No Dia Internacional da Mulher, Fafá de Belém admite: “A ditadura da beleza é a que mais nos maltrata” – GQ

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“É a voz da mulher que nos embala na barriga, nos embala no peito e que está sempre presente”, comenta Fafá de Belém sobre os timbres femininos que acompanham a nossa vida (e a nossa música). A cantora, que encerrou recentemente a turnê Guitarradas ao Vivo (a qual rodou o país com clássicos de sua trajetória e canções de seu álbum mais recente, Do Tamanho Certo para o meu Sorriso), neste ano será uma estrelas do Pará Pop – show que tomará o palco Sunset do Rock In Rio com Dona Onete, Gaby Amarantos, Lucas Estrela e Jaloo.

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Dona de uma gargalhada única – que usa para driblar o tempo ruim – ela conversou com a GQ Brasil no Dia Internacional da Mulher. Celebrando 40 anos de carreira, Fafá relembra o início de tudo, quando sofreu preconceito por não estar nos padrões de beleza aceitos na TV. “A pior ditadura, a mais violenta, é essa do corpo”, salienta. Já por ser um timbre feminino no meio musical, ela é direta: “A voz da mulher é a voz das multidões”. 

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Leia trechos da conversa da artista:

As mulheres na música
“O Brasil é um país de cantoras, disso a gente não pode reclamar. Desde sempre, a voz da mulher é a voz das multidões, vamos dizer assim. Não sei como era antes, mas em casa sempre ouvi mulheres com suas várias nuances – as americanas, as mais populares, as mais sofisticadas. Se olharmos lá para traz, teve Orlando Silva, Orlando Dias, João Gilberto, mas muito aliado ao fato de eles também serem compositores. E a mulher cada vez mais se coloca como compositora hoje [veja 10 nomes da nova música autoral brasileira]. E o que eu acho mais inusitado são as bandas de mulheres que estão ganhando espaço.”

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Fafá de Belém (Foto: Divulgação)

Sobre o início de carreira
“Já me perguntaram se sofri muito preconceito por ser mulher quando vim de Belém. ‘Não’. Sofri preconceito por não ter as medidas ideais e não ser o corpo perfeito. A primeira pessoa que foi me contratar, em 1975, disse que para eu aparecer na TV tinha que emagrecer 10 quilos. Respondi: ‘Sou cantora, não sou vedete’. Infelizmente, a ditadura da estética é a que mais nos maltrata em qualquer lugar. A pior ditadura, a mais violenta, é essa do corpo. Temos que ter um padrão [de beleza] nórdico. Sofri mais por isso, mas como tenho temperamento… [Risos] …mais difícil de ser domado, me acho bonita e boto minhas pernas de fora. Nunca me rendi e sou do meu jeito, enfrentando os preconceitos com uma gargalhada e passando batido. Livre.” [Gargalhada]

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Fafá de Belém (Foto: Divulgação)

Aceitação do corpo feminino
“Existe um movimento de aceitação. Mas ou é plus size ou seca. A mulher que fica entre uma coisa e outra, com seus vários biotipos, ainda não está ‘classificada’. Esta é uma luta que temos que lutar primeiro dentro da gente, de se aceitar, e não ser o manequim 36 que não tem a ver, por exemplo, com a mulher do Norte e do Nordeste. A gente tem coxa, bunda, cintura, peito. E é feliz.”

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Fonte oficial: GQ

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