Lenny Kravitz abre as portas de seu refúgio brasileiro – GQ

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O refúgio brasileiro de Kravitz: “Nunca tinha me sentido mais calmo, tranquilo e perto de Deus. Foi um momento mágico. Pensei, chega de correria e agitação. Serei um fazendeiro.” (Foto: Simon Upton)

Lenny Kravitz sabe muito sobre sedução. Como músico vencedor do Grammy – e como designer –, ele tem criado um estilo que combina gêneros, períodos, estilos e influências diversas. O roqueiro de 55 anos continua sendo um dos gatos mais cool do planeta, constantemente superando as expectativas e encontrando novos caminhos de expressão artística.

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Nos 16 anos desde a fundação da sua Kravitz Design, ele cria espaços públicos e suítes para hotéis em Miami, Las Vegas e Toronto e desenvolveu produtos que vão de móveis e ferragens para portas a papéis de parede e azulejos. Ele até concebeu uma câmera para a Leica e um relógio para a Rolex e está atualmente cuidando do design do 75 Kenmare, novo prédio no Nolita, em Nova York. Mas seu projeto pessoal mais intrigante é o retrofit (em andamento) de uma fazenda de café do século 18 aqui no Brasil.


O refúgio brasileiro de Kravitz: Foto (à esq.) da mãe de Kravitz, a atriz Roxie Roker. A do centro é assinada por ele. (Foto: Simon Upton)

O idílio brasileiro de Kravitz começou há dez anos, enquanto estava em turnê. “Estava viajando por todo o país, cada vez mais atraído pelas pessoas, pela cultura, pela música e pela terra também. Há algo incrivelmente poderoso e majestoso no Brasil”, lembra. No final da turnê, menos de 24 horas antes de partir com a banda para Miami, Kravitz recebeu a ligação de um amigo que o convidou para conhecer uma propriedade no interior do estado do Rio. “Estávamos prontos para voltar, mas algo me dizia: ‘Tenha uma aventura’. Chegamos lá à noite e, na manhã seguinte, acordei na paisagem mais bela e exuberante que se pode imaginar, aconchegada em um vale, cercada por montanhas, cachoeiras, vacas, cavalos, macacos, pomares de frutas e hortas – toda a insígnia da natureza”, continua.


O refúgio brasileiro de Kravitz: Suíte master com cama vintage Vladimir Kagan e banheira de cobre. (Foto: Simon Upton)

A breve excursão pelo Éden ganhou vida própria. Um dia se transformou em uma semana, uma semana em um mês. “Acabei ficando por seis meses. Foi extraordinário. Abandonei minha vida, aprendi a andar a cavalo, a plantar, me reconectei com a natureza”, diz. “Nunca tinha me sentido mais calmo, tranquilo e perto de Deus. Foi um momento mágico. Pensei ‘chega de correria e agitação. Serei um fazendeiro’.”


O refúgio brasileiro de Kravitz: Os coqueiros dão sombra aos cavalos da raça Mangalarga Marchador e ao labrador de Kravitz, Neon, na grama. (Foto: Simon Upton)

A realidade, é claro, tem seu jeito de invadir os sonhos, e Kravitz acabou retornando a sua vida de fazer turnês e compor música. Mas o Brasil ainda estava em seu sangue e, dois anos depois, ele mais uma vez prestou atenção ao chamado. Desta vez, comprou a propriedade de cerca de 400 hectares determinado a manter as atividades do local enquanto criava um retiro pessoal para a família, amigos e colaboradores, onde arte e natureza poderiam existir em harmonia. Ele descreve como “um lugar para desligar, reconfigurar sua vida e tirar um tempo para ficar quieto e ouvir a si mesmo”.


O refúgio brasileiro de Kravitz: Desenhos de Kravitz e amigos nas paredes de uma sala com cadeira giratória dos anos 70 e móveis do início do século 20. (Foto: Simon Upton)

A extensa propriedade abrange uma vila e dependências no estilo colonial português do século 19, algumas das quais Kravitz converteu em quartos de hóspedes, academia, área de lazer com piscina e estúdio de gravação. “Os interiores eram da época colonial – papel de parede e estofados combinando e móveis de madeira pesada. Meu primeiro impulso foi limpar tudo, tirar o papel de parede e os armários e melhorar o encanamento e a eletricidade”, explica.


O refúgio brasileiro de Kravitz: Cozinha com azulejos customizados. (Foto: Simon Upton)

Nos anos seguintes, visitou a propriedade com frequência para supervisionar a reforma e, quando estava em turnê, instruia os operários pelo FaceTime. Também enviou mobília e arte para colocar nos quartos. “Acabei de enviar algumas coisas de que gosto. Algumas funcionaram, outras não. O processo foi muito improvisado, como fazer música. Você deve tocar o que sente. Às vezes é sobre o que você não toca.”


O refúgio brasileiro de Kravitz: Murais do artista Chris Wyrick e par de cadeiras de madeira de Zanini de Zanine na suíte master. (Foto: Simon Upton)

Móveis de mestres como Oscar Niemeyer, Sergio Rodrigues e Jorge Zalszupin, com azulejos clássicos nacionais e outros floreios locais homenageiam o país. Em um estilo exuberante, Kravitz acrescentou a isso móveis do meio do século – incluindo peças de Warren Platner e Eero Saarinen –, além de peças personalizadas de seu escritório de design e toques glamourosos, como as tapeçarias vintage Paco Rabanne e um piano de cauda de acrílico. “O ritmo aqui é lento, tive a chance de viver com tudo e perceber como interajo com isso. Houve muito improviso e tentativa e erro na decoração.”


O refúgio brasileiro de Kravitz: Chaise longues da Kravitz Design cercam a piscina. (Foto: Simon Upton)

Kravitz também convidou amigos artistas a contribuir com murais nas paredes. Claro que também deixou sua marca. “Estava olhando para uma parede uma noite e comecei a pintar triângulos enormes. Gosto de triângulos!”. O resultado fica entre o orgânico terroso e o louco sexy descolado. Mas, para ele, a reforma em curso é menos sobre uma estética ultramoderna e mais sobre preservar a energia espiritual de seu remoto oásis: “Essa fazenda, essa terra, elas têm uma força vital própria. Você não consegue simular isso com o design.”

Edição Verrô Campos | Estilo Kirsten Mattila

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Fonte oficial: GQ

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