No ar em ‘Carcereiros’ e ‘Divino Amor’, Mariana Nunes defende a diversidade nas telas – GQ

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Mariana Nunes: “Receber muitos ‘nãos’ faz parte da carreira de todo ator ou atriz e pode ser um grande aprendizado para a vida” (Foto: Adriano Reis / Divulgação)

Mariana Nunes está na série Carcereiros, da Globo, como Janaína, e se prepara para viver personagem (A Gislaine) que escolhe a prostituição para sustentar a família em Segunda Chamada, de Joana Jabace. Nos cinemas, pode ser vista em Divino Amor, filme de Gabriel Mascaro sobre um Brasil do futuro tomado pela fé, e até 2020 estreia em mais 7 longas. Leia o bate-papo completo com a atriz:

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GQ Brasil: Você sempre pensou em investir no cinema? E em séries?
Mariana Nunes: Cursei faculdade de interpretação teatral em Brasília e, nessa época, fiz muito teatro. Meu desejo sempre foi fazer televisão, mas foi o cinema que acabou acontecendo mais para mim. E a linguagem e as equipes das séries que tenho feito são mais próximas do cinema do que das novelas. Como sou mais vista como uma atriz de cinema, acabo sendo mais convidada para as séries do que para os folhetins.

GQ Brasil: Você trabalhou com algumas diretoras como a Lucrécia Martel e a Joana Jabace. São poucas mulheres no audiovisual (se comparadas ao número de homens). O que acha disso?
GQ Brasil: Lamento o número pequeno de mulheres no audiovisual. É claro que nós estamos lá, que existimos nesses espaços, mas o número de mulheres em algumas funções mais específicas como a fotografia e direção, por exemplo, é bem menor. Falando de mulheres negras então, o número é quase zero! É importante termos mais mulheres nos cargos de chefia, nos cargos de escolhas decisivas para uma produção (escolhas técnicas e artísticas). Mas, além das mulheres, falta uma maior diversidade de pessoas ocupando essas funções. Isso é também sobre a pequena presença de pessoas de diferentes culturas, origens e formações. Ainda temos uma homogeneidade de gênero, raça e classe muito presente na tétrade básica de uma produção: roteiristas, produtorxs, diretorxs e diretorxs de fotografia. Essa diversidade só acrescentaria e pluralizaria os processos e, consequentemente, os resultados das produções audiovisuais.

Mariana Nunes fala sobre a falta de diversidade nas telas: “A maioria dos bandidos nas produções do audiovisual é feita por atores negros ou, ao contrário disso, a maioria das mocinhas que vemos são feitas por atrizes brancas” (Foto: Adriano Reis / Divulgação)

GQ Brasil: Você está em Divino Amor, do Gabriel Mascaro, um longa sobre um futuro distópico evangélico. O que a atraiu para este projeto?
GQ Brasil: Divino Amor é um filme desses raros que consegue despertar sentimentos diversos em quem assiste por se tratar de uma ficção que apresenta elementos atuais que qualquer espectador no Brasil facilmente identifica. O filme, que coloca questões sobre religião e Estado, mas principalmente sobre fé, acompanha um personagem que tem uma fé inabalável e, com isso, alcança a sua maior graça. Mas será que estamos mesmo preparados para receber o que pedimos? Quando li o roteiro, achei muito interessante, bom mesmo! A conversa com o Mascaro foi fundamental para eu aceitar esse convite porque pude entender como se daria a relação dele com os atores e com as cenas, tudo sempre muito respeitoso. Mas o ponto mais importante foi o elenco – Gabriel me deixou muito segura em relação à escalação feita pelo produtor Gabriel Domingues. Essa foi a minha maior preocupação. Era extremamente importante que um filme provocador como esse não tivesse suas ações concentradas em personagens com uma mesma característica física como, em geral, acontece na maioria das obras que assistimos. Um exemplo disso é que grande parte dos bandidos nas produções do audiovisual é feita por atores negros ou, ao contrário disso, a maioria das mocinhas que vemos são feitas por atrizes brancas. Ou ainda nas cenas de sexo que costumamos ver, os corpos mais expostos, em geral, são os femininos e por aí vai.

GQ Brasil: O que pode adiantar de Segunda Chamada? Como está sendo sua preparação para viver a Gislaine?
Mariana Nunes: A Gislaine ainda é uma caixinha de surpresas. No processo de Segunda Chamada, a construção do meu personagem também tem se dado durante as filmagens, nos ensaios e na passagem das marcas de cena (ali mesmo, antes do ação). É nesse momento que tenho trocado muito com a Joana e chegamos a emoções que, muitas vezes, não tinha nem imaginado. Essa troca tem sido muito rica para a criação da Gislaine que é aluna de uma escola do EJA (ensino para jovens e adultos) em São Paulo e quer se formar em medicina.

GQ Brasil: Você fala sobre a sua carreira ser permeada por muitos “nãos”…
Mariana Nunes: Receber muitos “nãos” faz parte da carreira de todo ator ou atriz e pode ser um grande aprendizado para a vida, não só a profissional como a pessoal. Os “nãos” podem ensinar muito. Há pouco tempo ouvi de um artista a seguinte frase: “O fracasso dá caráter para o ator”. 

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Fonte oficial: GQ

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