Mário Queiroz dispara: “Pelo movimento das mulheres, os homens precisam mudar” – GQ

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Mário Queiroz, criador e diretor do Homem Brasileiro, série de diálogos sobre masculinidades, avisa: “Ainda que todo dia nós encontremos um machista na rua ou nas manchetes, há outras pontas com ideias mais amplas e justas”. Para o designer e estilista, a moda, por exemplo, anuncia esta mudança de comportamento, rediscutindo limites – um “embaralhamento onde não cabe mais dizer ‘Isso é só de homem ou só de mulher”. E ele continua: “São fenômenos que surgem das ruas. Sim, na mesma rua onde acontecem agressões, vemos o nascimento de grandes tendências que depois vão para as passarelas”.

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Em bate-papo com a GQ Brasil, Queiroz esclarece esta postura em construção para as masculinidades contemporâneas – que serão discutidas em 13 painéis do Homem Brasileiro (abordando temas como paternidade, consumo, beleza, casa, vida digital):

Você acredita que algumas mudanças no homem se relacionam a uma nova postura das mulheres?
Sim, pelo movimento das mulheres nestes últimos anos, pela vida e posicionamento de muitas delas, os homens precisam mudar. Porque quando a mulher mostra que pode ser bonita e capaz, ela provoca. Algumas não querem mais gastar tanto com a beleza e andar com um homem bagulho; outras não querem investir tanto em repertório cultural e viver com um homem que só fala de futebol. Ao mesmo tempo, penso que as transformações precisam acontecer para os dois lados – pois ainda existem brasileiras que também ajudam a manter a ideia do macho opressor.

O Homem Brasileiro chegou a sua quarta edição. O que pode destacar de mudança no comportamento masculino?
Nos últimos anos se falou muito do “empoderamento” da mulher, então o que se espera dos homens passou a ser uma importante questão também. Há um interesse maior em se falar das mudanças dos homens em relação a eles e a toda a sociedade. Ainda que todo dia nós encontremos um machista na rua ou nas manchetes, há outras pontas com ideias mais amplas e justas. O termo diversidade ampliou também a ideia do que é ser homem influenciando quem desenha, produz e vende para esses diferentes mercados.

Em que áreas das masculinidades vê as maiores evoluções?
Na casa do homem: casa enquanto ninho, família e enquanto espaço em que se vive. Se o homem assume mais papeis na família, ele acaba se interessando com sua casa. Também no consumo de produtos para cuidados com a beleza, barba e cabelo e sobrancelhas. E gostaria de falar na moda, mas, no Brasil  – com exceção dos designers autorais – as marcas costumam vender as mesmas roupas de 30 anos atrás.

Você acabou de lançar uma linha de joias agender. Acredita que esta possibilidade de a moda transitar entre os gêneros é uma conquista de hoje?
Já desenhava uma coleção para homens e para mulheres até que, no ano passado, pedi para lançar produtos que pudessem ser para todos, fez sucesso e nesse ano fomos pelo mesmo caminho. Os tamanhos das peças mudam, mas elas podem atingir idades e gêneros diferentes. A moda traz muitas pistas sobre as mudanças sociais e este “embaralhamento” onde não cabe mais dizer “Isso é só de homem ou só de mulher” é o retrato de que em todas as áreas estes limites estão sendo discutidos. São fenômenos que surgem das ruas, de respostas dos homens as próprias limitações que sofrem. Sim, na mesma rua onde acontecem agressões, vemos o nascimento de grandes tendências que depois vão para as passarelas.

Que conselhos daria para o homem de hoje?
Evolua! Seja em casa, no trabalho, nas ruas, na sua posição política: saia da caixa, pense que todos têm os mesmos direitos. E haja assim também com você: permita-se.

Homem Brasileiro 2018
De 08 a 10 de agosto
Unibes Cultural
+ info: http://homembrasileiro.com.br/programacao/

Fonte oficial: GQ

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