Julia Anquier chacoalha o mercado com suas séries para o Hysteria – GQ

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Esbarrar com Julia Anquier, 25 anos, pelas ruas de São Paulo não é tarefa difícil, muito pelo contrário. Low profile, a filha da atriz Débora Bloch e do chef e apresentador Olivier Anquier adora utilizar o transporte público para cima e para baixo e está sempre nas festas mais cool da cidade. Depois de ter seu curta–metragem “Adeus à Carne” na competição oficial do Festival de Cinema do Rio de 2017, a cineasta desembarcou na capital paulista no fim do ano passado após meia década em Nova York, para onde se mudou a fim de estudar cinema na School of Visual Arts. “Estou muito feliz de estar de volta. Esses anos que passei fora foram muito importantes para mim tanto pessoal como profissionalmente”, diz.

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Meu processo criativo é a minha vida. Tudo me faz entender o mundo melhor”

Julia conta que tem aprendido a se virar sozinha na megalópole, mas o que vale mesmo são as dicas de sua mãe. “Ela é a pessoa mais profissional que conheço. Admiro a maneira como consegue separar trabalho da vida pessoal”, brinca. Julia entrega ainda que seus pais são seus maiores fãs e, com o apoio deles, consegue alçar voos ainda maiores. “Eles são suspeitos, né? Sempre vão achar meu trabalho legal. Mas é raro eu tomar alguma decisão profissional sem consultá-los”.

Seu retorno ao Brasil coincide com o lançamento da plataforma de conteúdo e curadoria feita apenas por mulheres da Conspiração Filmes, o Hysteria. Neste novo projeto, assina duas séries, ambas disponíveis online: 1/4 Dela e Estrangeiras. “A primeira nasceu da grande admiração que tenho pelas gerações que vieram depois da minha, gente de 15 a 20 anos. Sinto que elas são muito ativas, tanto política quanto intelectualmente, e têm muita coisa a dizer”, admite. Já Estrangeiras mostra 24 horas na vida de mulheres brasileiras que não moram em seus países de origem. “Em cada episódio, seguimos o dia de uma personagem em uma cidade diferente no mundo. As próprias protagonistas filmam suas vidas com o celular e eu monto os episódios como se fossem um Insta Stories”.

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Ver e sentir a vibração de São Paulo parece ser um dos exercícios da diretora na hora de criar. “Meu processo criativo é a minha vida toda! Ficar procrastinando na internet, no celular, ir ao cinema, ao teatro, ler livros, ler o jornal,  ir à festa, andar na rua, ouvir a conversa dos outros, sonhar acordada, sonhar dormindo… Tudo isso me faz entender o mundo melhor e, assim, aos poucos, vou buscando o que quero falar, o que quero contar e qual a melhor maneira de fazer tudo isso.”

Quando questionada sobre a possibilidade de seguir o caminho da mãe, é categórica: “Já fiz cursos de teatro e já estive em frente às câmeras, mas nunca quis buscar isso profissionalmente. Minha pira é outra, tenho outras paixões. Vivo minha vida do jeito que quero vivê-la, tomando cuidado para não ceder à pressão das expectativas que algumas pessoas possam ter sobre mim, como ser atriz por exemplo”. A gente apoia você, Julia.

Fonte oficial: GQ

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