Miuccia Prada fala sobre blackface: “nossa resposta não pode ser superficial” – GQ

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Em dezembro do ano passado, a Prada tirou de circulação um adereço de US$ 550 responsável por um levante entre internautas americanos nas redes sociais. E não, não tem nada a ver com o preço. Trata-se de um item da linha de acessórios e pequenos brinquedos ‘Pradamalia’, cuja cor e lábios vermelhos remetem ao ‘blackface’ e a caricaturas que historicamente estiveram ligadas com a desumanização da população negra. Na época, a Prada notificou em comunicado: “A Prada Group nunca teve a intenção de ofender ninguém e abomina quaisquer formas de racismo e imagens ofensivas”.

“Intenção”, no entanto, não é ciência exata, ainda mais nas redes, e em particular na relação entre marcas e indivíduos. Em entrevista para o BoF, Miuccia Prada, estilista chefe da Prada, abordou o episódio com um enfoque em inteligência. “Estamos tentando reunir um grupo de pessoas relevantes, incluindo acadêmicos, para acertarmos o discurso de uma maneira científica”, diz Miuccia. “Nossa resposta não pode ser superficial, Você tem que encarar isso com seriedade, de froma que você esteja educando sobre as diferenças.”

“Estamos procurando em universidades, junto com as Nações Unidas e já estivemos fazendo isso com a Fondazione Prada no mundo da arte”, conclui a estilista, que aponta estar buscando uma injeção de diversidade na tomada de decisões da marca.

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O bonequinho não foi nem de longe o único escândalo do mundo da moda com imagens questionáveis. Vide o cordão de enforcamento da Burberry, ou o sweater de gola rolê da Gucci divulgado no começo deste mês, que, puxado sobre o rosto, simulava um blackface. É frequente, ainda mais em um momento que a indústria busca aproximação com a China e mercados emergentes. Durante a conversa, Miuccia ajuda a contextualizar o problema: “Já disse muitas vezes, a moda até as décadas de 70 e 80 servia a um grupo muito limitado de pessoas, em sua maioria brancas, católicas, europeias e norte americanas. Você sabia quem seus clientes eram, a sociedade era muito pequena.”

Fonte oficial: GQ

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