Michael Wolff lança segundo livro sobre Trump e aposta: “Não acredito que será reeleito” – GQ

9

Michael Wolff (Foto: Divulgação)

No ano passado, o jornalista americano Michael Wolff lançou Fogo e Fúria (Objetiva), uma reportagem demolidora sobre os primeiros tempos do governo de Donald Trump. Agora, acaba de sair o segundo volume, O Cerco (Objetiva), em que os desastres e trapalhadas assustadores que marcaram o começo de Trump na Casa Branca aparecem de forma ainda mais perturbadora. O livro é tão bom que se devora como um romance.

Dessa vez, há uma novidade narrativa: Wolff se aproxima dos testemunhos maldosos e assustadoramente verossímeis de Steve Bannon, o mesmo vilão que ajudou o improvável candidato a conquistar o poder. Ocorre que Bannon saiu do governo, como aliás a maior parte da equipe que havia embarcado nele no primeiro ano.

O que se vê é uma nau cada vez mais sem rumo e um presidente cada vez mais isolado, repisando os próprios erros, remoendo as antigas crenças, como se ainda fosse o homem de negócios cheio de truques do passado. Trump, o empresário, cometeu inúmeras falcatruas ao longo do tempo e, segundo relatos dos entrevistados, ele ainda acredita ser intocável.


(Foto: Getty Images)

O governo Trump é uma história catastrófica de solidão e baixo nível. O maior mandatário do planeta só dá ouvidos a quem traz notícias que considera boas. Só se interessa por assuntos que não têm nada a ver com seu mandato e só aceita o próprio brilho diante das mídias – o que retrai e joga para as sombras seus assessores mais próximos. Ninguém pode aparecer mais do que o chefe; e ninguém parece saber o que anda pela cabeça dourada do homem mais poderoso da Terra. Michael Wolff respondeu a algumas perguntas da GQ Brasil sobre O Cerco.

GQ Brasil: O jornalismo está sob fogo cerrado no Brasil, e a verdade em todo o mundo também tem sofrido ataques. Livros como O Cerco ajudam na busca dessa verdade?
Michael Wolff: Os livros são singulares. Eles são escritos por uma pessoa, eles testemunham, eles oferecem um exemplo. Mas parte de sua virtude é que tendem a não participar de um esforço institucional. O jornalismo terá que resolver seus próprios problemas. Nós escritores trabalhamos por nós mesmos.

GQ Brasil: Steve Bannon ainda é a grande referência de seus escritos. Como ele e outras fontes continuaram a confiar em você depois da publicação de Fogo e Fúria?
Michael Wolff: Só posso supor que eles confiaram em mim porque reconheceram a imagem que ofereci em Fogo e Fúria. Eles viram uma representação precisa do mundo em que viviam. Quanto à minha confiança em Steve Bannon, seus pontos de vista e insights sobre a administração Trump provaram ser extraordinariamente precisos.

GQ Brasil: Na eleição de Jair Bolsonaro, Bannon desempenhou um papel fundamental no Brasil. O presidente já declarou seu amor por Trump. O que você pensa sobre isso?
Michael Wolff: Reconheço a crença de Bannon na revolução populista/nacionalista mundial sem acreditar pessoalmente que isso seja a solução ou o futuro. Essa é a sua revolta pessoal e filosófica contra o establishment. É a sua jornada e luta.

GQ Brasil: Com base no que ouviu e escreveu sobre o presidente dos Estados Unidos, acredita na sua possível reeleição?
Michael Wolff: Não acredito que será reeleito. Além das limitações de sua base política, que ele duplicou e não ampliou, Trump é incapaz de atender à natureza granular de uma campanha nacional, e igualmente incapaz de contratá-la com pessoas que são, a esse respeito, mais capazes do que ele.

GQ Brasil: Você e Donald Trump são nova-iorquinos, o que supõe que são pessoas acostumadas a encarar a vida de frente. Qual é o seu aprendizado sobre ele?
Michael Wolff: Nova York é o negócio de mídia; e a política é também o negócio de mídia. Portanto, nós, os nova-iorquinos, temos uma vantagem na política.

Leia também


Cancún, Miguel del Castillo | A terra inabitável, David Wallace-Wells | Máquinas como eu, Ian McEwan (Foto: divulgação)

1. Cancún, Miguel del Castillo. Paternidade e religião se misturam em uma história entre o Rio e o balneário mexicano que dá nome ao primeiro romance do carioca.
2. A terra inabitável, David Wallace-Wells. Descreve os problemas que enfrentaremos (muito em breve) em função do aquecimento global.
3. Máquinas como eu, Ian McEwan. Imagine que Alan Turing nunca se matou e vivemos rodeados por andróides nessa história recheada de conflitos éticos.

Acompanha tudo de GQ? Agora você pode ler as edições e matérias exclusivas no Globo Mais,o app com conteúdo para todos os momentos do seu dia. Baixe agora!

Gostou da nossa matéria? Clique aqui para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários