Japan House São Paulo abre nesta terça exposição inspirada na cena jovem de Tóquio – GQ

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Conhecido por criar instalações imersivas que usam a tecnologia para envolver o espectador e criar ilusões de movimento, o Nonotak Studio expõe três de suas obras na mostra 次元 (Dimensão), na Japan House São Paulo, que abre ao público nesta terça (2) e fica em cartaz até 6 de janeiro de 2019.

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Com curadoria do coletivo paulistano de arte e tecnologia THE FORCE, as obras de grandes proporções do grupo – formado pelo arquiteto e músico japonês Takami Nakamoto e pela artista visual francesa Noemi Schipfer – mesclam instalações imersivas, obras cinéticas e luminosas, além de trilha sonora própria.

Em uma delas, “Daydream V.5 Infinite”, o duo utiliza espelhos e projeções para subverter a noção espacial do espectador e gerar distorções na visão. Suas obras cinéticas e luminosas, com trilha sonora própria, propõem uma experiência que subverte as noções de tecnologia e arquitetura, utilizando um viés poético e contemporâneo.  “Magnitude”, uma instalação sensorial com barras de LED e programação avançada que, partindo da presença do corpo físico, propõe uma imersão visual mediada pela interferência tecnológica.

A mostra propõe uma experiência que subverte as noções de tecnologia e arquitetura por um viés poético e contemporâneo. “Conhecemos o Nonotak em meados de 2015 durante buscas incessantes por referências e projetos que servissem de inspiração na realização de nossas instalações e obras de arte. Desde o primeiro contato foi amor à primeira vista”, conta Antonio Curti, do THE FORCE. “A delicadeza e sutileza das obras do duo, somadas à performance visual e sonora, constroem uma nova e única dimensão. O minimalismo combinado com as soluções mais inovadoras no campo da tecnologia se tornam o ying e yang do que deve ser considerado uma obra de arte tecnológica”, completa Luciano Ferrarezzi, também do coletivo paulistano.

A GQ conversou com a dupla:

O que significa Nonotak?
Takami Nakamoto: Nonotak é um estúdio criativo baseado em Paris, co-fundado por Noemi e por mim. Nono vem de “Noemi” e Tak de “Takami”, são nossos apelidos.

Como é a exposição que vocês montaram na Japan House?
Noemi Schipfer: Desenhar um espaço usando linhas é um conceito central para o nosso trabalho. Para esta exposição no Brasil criamos três ambientes diferentes usando diferentes meios de luz. “Magnitude” é um espaço que envolve o visitante com uma linha de luz horizontal mínima. Ao controlar essa luz, ela interage com o público, lançando sombras. “Zero Point Two V.2” usa a luz para preencher um espaço e chama a atenção para o volume desse espaço. “Daydream V.5” é uma caixa compacta quando você a vê de fora, mas se torna um enorme espaço infinito quando você pisa dentro dela.

É a primeira vez que vocês expõem na América do Sul, não?
Takami Nakamoto: Sim, é a nossa primeira exposição individual na América do Sul. Estamos muito entusiasmados e particularmente gratos a Antonio Curti e Luciano Ferrarezi, da The Force, por curarem esta exposição. Nos tornamos amigos e é incrível trabalhar dessa forma porque permite relacionamentos colaborativos de longo prazo e isso, em última análise, eleva os padrões em tudo o que entramos.

A música e o design sonoro são exibidos ao vivo?
Takami Nakamoto: Sim, eu criei instrumentos e projetei meu set-up para permitir essa liberdade de expressão que me liga diretamente ao que Noemi está fazendo com as luzes.

Por que vocês não usam cores no seu trabalho?
Noemi Schipfer: Usamos branco porque é a luz mais brilhante. Usar apenas monocromático (branco) nos permite ser puros no conceito e alcançar uma maior complexidade nos gráficos também.

Takami Nakamoto: Costumamos dizer que somos daltônicos. Para ser honesto, acho que as cores removem uma espécie de abstração nas formas e contraste das luzes, quando adicionadas pelo artista. Eu gosto de pensar em uma ideia de instalação sem a possibilidade de adicionar expressão de cor, isso me faz focar no núcleo do conceito em si. Eu acho beleza em uma ideia quando sinto que poderemos contar histórias apenas com a forma e o contraste da luz. Desta forma, o trabalho monocromático parece natural para nós.

O que causa o maior impacto no seu trabalho: a cultura francesa ou a japonesa?
Noemi Schipfer: Eu acho que ambos me impactam de maneira diferente. Em termos de estética, me considero mais próxima do japonês. Embora eu tenha crescido em Paris, era importante que meus pais me mantivessem ligada ao Japão. O Japão é o país da minha mãe e passei todos os meus verões por lá. Eu gosto de como a cultura japonesa é minimalista em termos de design com respeito às matérias-primas. Por outro lado, acho que Paris é uma cidade que me deu a oportunidade de ser educada em arte e acredito que crescer nesse ambiente também teve impacto.

Takami Nakamoto: Às vezes até me sinto mal por mencionar quase exclusivamente nomes japoneses quando questionados sobre trabalhos inspiradores. Eu acho que a cultura japonesa tem sua própria sensibilidade e definição da noção de “minimalismo”. Minha abordagem artística certamente foi influenciada por minha mãe, que costumava ser uma artista/estilista, e me ensinou sobre arte minimalista através de cerâmica japonesa ou visitas a galerias quando eu era criança. É interessante porque, por outro lado, eu não escuto muitos produtores musicais japoneses ou bandas japonesas, exceto as bandas de rock math lol. Uma coisa é certa: eu nunca senti que a cultura francesa tenha impactado minha inspiração artística, embora eu tenha crescido principalmente em Paris.

Qual é o próximo objetivo de vocês como grupo e pessoal?
Noemi Schipfer: Para o NONOTAK, um dos próximos desafios é desenvolver mais trabalhos de arte que possam ser apreciados à luz do dia. Pessoalmente, gostaria de desenvolver um trabalho de vídeo mais puro e visuais 2D. Também quero continuar desenvolvendo minha arte de tatuagem.

Takami Nakamoto: Algo que sempre me obcecou foi colocar as esculturas de luz do Nonotak em uma escala arquitetônica. Isso definitivamente levaria mais tempo e exigiria mais paciência do que trabalhar em peças de instalação, mas nós sentimos que poderíamos chegar lá. Eu gostaria de poder me concentrar mais na minha produção musical também. Isso me permitiria criar uma paleta maior de técnicas e ideias de produção sonora. A música é uma parte importante de muitas de nossas peças e certamente não estou explorando esse lado.

SERVIÇO
次元 (Dimensão) – NONOTAK
JAPAN HOUSE São Paulo – Avenida Paulista, 52 (Piso Térreo)
De 2 de outubro a 6 de janeiro 2019
Horário de funcionamento:
Terça-feira a Sábado: das 10h às 22h
Domingos e feriados: das 10h às 18h
Entrada gratuita
 

Fonte oficial: GQ

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