Matt Damon e Christian Bale revelam pensamentos sobre a perfeição no cinema – GQ

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Matt Daom (Foto: Fox)

A corrida para atingir os objetivos da vida é diária, mas para Matt Damon e Christian Bale ela tem um outro significado. No longa Ford vs. Ferrari, eles vivem Carroll Shelby (Damon), uma lenda do automobilismo e o único americano (até hoje) a vencer as 24 Horas de Le Mans, e o inglês Ken Miles (Bale), piloto e mecânico extraordinário. Apesar do filme ser baseado em fatos reais, ambos atores tiveram uma preparação intensa para iniciar as gravações. “Eu conversei com muitas pessoas que o conheciam socialmente – ele criou uma imagem e tanto em Los Angeles”, disse Damon sobre seu personagem.

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Dirigido por James Mangold, criador de Johnny & June, Os Indomáveis e Logan, o filme retrata a infortunada tentativa da Ford comprar a Ferrari e que, em 1966, consegue vencer a grande montadora italiana do cavalo negro nas 24 Horas de Le Mans, disputada no Circuit de la Sarthe, em França, uma das mais tradicionais corridas automobilísticas do mundo e a principal prova do Campeonato Mundial de Endurance da FIA.

Abaixo, Matt Damon e Christian Bale contam à GQ Brasil como foi a experiência nos bastidores e seus pensamentos sobre a perfeição no cinema:

GQ Brasil: O que vocês sabiam dos personagens antes de começar a gravar?

Christian Bale: Eu não sabia nada sobre ele e acho que provavelmente estou no mesmo barco que a maioria das pessoas. Ele é um herói desconhecido do automobilismo. Ele era um homem muito inglês, de Midlands, na Grã-Bretanha. Antes das corridas, ele era um militar, serviu em uma unidade de tanque. Ele estava lá, eu acho, dois dias antes ou depois do Dia D, depois atravessou a Europa. Ele estava lá quando eles libertaram Belsen. Então, ele se tornou um piloto absoluto, muito forte, incrivelmente apaixonado pelo o que fez. Dentro do circuito de automobilismo, você ouve muitas histórias sobre ele, sobre essa corrida em 66, mas todas eram novas para mim.

Matt Damon: Houve diferentes iterações deste [projeto] por cerca de 10 anos, então eu estava familiarizado com a história. Mas não foi até eu ler esta versão, com esse grupo de pessoas, como Jim [Mangold] e Christian, que me conquistaram. Então, eu realmente comecei a assistir documentários sobre Shelby e ler sobre ele. Eu conversei com muitas pessoas que o conheciam socialmente – ele criou uma imagem e tanto em Los Angeles. E assim: ele foi descrito para mim, por muitas pessoas, como um homem que poderia vender qualquer coisa para você.

GQ Brasil: Seu personagem, Matt, arrisca tudo por um amigo. Como vocês trabalharam para passar essa confiança para o público?

Matt Damon: Olha, ele é um dos melhores atores que eu já vi. Então, de certa forma, era muito fácil se relacionar com o que Shelby sentia por Miles, porque Shelby achava que Miles era o melhor engenheiro e motorista que ele já viu. Por isso, foi fácil. Com Christian, há um tipo de dedicação semelhante a de um monge que ele tem com seu trabalho. Para ele, você não precisava saber o quanto ele estava trabalhando ou o que estava desistindo ou quais eram os sacrifícios. Isso resume, realmente, essa tremenda dedicação ao seu trabalho. E Ken Miles também era assim. Miles não ficava choramingando. Ele era um cara muito sério sobre o que ele fazia. Christian compartilha muitas dessas qualidades. Ele é purista em muitos aspectos e muito sério sobre o que faz. Nesse sentido, não exigiu muita atuação minha!

GQ Brasil: Alguns dos filhos dos personagens que vocês viveram estavam no set das gravações, né?

Matt Damon: Sim, muitos deles estavam nos boxes. Eu acho que para eles, esse foi definitivamente um período em que eles estavam tendo um momento muito especial, emocionados ao lembrar dos pais deles, estando com eles de novo dessa maneira, sabe? Só para fazer isso … quero dizer, eu perdi meu pai há 18 meses e não consigo imaginar … vestir-se e interpretar seu pai em um filme … Parecia que aqueles caras estavam realmente gostando disso. Apreciando ter a chance de fazer isso. Foi muito especial assistir.


Ford vs. Ferrari (Foto: Fox)

GQ Brasil: Matt, você teve muita experiência dirigindo em filmes, mas não consegue fazer muita coisa aqui, com Shelby correndo pelos boxes e Miles fazendo toda a direção. A frustração disso ajudou você a entrar na mentalidade de Shelby?

Matt Damon: Isso absolutamente me ajudou a fazer isso, com certeza. Era doloroso para Shelby sentar lá e assistir todo mundo fazendo o que ele tanto amava. E acho que Jim fez um ótimo trabalho ao capturar isso no filme. O que eles conseguiram juntos foi incrível, mas isso estava longe de ser uma conclusão precipitada. Para Shelby, que é um homem cujos carros ainda são muito conhecidos hoje em dia, ele estava realmente prestes a desaparecer no esquecimento e ser apenas outro cara que tentava vender carros para as pessoas. Essa oportunidade foi uma chance única na vida de ambos.

GQ Brasil: De certa forma, este filme é sobre a busca pela perfeição. Você já conseguiu atingir isso?

Christian Bale: “Não estou nem perto. Mas não tenho certeza de que alcançar a perfeição seja realmente o objetivo, mesmo que possa parecer que esse é o objetivo. Eu sinto que, se você tentar alcançá-lo, é mais divertido, não é? Esse é o desafio. Você precisa de um desafio na vida que pareça insuperável para se manter animado. E então, é claro, há a pergunta: ‘O que é perfeição?’. Não é como o que eu faço é como uma corrida de carros, quando você conhece uma curva e não consegue fazer essa curva melhor. É mais abstrato do que isso. Eu acho que a perfeição seja totalmente inatingível, mas que a tentativa é o que nos traz a qualidade de nossas vidas.

Matt Damon: Eu acho que a perfeição é impossível – e isso também é bonito. Não é algo para se render, mas ao mesmo tempo não se sinta derrotado porque isso te deixaria louco. Ainda estou em busca do filme perfeito. E eu ainda amo fazer isso. E, você sabe, minha vida é muito diferente agora de quando eu comecei, então eu tenho muitas outras prioridades maravilhosas agora, e isso é ótimo. Não existe um plano perfeito profissionalmente. Ainda estou fazendo coisas que, na carreira, são apenas pontuais, apenas tentando fazer um ótimo filme a cada vez. E isso é tão difícil de fazer. É tão difícil fazer um bom filme, quanto mais um ótimo. E é muito, muito fácil fazer um ruim. Não estou pensando em nada mais grandioso do que isso. Apreciando essa jornada e tentando e cuidando tanto e obtendo mais sabedoria sobre o que você tanto ama … Quero dizer, acho que esse é o objetivo de tudo. Pelo menos é para mim, de qualquer maneira.


Matt Daom (Foto: Fox)

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Fonte oficial: GQ

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