Modelo internacional, Leandro Lima diz a que veio como ator – GQ

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Nascido em João Pessoa, Leandro Lima já foi cantor de banda de axé e tem uma carreira sólida como modelo internacional, tendo emprestado a sua imagem para marcas como Versace, Calvin Klein e Christian Dior S.A. Mas agora ele se dedica mais ao terceiro ofício, o de ator. Prestes a estrear no cinema em “Velho Guerreiro” – filme de Andrucha Waddington que conta a história de Chacrinha e conta com Stepan Nercessian no papel principal – ele também está no elenco de “Coisa Mais Linda”, série brasileira da Netflix sobre o feminismo na década de 50 no Rio de Janeiro, cujo elenco ainda inclui Maria Casadevall, Pathy Dejesus, Mel Lisboa e Ícaro Silva. Para completar, Leandro é namorado de Flavia Lucini, modelo brasileira Angel da Victoria’s Secret. Confira o papo de Leandro para a GQ recheado de fotos exclusivas assinadas por Gustavo Zylbersztajn. 

Leandro Lima em ensaio exclusivo para a GQ (Foto: Gustavo Zylbersztajn)

GQ: Você já foi cantor em uma banda de axé. Essa experiência foi útil na hora de viver o pianista Queixada no filme?
Leandro Lima: Na minha participação no filme “Velho Guerreiro”, meu lado cantor não aparece, porém, o fato de ter cantado numa banda que rodou o Nordeste inteiro e fez shows em muitas cidades do interior, me trouxe uma vivência de músico nordestino bem interessante, que é a essência do personagem, pianista do interior de Pernambuco e grande amigo de Chacrinha.

GQ: Como foi fazer o filme com profissionais do naipe do diretor Andrucha Waddington e do ator Stepan Nercessian? O que você aprendeu com eles?
Leandro Lima: É sempre incrível trabalhar com profissionais competentes como eles. O Andrucha me surpreendeu muito com a liberdade que nos deu para criar. Com o Stepan, essa lenda viva, já havia contracenado como pai e filho no filme ‘Solteira Quase Surtando” e com ele aprendi que devemos “esquecer” tudo que aprendemos em escolas de interpretação e apenas deixar fluir. Outro presente do Velho Guerreiro foi o Edu Sterblitch, um grande amigo de quem sou fã e com quem nunca havia contracenado. Nos divertimos muito nos bastidores e tivemos crises e mais crises de riso.

Leandro Lima em ensaio exclusivo para a GQ (Foto: Gustavo Zylbersztajn)

GQ: Como surgiu o convite para estrelar a nova série da Netflix Coisa Mais Linda? Qual é o seu papel?
Leandro Lima: O processo de seleção de elenco da Renata Kalman para “Coisa Mais Linda” foi longo e difícil. Tivemos três reuniões e infinitos telefonemas, mas desde o início sabia que o Chico seria meu. Fico muito feliz quando colegas consagrados me abordam para parabenizar pelo papel e contam que também fizeram o teste. Foi um grande presente e tenho certeza de que o público vai amar a série.

GQ: A série fala de feminismo na década de 50. Hoje, em 2018, a questão do feminismo ainda está em pauta, com muito a avançar. Qual é a sua posição em relação a isso? Você mudou comportamentos que talvez não visse anteriormente como machistas? Tem prestado mais atenção nas suas atitudes em relação às mulheres em geral?
Leandro Lima: Acredito que os movimentos anti-opressão são absolutamente necessários, inclusive, sabemos que o Brasil demorou muito a despertar para essa consciência. Eu nasci e fui criado no Nordeste, em uma cultura extremamente machista e, mesmo que instintivamente, desde criança percebia que algo não estava certo. Após viajar para outros países e conhecer culturas mais desenvolvidas nesse contexto, sinto cada vez mais necessidade de mudanças na nossa sociedade majoritariamente patriarcal. Na minha opinião, já houveram avanços significativos, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

Leandro Lima em ensaio exclusivo para a GQ (Foto: Gustavo Zylbersztajn)

GQ: Como anda a sua carreira de modelo? Continua trabalhando?
Leandro Lima: A minha carreira de modelo sempre foi mais fora do Brasil e, hoje em dia, como tenho permanecido por aqui e com agenda sempre cheia, fica difícil conciliar. Cheguei a ir à NY e Itália para trabalhar nesse último ano, mas tenho deixado de fazer muitas coisas pela escolha de me dedicar à carreira artística no Brasil, embora os trabalhos que surgem sejam sempre muito bem-vindos. A exemplo disso, essas fotos do Gustavo Zylbersztajn, meu grande amigo e, na minha opinião, um dos melhores fotógrafos do mundo. É sempre um grande prazer fotografar com ele!

Leandro Lima em ensaio exclusivo para a GQ (Foto: Gustavo Zylbersztajn)

GQ: Você namora a Angel Flavia Lucini. É difícil ser namorado de Angel?
Leandro Lima: Essa é uma pergunta muito frequente e costumo responder com outra pergunta: “em que aspecto?” É difícil ser o companheiro de uma mulher lindíssima ou administrar a relação com uma mulher de personalidade muito forte? 
Bem, tenho um ciúme moderado, saudável, afinal se ela é livre e escolhe estar comigo, tenho a segurança de ser uma pessoa interessante para ela.
O segredo é deixar ela livre para ser o que é. Acredito que a combinação entre liberdade e amor é o melhor caminho sempre.

Leandro Lima em ensaio exclusivo para a GQ (Foto: Gustavo Zylbersztajn)

GQ: Vocês vivem em Nova York? Como fazem para estarem juntos com uma agenda tão atribulada e trabalhos em diferentes cantos do globo?
Leandro Lima: Acho que somos um caso raro de relacionamento à distância que tem dado certo. Estamos há anos vivendo entre Nova York e Brasil e conciliamos isso sendo sempre presentes um na vida um do outro, até nas mínimas coisas. Às vezes a Flavia me liga para perguntar onde fica o restaurante que tem o hambúrguer vegetariano que eu adoro ou eu ligo no meio da tarde para pedir uma opinião ou simplesmente para dizer que a amo. Às vezes é bem difícil lidar com a saudade, mas temos a consciência de que nenhum dos dois é responsável por impedir que a carreira do outro se desenvolva. Acredito que isso sim é amor: abrir mão do próprio desejo, para ajudar o outro a se sentir realizado. Só alguém feliz pode fazer outra pessoa feliz.

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Fonte oficial: GQ

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