Mateus Solano e Luis Miranda dividem a cena em O Mistério de Irma Vap – GQ

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Mateus Solano e Luis Miranda sobem ao palcos de São Paulo no próximo dia 12 em O Mistério de Irma Vap, espetáculo de Charles Ludlam e Everett Quinton – que estreou originalmente no circuito Off-Broadway de Nova York em 1984 – dirigido por Jorge Farjalla. A dupla vive Lady Enid e Lord Edgar, personagens que ficaram conhecidos no Brasil pela montagem de Marília Pêra com Marco Nanini e Ney Latorraca – sucesso dos anos 80 e 90 que ficou em cartaz por 12 anos e trazia os dois artistas em uma troca frenética de figurinos e personagens – e reencenada em 2008 com Cássio Scapin e Marcelo Médici.

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Em nova adaptação que será apresentada no Teatro Porto Seguro, a história de Lady Enid (Solano), esposa do excêntrico Lord Edgar (Miranda), que precisa viver em uma mansão mal-assombrada agora é ambientada em um trem fantasma. “Usamos como referência filmes de terror como Pague para Entrar, Reze para Sair, de Tobe Hooper; Rebecca, de Alfred Hitchcock, e a estética dos anos 80. Mergulhamos também no universo do videoclipe de Thriller, de Michael Jackson, que foi dirigido por John Landis. A obra traz ainda tem várias citações de William Shakespeare, principalmente de Hamlet. Estamos desfragmentando todas as camadas do texto para ver o que está por trás dele e ressignificar a obra”, revela o encenador. 
Os atores conversaram com a GQ Brasil sobre o desafio de encenar terror – com doses de comédia – nos dias de hoje:

GQ Brasil: Como é estar em uma remontagem consagrada por Nanini e Ney?
Mateus Solano
: Não poderia dizer que é como estar em qualquer outra peça porque a montagem do Nanini e do Ney certamente cria uma aura de expectativa muito grande que é mais um desafio a vencer. Portanto, é uma alegria, mas também uma responsabilidade com a expectativa de quem assiste (e dos que assistiram a outra encenação).
Luis Miranda: Acho uma honra, até mesmo porque os considero dois artistas muito importantes por sua irreverência, por seus trabalhos na TV, no cinema e no teatro. E acho que é uma peça importante porque ela marcou uma época e volta agora para acentuar um novo tempo do teatro brasileiro. Um momento em que a gente está vivendo um processo difícil para a cultura. Há uma certa perseguição política por conta até de os artistas terem se envolvido muito nas últimas eleições – a gente teve aí o fechamento do Ministério da Cultura. Então é um espetáculo importante para gente trazer de volta o público ao teatro e cada vez valorizar mais a nossa cultura e as artes cênicas em um sentido bem amplo e geral. A gente aproveita o Irma Vap para fazer uma grande homenagem ao teatro, ao ator e mostrar que estamos aqui firmes e fortes para manter (com patrocínio ou sem, com Lei Rouanet ou sem) o nossos teatro vivo e funcionando.

GQ Brasil: O tema terror, mesmo carregado de humor, não é muito comum no teatro. O que os levou a este projeto?
Mateus Solano: A peça foi um convite dos produtores [Priscila Prade e Marco Griesi] que têm os direitos autorais comprados. Eles chamaram a todos nós [a mim, ao Luis Miranda e ao diretor Jorge Farjalla]. Esse tema “terrir” me agrada muito. Sempre gostei muito de ver peças desse gênero. Mas, sem dúvida, é raro.
Luis Miranda: O tema de terror é pouco visto no teatro brasileiro. Mas é um prato cheio para a comédia, inclusive para o público que vai ver um gênero de teatro que não está acostumado. Primeiro que estamos falando de Irma Vap, uma peça emblemática que fez sucesso com Nanini e Ney e já leva a muita curiosidade aos que viram e, principalmente, aos que não viram, mas que gostam de teatro. E o que me levou ao projeto? Primeiro a parceria com Mateus, que é um cara que adoro e admiro, e pelo Farjalla, que aprendi a conhecer e a respeitar o trabalho. A ideia de fazer o Irma Vap me agrada muito. Já tinha escrito há muitos anos um texto de humor nessa área do terror chamado Lady Vampeta e Combo que, inclusive, estreou antes do Irma Vap. Eu tinha 14 anos lá em Salvador. Eu até conto essa história no programa. 

Mateus Solano e Luis Miranda (Foto: Priscila Prade / Divulgação)

GQ Brasil: Vocês têm a expectativa de repetir o sucesso da primeira montagem? 
Mateus Solano: O teatro está um momento muito diferente do que vivia nas décadas de 80 e 90 quando a peça ficou 12 anos em cartaz com o mesmo elenco. Por isso, não tem como esperar tamanho sucesso. Seria o mesmo que esperar uma novela com Ibope estrondoso de Vale Tudo nos dias de hoje.
Luis Miranda: Sou um cara muito tranquilo com essa coisa do sucesso. Graças a Deus. participei muito tempo do Terça Insana e fiz minha peça. Sucesso ou não, o que a gente está fazendo é a coisa mais honesta possível: um teatro honesto, claro, limpo e que busca inovar. A gente não quis, e nem foi o desejo do Farjalla, fazer uma remontagem. É uma recriação de tudo, tanto que a gente adaptou para um trem fantasma. É um outro figurino, uma outra história… Ele fez a opção de fazer as trocas na frente do público e a gente tem um outro tipo de mecanismo para levar o público a entender a história.

O Mistério de Irma Vap
Teatro Porto Seguro, São Paulo
A partir de 12 de abril
Sextas, às 21h; sábados, às 18h e 21h; dom, às 16h e 19h

Fonte oficial: GQ

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