Morre Elio Berhanyer, um mestre da alta-costura espanhola – GQ

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Elio Berhanyer dedicou a sua vida a impor seu estilo austero, elegante, em peças de alta-costura. Aos 89 anos, ele se despediu do mundo nesta quinta-feira (24) com orgulho de ter sido responsável, assim como Cristobal Balenciaga, Manuel Pertegaz e Jesus del Pozo, por fazer a moda espanhola se tornar objeto de cobiça e admiração em todo o mundo.

O trabalho com a moda surgiu relativamente tarde em sua vida. Nascido na cidade de Córdoba, na Andaluzia, em 20 de fevereiro de 1929, ele só começou a sua carreira aos 27 anos de idade, quando abriu a sua casa de costura na capital espanhola, Madrid. Já na inauguração ele apresenta a primeira das suas mais de 100 coleções exclusivas.

Os marcos na sua carreira foram diversos. Entre as autoridades, vestiu a duquesa de Alba e a condessa de Romanones. Também foi responsável pelas vestimentas de divas clássicas de Hollywood, como Ava Gardner e Cyd Charisse. Mas, como não lhe faltava repertório, criou até mesmo os uniformes usados na Copa do Mundo de 1982, realizada em seu país.

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“Eu nunca tive clientes, mas amigos”, disse certa vez, negando o seu status de estilista requisitado. Com linhas geométricas e cores vívidas como características, foi pioneiro ao mesclar coleções masculinas e femininas em um mesmo desfile. Recusou muitos convites para deixar a Espanha – inclusive por Balenciaga, quando este estava locado em Paris -, pois só se sentia à vontade para criar em seu país.

Em 2010, Elio Berhanyer precisou fechar o seu ateliê em Madrid devido à crise financeira e passou a viver de homenagens e do dinheiro arrecadado com seus trabalhos, incluindo o mais popular deles: os uniformes usados pelos funcionários da companhia aérea Iberia. Em 2011, ganhou o Prêmio Nacional de Design de Moda, sua medalha mais importante.

Confimada pelo ministério da Cultura espanhol, a morte de Berhanyer não teve as causas divulgadas. Pelo seu modo de ser, retratado em não tão frequentes entrevistas, sabe-se que o estilista sempre se manteve tranquilo quanto a duração do seu legado. “As marcas não morrem, os designers morrem”, disse certa vez, como lembra o El País.

 Elio Berhanyer como convidado de desfile realizado em 2017 (Foto: Getty Images)

 

Fonte oficial: GQ

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