Marina Lima completa 64 anos e é tema de documentário em sua homenagem – GQ

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Um grito: “É para uma tribo que quer ser livre”, avisa Marina Lima sobre seu doc (Foto: divulgação)

Uma das estreias mais aguardadas de setembro é o documentário Uma Garota Chamada Marina, sobre a vida de Marina Lima, dirigido por Candé Salles. O cineasta foi, inclusive, um dos poucos homens por quem a cantora e compositora – lésbica assumida desde os 18 anos – se apaixonou e namorou. E o filme é fruto, justamente, dessa relação. “Foram 10 anos filmando Marina. Tive a sorte de acompanhar um período rico, de muitas mudanças”, explica o diretor, que registrou a intimidade da ex e grande amiga entre Rio, São Paulo, Porto Alegre e Berlim. “Filmava com o que tinha na hora: do VHS, passando por câmera sofisticada e até com o meu celular”, adianta Candé. O resultado é inovador, intimista e apresenta uma artista que tem pouquíssimos registros audiovisuais – apenas um DVD nos seus mais de 40 anos de carreira.

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“Esse filme é dedicado aos ‘Grunkies’, uma tribo de gente que pensa igual, tem muito talento, mas não quer se enquadrar. Quer ser livre. Essa é a minha turma”, decreta Marina do alto dos seus 63 anos. Ela, inclusive, completa 64 anos dia 17 deste mês. Em ótima forma – continua fazendo shows pelo país com aquela barriga sarada de fora –, a artista revela seu segredo: “Sigo o método dos gregos: ginástica, prosa e muita música”.


Primeiro álbum: Ensaio para o disco Simples como Fogo, lançado por Marina em 1979 (Foto: Antônio Guerreiro/divulgação)

O documentário começa com um poema escrito para ela pelo irmão, Antonio Cícero. Poeta e escritor, ele também é um dos parceiros musicais de Marina. “A vida inteira morei com meu irmão e começamos a compor juntos, mas por ter muita intimidade, às vezes a gente se estranhava. Uma hora acho que a gente enjoou um do outro e fomos cada um para um caminho. Na época, fiquei aflita, achando que ele estava sendo injusto comigo, mas depois a gente se encontrou e descobriu que sentíamos muita falta um do outro. Passados 15 anos, ainda estamos nessa lua de mel e sempre cheios de saudades”, ela se declara.

Outras figuras importantes na vida da cantora também dão depoimentos. O escritor Fernando Muniz fala da importância das parcerias musicais dela com o irmão. “O período Marina e Cícero, nos anos 80, foi de intenso ativismo”, relembra. Já o figurinista Cao Albuquerque entrega histórias de bastidores, da época que o Baixo Leblon tinha ares de centro do universo. “A Marina levava horas e horas para enrolar aquele cabelo. Até ficar perfeito. Mas perfeito de uma forma que parecesse bem rebelde. Às vezes eram quatro horas arrumando o cabelo para duas horas de aparição. E eram aparições mesmo: da casa do Caetano, ou de um encontro com Bob Marley ou com Moraes Moreira, até um pulo na Sótão, a boate da época no Rio”, recorda Cao, às gargalhadas.

Grande amigo de Marina e um dos maiores arquitetos brasileiros, Isay Weinfeld também participa. Ele, inclusive, dirigiu um dos shows dela, “Clímax”. “Sempre o achei muito inteligente. Conversamos muito sobre música, arte, artistas, sobre a vida mesmo. O bom humor e requinte dele são incríveis”, elogia Marina. A mulher da cantora, a advogada Lidice Xavier, é apresentada de forma poética. Enquanto a silhueta de Lidice é exibida, a música Ela e Eu, sucesso de Caetano Veloso gravado por Marina, toca ao fundo. E nada mais sobre a vida amorosa da artista é dito. E precisa? “Não dá para se referir à Marina só como cantora. Ela deu voz às mulheres nos anos 80 e representa um grito de liberdade. Marina fez muita gente gozar”, finaliza Cao Albuquerque.

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Fonte oficial: GQ

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