Leandro Hassum levanta a bandeira do cinema nacional: “trazemos lucro” – GQ

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Leandro Hassum (Foto: Rodrigo Lopes)

Leandro Hassum é uma autoridade quando o assunto é cinema nacional. Responsável por levar milhões de pessoas às salas de shopping centers com filmes como O Candidato Honesto e Até Que a Sorte Nos Separe, o ator volta a aceitar o desafio de fazer rir com O Amor Dá Trabalho, em cartaz nos cinemas a partir desta quinta-feira (29).

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No longa, ela interpreta Anselmo, um funcionário público que acaba se tornando uma espécie de cupido após a morte. “Ele é um exemplo da pessoa que acha que, se passar reto pela vida sem fazer o bem, mesmo que seja no seu microuniverso, vai conquistar alguma coisa. Não, a gente tem que fazer a diferença”, disse o ator à GQ.

Agora apresentador do programa ‘Tá Pago” , no TNT, Hassum não quer deixar o cinema de lado e se preocupa com o futuro da Ancine, órgão estatal responsável por fomentar, regular e fiscalizar a indústria cinematográfica no Brasil. “Nós somos fundamentais para o crescimento do nosso país. Nós trazemos muito lucro. Os filmes nacionais têm uma importância muito grande. Então acho que vamos passar por essa”, afirma.


Leandro Hassum e Flávia Alessandra em cena de O Amor Dá Trabalho (Foto: Mujica Saldanha)

Confira o papo abaixo na íntegra:

GQ: Hassum, todos nós já nos divertimos com filmes sobre “cupidos”. O que o Anselmo, um legítimo malandro, tem a oferecer de novo nesta função em O Amor Dá Trabalho?

Eu acho que o personagem do Anselmo não trabalha só como cupido. Ele é um exemplo da pessoa que acha que, se passar reto pela vida sem fazer o bem, mesmo que seja no seu microuniverso, vai conquistar alguma coisa. Não, a gente tem que fazer a diferença. E acho que a grande lição do filme é mostrar que não é porque você não faz o mal que já está bom. Não fazer o bem deixa de acrescentar na vida das pessoas. Mais que um cupido, ele volta pra fazer o bem. Pra mostrar e fazer a diferença. É um tema que a gente já viu em outros filmes, sim, mas não com a brasilidade que O Amor Dá Trabalho vem trazer.

GQ: As pessoas podem esperar por algumas surpresas no cinema?

A gente sempre faz um filme esperando que as pessoas se surpreendam, sim. Pra mim, foi um trabalho diferente de fazer porque, quando você faz um espírito que os outros colegas em cena, os outros atores, não podem te ver, é mais difícil pra contracenar, né, porque você tem que reagir nas respirações, nas pausas, então, pra mim, foi um pouco desafiador. Mas as pessoas podem esperar cenas divertidíssimas. O humor do Hassum vai estar sempre presente, porém com algumas nuances mais de cartoon, até porque o Ale McHaddo (diretor do longa) tem esse universo da animação muito presente. Então, acho que o público vai se surpreender também com esse universo fantástico. Acho que é um diferencial do filme.

GQ: Esse tipo de história é bastante comum no cinema estadunidense. Quais seriam as características dos filmes de comédia brasileiros, em sua opinião? As nossas piadas regionais seriam o grande diferencial?

Você já viu essa premissa em outros filmes americanos, mas acho que a gente traz o humor brasileiro. Fazer brasileiro rir é sempre mais difícil, eu acho, porque o brasileiro por si só já é bem divertido e se coloca sempre num lugar de descobrir qual a piada que virá, como ele faria aquela cena. Nós somos muito criativos, então é sempre um desafio fazer humor para o brasileiro por ser um público que já tem humor na veia.


Leandro Hassum (Foto: Rodrigo Lopes)

GQ: Você é um dos atores mais importantes do cinema nacional neste século. Você está apreensivo quanto ao futuro da Ancine? O cinema corre riscos, em sua opinião?

