estar ali. A diretora Kelly Reichardt disse que esperava o momento em que não diríamos mais “você como mulher” ou “as mulheres diretoras”. A italiana Alice Rohrwacher, diretora de Lazzaro Felice, um dos destaques do festival em 2018, disse que via essa mudança como um processo e hoje estava muito feliz em fazer parte do festival como mulher, espectadora e júri.

O júri é também formado pelo diretor polonês Pawel Pawlikowski, que no ano passado participou da competição com o lindo e elegante Guerra Fria, a atriz senegalesa Maymouna N’Diaye, o cineasta e roteirista francês de histórias em quadrinhos Enki Bilal e o diretor francês de 120 Batimentos por Minuto, que ganhou o Grande Prêmio do Júri em 2017, Robin Campillo. A atriz Elle Fanning, figura frequente no festival, era a jurada mais jovem. Sua estreia no cinema aconteceu quando tinha apenas sete anos, no filme Babel, de Iñarritu, roteirizado pelo também mexicano Guillermo Arriaga. “Isso faz com que eu me sinta velho”.

Festival de Cannes 2019 (Foto: Getty Images)

A cerimônia de abertura aconteceu às sete e trinta, seguida da première do filme The Dead Don’t Die, comédia zumbi com metareferências de Jim Jamursch. Como disse Kelly Reichardt, o que mais importa no festival é reunir todo mundo numa sala escura para assistir a um filme.

Fonte oficial: GQ

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