Martine Rose e Craig Green revelam um novo momento da temporada de moda britânica – GQ

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Houve uma época em que os desfiles de moda masculina de Londres se apoiavam na herança de Savile Row para impulsioná-los como centro das atenções e dar-lhes mais credibilidade. Isso também aconteceu na época em que ninguém achou que os homens estivessem tão interessados em moda. Mas os tempos mudaram.

Agora não são mais os nomes tradicionais de Savile Row que se vêem no cronograma, mas sim os designers ousados que construíram um nome com suas próprias forças ao longo dos anos. Martine Rose e Craig Green são os melhores exemplos. Podem não ter décadas de estrada, mas ideias, criatividade e estética não faltam.

LONDON, ENGLAND - JUNE 09: A model walks the runway at the Martine Rose show during London Fashion Week Men's June 2019 on June 09, 2019 in London, England. (Photo by Tristan Fewings/BFC/Getty Images for BFC) (Foto: Getty Images for BFC)

Martine Rose é o tipo de peça pronta para vestir. É bater o olho e ter vontade de usar tudo. O toque vintage da marca, como as camisas polo e jaquetas jeans e de lã, tocam nossos corações à moda antiga e trzem um bocado de memória afetiva.

Nesta temporada, a coleção funcionou como pano de fundo para uma Londres dos anos 1980 – uma época em que a estilista se sentia mais livre e aberta, quando todos podiam ser quem eram de verdade. A nostalgia, tema das duas coleções anteriores, está segura em suas mãos. O mais inteligente sobre as roupas da marca é que são peças convincentes porque são reais.

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LONDON, ENGLAND - JUNE 09: A model walks the runway at the Martine Rose show during London Fashion Week Men's June 2019 on June 09, 2019 in London, England. (Photo by Tristan Fewings/BFC/Getty Images for BFC) (Foto: Getty Images for BFC)

Em contraste com Martine Rose temos Craig Green: conceitual, avant-garde, mas com uma popularidade inabalável. Ele sabe como diluir a moda em algo mais acessível e humano. Ultimamente, esta jornada tornou-se mais evidente em suas coleções – agora categorizadas por seções de peças similares ou não, mas oferecidas em diferentes cartelas de cores.

O desfile de verão 2020 começou parecendo que Green flertava com território de Rick Owens (o que teria sido interessante). Para aqueles que achavam que isso poderia ser assustador, o ritmo logo mudou, apresentando coletes e calças de tecnologia acolchoadas; uma linda série de ternos de pijama desfilada em lindas cores brilhantes, e depois vieram ponchos originais. Agora a razão dos aplausos: roupas de papel em tons neon e cortadas a laser. O designer criou algo mais elaborado e abriu um pouco mais seu repertório – o que é benéfico para um designer que, embora tenha inventado um visual inteligente, precisa tomar cuidado para não ficar estagnado.

LONDON, ENGLAND – JUNE 9: A model walks the runway at the Craig Green fashion show during London Fashion Week Men's June 2019 on June 8, 2019 in London, England. (Foto: WireImage)

É claro que não se deve ignorar a Savile Row. Mas da mesma maneira que a alta costura atua em seu próprio reino e em seus próprios termos, assim também acontece com a Savile Row. E agora, a semana de moda de Londres caminha com os próprios pés e cria uma nova cultura.

LONDON, ENGLAND – JUNE 9: A model walks the runway at the Craig Green fashion show during London Fashion Week Men's June 2019 on June 8, 2019 in London, England. (Foto: WireImage)

Fonte oficial: GQ

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