Eu acho que esse assunto da Ancine é uma coisa que está se falando muito hoje, logicamente que preocupa a gente… Fico muito honrado de fazer parte desse movimento que voltou a levar a família brasileira pro cinema, mas também acredito na força das produções e na força das nossas histórias. E acho que mais uma vez o cinema nacional vai sair vitorioso disso tudo. Já passamos períodos nebulosos no cinema lá atrás, conquistamos um espaço muito bacana. Volto a dizer que sou muito honrado de fazer parte disso. E tenho certeza que passaremos dessa mais uma vez. Nós somos fundamentais para o crescimento do nosso país. Nós trazemos muito lucro (para o Brasil). Os filmes nacionais têm uma importância muito grande e as comédias têm esse papel de trazer a família novamente pro cinema. Então acho que vamos passar por essa.

GQ: Você tem comandado palestras motivacionais no projeto Pode Rir que eu Tô Falando Sério. De onde surgiu essa ideia? Sorrir já te salvou de algum apuro?

Acho que o sorriso e o bom humor salvam vidas, na verdade. E eu decidi fazer essa minha palestra justamente por isso, para mostrar como é importante o bom humor no seu ambiente de trabalho pra que você não contamine todos os seus colegas de trabalho e até mesmo a sua sessão e tudo isso. Então, minha palestra é muito direcionada à força de venda. Principalmente, num momento que, volto a dizer, o país passa por uma crise, o país passa por um momento, às vezes, até de desânimo. Eu tento com a minha palestra do “Pode Rir Que Eu Tô Falando Sério” trazer esse espírito do brasileiro, esse bom humor que todo brasileiro tem.

GQ: Você já chegou a dizer que o politicamente correto é uma bobagem em algumas entrevistas. Seu humor tem algum limite?

Na verdade, assim, o meu humor… Eu só acho engraçado se todo mundo rir. Se eu acho graça e estou constrangendo os outros, isso pra mim não é humor. É apenas uma ofensa e apenas bullying. Quando eu digo que o politicamente correto é uma bobagem, é porque esse momento em que todo mundo chega e fala pra mim “Tá difícil fazer piada, tá difícil fazer graça”, eu costumo dizer que não, não está difícil. Está desafiador. E isso é mais um aprendizado pra nós, comediantes. Vamos ter que descobrir materiais novos, histórias novas e que tratem do todo, não só pegar um nicho e detonar aquele nicho. Acho que isso vai ajudar a selecionar, a separar o joio do trigo.


Leandro Hassum em cena de O Amor Dá Trabalho (Foto: Mujica Saldanha)

GQ: Neste começo do ano, algumas pessoas nas redes sociais não lidaram bem com a brincadeira com sinais que você fez no vídeo de Evidências. Qual o balanço que você faz daquela situação?

Falta de entendimento. Eu estava brincando com o meu amigo (Tiago Abravanel), não estava debochando em momento algum da nossa primeira-dama (Michelle Bolsonaro). Era uma brincadeira de fazer uma coreografia. Era totalmente fora de contexto, como foi colocado aquilo, mas eu super entendo. É isso, a gente vive num momento em que tá todo mundo com o dedo no gatilho esperando qualquer coisa pra poder detonar. Mas foi mal interpretada a minha brincadeira, porque se pagarem meu post de dois dias antes, eu estava fazendo um agradecimento, dando parabéns à primeira dama, por ela ter tomado a iniciativa de fazer seu discurso usando libras. Então, assim, é mal intencionado o comentário que foi feito..  As pessoas esquecem rápido. É como a gente falava do jornal antigamente. O jornal de hoje embrulha o peixe de amanhã. O post de hoje é esquecido pela outra brincadeira que você fez no dia seguinte.

GQ: E, para finalizar, se você pudesse interferir, como um fantasma, na vida de alguém, quem você escolheria? E com qual intuito?

Acho que eu tentaria não entrar só na vida de uma pessoa, mas na cabeça do nosso Congresso, do Senado, do nosso presidente, pra que a gente pudesse de forma mais coerente ter mais união na forma de pensar. Para que todo mundo pensasse na mesma direção, de um Brasil melhor, um Brasil mais coerente e próspero. É um país tão grande e tão maravilhoso. Acho que a gente merece que todo mundo pense pro crescimento. Às vezes, as diferenças de ideologia detonam e atrasm o crescimento desse bem maior, que é o nosso país.

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Fonte oficial: GQ

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