Nos EUA, a ‘uberização’ pode significar salários menores para motoristas – GQ

4

A chamada gig economy é disruptiva não apenas no que toca a maneira de fazer negócios, mas também na forma que relações de trabalho são desenhadas ao redor do mundo. E com cinco anos de dados sobre o assunto, um novo estudo da agência de pesquisa JPMorgan Chase sugere um ônus e tanto: se ganha menos sendo motorista de apps de carona e entregas em 2018 do que em 2013. Nos EUA, a pesquisa aponta que um trabalhador da categoria perdeu em média 53% da renda, indo de US$1.469 ao mês para US$783.

Por que isso acontece? A JPMorgan sugere algumas respostas: motoristas estão trabalhando turnos menores, talvez, ou preços de viagens e taxas pagas ao trabalhador podem estar em queda.

Mas essa diminuição salarial conversa com outro dado: há muito motorista de app rodando nas estradas americanas. A fatia da população trabalhando em servições ‘uberizados’ subiu de 2% em 2013 para 5% em 2018 – é a mesma proporção que, por exemplo, o funcionalismo público emprega no pais. Apenas em participação no setor de transportes da gig economy, estamos falando de 2,4% dos americanos este ano – há cinco anos essa parcela era uma fração de porcento.

A pergunta aí é se a demanda escalou junto com a oferta. Um problema maior se você considerar que cidades como Nova York, Toronto e Victoria, na Austrália, estão enfrentando dilemas logísticos com números crescentes de motoristas usuários de apps – entre as questões em pauta estão o trânsito e a segurança pública.

+ SP terá mais de 20 mil bikes para pegar, usar e deixar onde você quiser
+ Brasil integra estratégia de inovação da Uber
+ BMW lança serviço para competir com o Uber nos EUA

Para o Recode, um porta-voz da Uber sugeriu ainda outra maneira de observar os dados. Segundo comunicado para o site: “As descobertas do estudo reforçam o que nós e muitos outros já abordamos há muito tempo: o crescimento do trabalho on-demand é movido em grande parte por pessoas que usam plataformas como o Uber como fonte de renda paralela. Dado a crescente parcela de usuários ocasionais do app, uma métrica mais apropriada seria se focar no ganho médio por hora, que se manteve constante com o tempo”.

O Uber calcula que 50% dos motoristas dirigem uma média de 10 horas por semana. Uber e Lyft, então, não sugerem necessariamente uma carreira tradicional, mas sim um ganha-pão por fora para quem é incapaz de se sustentar apenas com um salário – o que torna a medida do fenômeno algo mais difícil que a norma. Depende muito de como se encara o que exatamente é a gig economy: a JPMorgan trabalha com qualquer serviço que seja mediado por plataforma online, enquanto o ministério do trabalho americano geralmente inclui trabalho freelance e feito por contrato na mistura. Neste último cálculo, por exemplo, até 40% da população americana pode fazer parte da ‘uberização’.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários