Julia Konrad: “Precisamos falar sobre o feminicídio” – GQ

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Julia Konrad vive Amanda na série (Des)Encontros, de Rodrigo Bernardo, acaba de rodar o longa Kardec, de Wagner de Assis, no qual faz a médium Ruth-Celine, interpretou uma guerrilheira em 1 Contra Todos, outra série, agora de Breno Silveira, e volta à TV na nova novela das 9, O Sétimo Guardião, de Aguinaldo Silva, como Raimunda. Ela também canta e toca piano – por isso, ainda pensa em lançar um projeto musical. “Nunca estou parada, sempre estou criando. Não consigo não estar em movimento”, admite.

Nesta correria, ela conseguiu um tempo para conversar com a GQ Brasil:

Em seu Instagram, você fala sobre feminicídio. A condição da mulher está mudando, mas ainda é preocupante. Alertar aos seus seguidores é uma das formas que você vê para contribuir na discussão do problema?
Com certeza. Quanto mais discutimos essas questões tão importantes e que se mantiveram tão invisíveis durante tanto tempo, melhor. Precisamos falar sobre o feminicídio; precisamos falar sobre a mulher nessa nossa sociedade; precisamos falar sobre as minorias; precisamos falar sobre igualdade. Estamos em constante evolução e revolução. Vamos avançando em algumas coisas que assustam certa parcela da sociedade e causa alguns regressos mas, ainda assim, acho que o caminho está sendo, na sua maioria, positivo. Só pelo fato de que estas pautas estão em constante discussão já é um avanço importantíssimo. E as coisas não vão mudar da noite por dia. É um processo lento e constante. Seguimos na resistência.

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Existem mulheres reais que te inspiram? Quais?
Todas elas. A gente foca muito nos grandes nomes, nas com grandes feitos e contribuições para o mundo, e deixamos de olhar para a mulher “comum”, que você cruza na rua e não olha duas vezes. Acredito que toda mulher tem uma força absurda dentro de si. É só parar para trocar com qualquer mulher que logo surgem as histórias de batalhas – sejam grandes ou pequenas.

Julia Konrad (Foto: Rodrigo Bueno / Make: Patrick Guisso / Styling: Juliano & Zuel)

Das muitas personagens femininas que você vive na ficção, uma delas é uma médium no longa Kardec. Tem alguma crença religiosa?
Já passei por várias religiões, inclusive a espírita, e levo algo de cada uma para meu dia a dia. Acredito mais no que a gente faz dia após dia do que em um dogma específico. Não funciono com dogmas, a divindade está dentro de cada um de nós, basta parar para escutar.

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Você estará ainda na próxima novela das 9 e ainda quer lançar um projeto musical? Como encontra tempo?
Tempo é uma das coisas mais valiosas que temos, né? Trabalhos vem e vão, dinheiro vem e vai, mas tempo… O tempo que vai não volta mais. Por isso procuro gastá-lo com coisas que me preencham, projetos que me movam, e nisso vou escolhendo. Nunca estou parada, sempre estou criando. Não consigo não estar em movimento. Claro que o descanso é necessário, ócio criativo é uma das coisas mais importantes para mim. Mas nunca perco tempo. Sempre preencho com algo.

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Por que surgiu esta vontade de ter este projeto musical?
A música sempre esteve muito atrelada ao meu caminho. Comecei no teatro musical, me formei nisso em Nova York, acabei caindo no audiovisual quando voltei ao Brasil, mas sempre meus personagens tiveram esse lado musical. Ou através do canto, ou uma relação próxima com a música. Cada personagem minha tem sua playlist, faz parte da minha construção. E claro, sempre cantei, aprendi sozinha a tocar alguns instrumentos e, também, escrevo bastante. Senti que estava na hora de juntar tudo isso e criar algo novo.

Que nomes da música atual você ouve?
Sou bem eclética e, também, sempre em movimento nesse sentido. Recentemente estava em uma fase bem Recife: Johnny Hooker, Otto, Barro, Academia da Berlinda. Aí viajei para a Colômbia e mergulhei na música mais latina: Caloncho, Carla Morisson, Jorge Drexler, Juan Pablo Vega. Agora, por conta da nova personagem em construção, estou redescobrindo alguns nomes que escutava mais nova: The Smiths, The Cure, Frente, John Mayer… E vou mudando.

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Você afirma que “vai mudando”. E publicou recentemente: “Esse último ano me ensinou muita coisa. Que a vida pode até ser mais fácil sozinha, mas é infinitamente mais interessante acompanhada”. Foi um desabafo sobre relacionamentos, sobre aprendizados da vida?
Não é sobre solteirice ou relacionamentos, é sobre o poder absurdo de se encontrar com você mesma, se conhecer, e depois estar realmente de peito aberto para os encontros que a vida te proporciona, as pessoas que cruzam nosso caminho e o que cada uma traz de novo. Foi um aprendizado lindo, está sendo. Tive encontros muito especiais nesse último ano e quis, de alguma forma, agradecer cada um deles.

Fonte oficial: GQ

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