Marcos Mion mostra como criar bases sólidas na relação entre pais e filhas em novo livro – GQ

11

“Dizem que sou bom em muitas coisas, pois já fiz muitas coisas na vida, mas, pra mim, o que sou bom mesmo é em ser pai“, disse à Marcos Mion, autor do livro Pai de menina, um lançamento que comprova essa tese. Segundo o apresentador, a idéia da obra surgiu de modo natural, após um post no Instagram, ferramenta onde sempre escreve sobre família, filhos e paternidade, e que expôs uma espécie de “gap paterno” entre seus seguidores.

“Certa vez, comentei sobre um hábito que sempre tive com a Donatella. Toda semana, costumo passear com ela para uma conversa de pai pra filha, sobre elevar a barra do homem que ela aceitaria em sua vida. Para ensiná-la como deveria ser tratada, para que ela não aceite nada que lhe faça mal e nada menos do que respeito, compaixão, amor e entendimento quando ela crescer. Isso é uma coisa que fazia a muito tempo e, quando compartilhei no Instagram um post sobre esse hábito, recebi um retorno gigantesco”, conta Mion.

“Me surpreendi, pois achava que todos os pais tinham o pensamento de ensinar e educar suas filhas pra que não aceitassem nada que lhes fizessem mal ou que fosse menos do que o propiro pai foi pra ela quando elas se tornasssem adultas. Mas, pela repercussão do post, vi que não. As pessoas me paravam na rua, amigos me mandavam mensagens agradecendo pelo exemplo, pois mudou a forma com que falavam com a filha e tudo mais. A partir disso, vi que os homens estavam bem mal como pais de meninas”, revela o apresentador.

 (Foto: Reprodução / Instagram @marcosmion)

Após receber tantos feedbacks positivos, que superaram até os elogios ao seu próprio programa, nasceu o Pai de menina, livro que promete encorajar os pais a encararem a criação de uma filha como eles têm para criar um filho. “A maioria dos pais acha que é muito mais fácil e orgânico criar um menino, pois vão jogar bola com ele, entender seu universo, e se privam de uma entrega para o universo da menina. Isso é muito real e vi que podia ajudar esses pais a partir da minha relaçao com a Donatela, que é de muito respeito e entrega, é realmente muito diferente”, explicou o marido de Suzana e pai do Romeo e do Stefano, que falou sobre o assunto que dá nome ao seu novo livro e muito mais sobre paternidade em entrevista à GQ Brasil.

Formato do livro

Ele foge um pouco do convencional. O primeiro capítulo é um treinamento para ler o livro. Primeiro o pai deve ler sozinho, se embasar, saber por que ele esta ensinando aquilo, se sentir firme e consciente do que esta fazendo para, aí sim, ler para sua filha.

+ Henrique Fogaça faz sessão de fotos ao lado da filha em ação solidária
+ Paternidade está redefinindo a masculinidade, diz estudo
+ Ricardo Pereira: “A gente entende a importância dos nossos pais depois de ter filhos”

O livro tem 15 capítulos que o pai pode ler para a filha. Pode ser lido uma página por noite. Cada uma dessas páginas ou capítulos eu chamo de declaracõess, que são caminhos para o pai tanto criar um elo forte com sua filha, quanto para mostrar à ela como ela é forte e pode fazer o que quiser, que ninguém pode colocá-la pra baixo e que não é melhor nem pior que ninguém.

Há capítulos sobre respeitar as diferenças, beleza, amizades e muito mais. Já outros são voltados apenas aos pais, onde falo sobre minhas experiências nesses 13 anos anos dedicados a paternidade.

Lembrando que o livro é só um start para os pais, já que cada um vive uma realidade diferente. Por isso, cada capítulo termina com uma sugestão de acão ou até de conversa para que cada pai crie um elo próprio com sua filha.

A melhor coisa sobre ser pai de menina e criar filhos sem preconceitos

O mais legal de ter uma filha é ter acesso a esse universo feminino que ela me apresenta, e que é o máximo. Sem ela eu seria só um homem.

 (Foto: Reprodução / Instagram @marcosmion)

Tenho muito ciúme da minha filha, mas não tenho essa coisa de protegê-la mais do que meus filhos homens. Tento criá-los de forma igual no que diz respeito a valores, ética… isso não muda. Porque acredito que nós temos uma chance de criar uma geracão tolerante, sem preconceitos e, acima de tudo, igual. A gente vê a luta tão importante das mulheres por respeito e igualdade, pois por muitos estava tudo errado nesse sentido.

Mas apesar de empoderar muito minha filha, dizendo que ela pode ser o que quiser e que ninguém pode rebaixá-la, não falo com ela sobre a luta do femininsmo em si. Não acho legal que ela e sua geração cresça sabendo que existe uma batalha, mas que já venham com a mentalidade de que todos somos iguais. Não só em relação ao gênero, mas raça, credo, religião etc. Procuro passar essa mentalidade também para meus meninos, pois crio eles de forma igual para que eles sejam pessoas melhores do que as pessoas da minha geração.

Falando de feminismo e empoderamento

É uma grande sacada tratar o empoderamento e feminismo como algo normal e não uma batalha, tanto para as filhas quanto para o filhos. Sobre nudes, por exemplo. É importante dar força para elas falarem não, porque é difícil para a menina. Ela manda um nude, pois ela gosta muito de um menino e quer confiar nele, mas a gente tem que ensiná-la a falar não, porque não é isso que vai provar que ela gosta de verdade dele ou não.

Estou prepardo para quando chegar a hora de falar isso com minha filha. Mas o mais importante, que é algo que falo no livro, não é ensinar ela a negar e que isso não é prova de amor, mas ensinar os filhos homens que não devem pedir. Isso é o mais importante, e tem tudo a ver com a criação igualitária que falamos anteriormente.

+ Documentário brasileiro mostra desafios de famílias com crianças autistas
+ Pai faz desabafo por falta de fraldários em banheiros masculinos
+ Ryan Reynolds não quer que suas filhas sejam celebridades

Conselhos finais para os novos pais de menina

Eu queria muito ter lido um livro desse quando meu tornei pai. No fim do livro, após todo conteúdo aprofundado, para dar uma aliviada, deixei algumas frases para os novos pais, como: “não só leve todos os ursos de pelúcia que ela quiser, mas saiba todos os nomes deles”; ou “sempre escove os cabelos dela”; ou “não guarde as roupas boas só para festas, porque elas vão ficar pequenas rapidamente e você vai ficar com raiva do dinheiro que jogou fora” etc.

São conselhos bem humorados, e não menos importantes, que valem a pena. Mas os conselhos que são os caminhos para criar essa confança e relačão forte com sua filha estão nas outras páginas. Essa relacão é importante para a adolescente e mulher que ela vai ser. Isso que nós, pais, estamos plantando agora não é pra gente. Esses 10 primeiros anos são para construir o que elas serão quando cescerem.

E por último, só o que posso dizer aos aos pais é que sejam presentes. Sou contra o pensamento de ficar junto cinco minutos, mas com qualidade. Não! Esteja sempre com eles, mesmo que seja pelo celular, para dar sua opinião, decidir, orientar e servir de exemplo.

FICHA TÉCNICA

Livro Pai de menina Marcos Mion
Selo Academia – Editora Planeta
216 páginas R$ 44,90

EVENTOS

Dia 4 de agosto a partir das 18h no estande da Editora Planeta na Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Dia 7 de agosto a partir das 18h na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731 – Jardim Paulista – São Paulo/SP).

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários