Nos 15 anos do ouro em Atenas, campeões do vôlei lembram ‘ansiedade’, ‘união’ e ‘egos de lado’ – GQ

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O inesquecível ouro do vôlei masculino brasileiro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, marcou uma das gerações mais vitoriosas do esporte brasileiro (Foto: Getty Images / Adam Pretty)

Não que precisemos explicar por que um ouro olímpico é importante, mas esse de fato teve peso. Em 29 de agosto de 2004 a seleção masculina de vôlei do Brasil voltava a conquistar a medalha dourada. Foram três ciclos desde Barcelona até que, nos jogos de Atenas, nós consegúissemos voltar a ficar no topo do pódio. Desde então, o Brasil nunca mais deixou de disputar uma final em olimpíadas – e levou o ouro novamente nos jogos do Rio, em 2016. A conquista marcou a reafirmação do Brasil como gigante olímpico e o início de um dos ciclos mais vitoriosos da história do esporte brasileiro.

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Aproveitando o aniversário de 15 anos daquele título, conversamos com três de seus protagonistas, André Heller, André Nascimento e Maurício Lima, para entender o tamanho daquela medalha. Veja como foi o papo.

GQ Brasil – O que vocês estavam sentindo há exatos 15 anos, naquele 29 de agosto de 2004?

Maurício Lima – Queríamos logo entrar em quadra. Era a grande decisão olímpica e queríamos confirmar que éramos a melhor seleção daquele ciclo.

André Heller – O sentimento era mesmo de muita convicção no trabalho que havia sido feito em todo o processo de preparação para chegar naquela final. Não só a preparação física, técnica e tática, mas sobretudo no que se refere à dedicação, capacitação e engajamento durante quatro anos visando o propósito que tínhamos: sermos campeões olímpicos.

André Nascimento – Nossa, foi uma ansiedade muito grande para começar logo o jogo (risos). E depois um sentimento de objetivo cumprido. Ainda nem tínhamos noção da dimensão do que havíamos conquistado. Inesquecível!


Giba, André Heller e André Nascimento bloqueiam durante a final contra a Itália, nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 (Foto: Getty Images / Alexander Hassenstein)

GQ Brasil – Cada um consegue dizer qual foi o seu momento individual mais marcante naquela campanha olímpica?

André Heller – Foram quatro longos anos de muito trabalho e doação. Meu propósito era fazer parte daquela grande equipe, porém o caminho era longo e complexo. O que ficou marcado, para mim, é a clareza que tinha do que eu gostaria de realizar: servir aquele time. Tudo acabou acontecendo como fora planejado (risos).

André Nascimento – Era tudo novo para mim. Estar na Vila Olímpica, encontrar atletas de várias modalidades e todos num mesmo ambiente. Foi fantástico! Dava para sentir a emoção de cada um deles.

Maurício Lima – O meu momento marcante era quanto tinha que entrar durante o jogo e segurar o ritmo alto da seleção (risos). 

GQ Brasil – E qual foi o momento coletivo mais importante daquele grupo?

André Heller – Depois de anos e anos nos preparando e condicionando para aquela grande final, acho que o momento mais importante daquele grupo se resume ao fato de termos chegado em Atenas com a percepção de que havíamos construído uma verdadeira equipe, uma família. E que somente juntos, nos completando e complementando, conseguiríamos alcançar o nosso sonho mais importante. E assim foi feito…

André Nascimeno – Acho que foi a nossa união ali dentro da Vila, fazíamos tudo sempre juntos e foi assim até o final.

Maurício Lima – A seleção é o coletivo, que consequentemente é o ponto mais forte. Os 12 estavam preparados para a guerra.


“Os 12 estavam preparados para a guerra”, lembra Maurício Lima sobre o inesquecível ouro do vôlei masculino brasileiro nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004 (Foto: Getty Images / Adam Pretty)

GQ Brasil – Qual o tamanho do legado daquele time?

Maurício Lima – Eu e Giovane já tínhamos sido campeões olímpicos em Barcelnoa em 1992, então acho que o grande legado que trouxemos desde lá foi o trabalho em equipe.

André Nascimento – O legado que ficou foi de uma grande equipe que conquistou tudo com muito trabalho, muita união, respeito e que deixou de lado todos os egos. Verdadeiramente foi uma equipe que dependia um do outro.

André Heller – O legado transcende todas a vitórias, conquistas e medalhas. O que nossa geração deixou diz respeito ao processo de excelência e cultura colaborativa pelo qual passamos. Provamos que a excelência, na verdade, é o que fazemos repetidamente todos os dias. E que juntos, entendendo que as diferenças individuais podem ser na verdade uma força, podemos conquistar qualquer meta, objetivo ou sonho!

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Fonte oficial: GQ

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