Nova loja em SP quer te fazer se importar com smoothies – GQ

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O dia 25 de dezembro de 2018 foi a abertura oficial da SMUV, novo empreendimento de alimentação saudável nos Jardins. Pleno Natal. A esta altura, pesquisa de mercado já havia sido realizada, o cardápio montado, e a equipe recrutada. A única dor de cabeça recorrente eram as reformas necessárias para fazer o espaço na rua Bela Cintra funcionar. “Elas estavam atrasadas, terminaram só no dia 24”, comenta Lourenço Bustani, um dos sócios do negócio. “Tudo que queríamos era abrir”, brinca. E foi o que fizeram, pelo menos pela duração de uma única jornada de trabalho: a loja fechou para o recesso no dia seguinte, para retornar apenas no dia 7 de janeiro. Iniciar logo a parada era pura questão de orgulho.

Ou talvez não. Lourenço, que contava essa história enquanto mistura frutas e grãos para um dos smoothies que serve no local, fala como um homem em uma missão. Ou ao menos a versão yogi de um. “As pessoas estão doentes, desconectadas com a natureza”, conta Lourenço para a GQ Brasil. “Elas estão com uma série de transtornos, estão se alimentando mal, correndo contra o tempo, deprimidas e medicadas e não estão convivendo em harmonia.”

Lourenço e um grupo de sócios colecionam três anos de rotina saudável super ativa, incluindo pesquisas e vivências no ramo dos super alimentos – “ricos em minerais, vitaminas, aminoácidos e antioxidantes”, explica o empresário. O objetivo de trabalhar com comida foi claro desde quando a ideia surgiu, em uma viagem para Ibiza. “Com o alimento você se conecta à terra, com a origem”, diz Lourenço.

SMUV (Foto: Divulgação)

E por que o smoothie? Para Lourenço, o doce (a grosso modo, um misto de sorvete e frozen yogurt) é um atalho atrativo e aprendizado para comer melhor. O destaque é “o efeito bioquímico que esses super alimentos proporcionam no organismo”, nas palavras do empresário. 

Entre os ingredientes, estão itens orgânicos e veganos que prezam tanto pelo sabor quanto pela eficiência e sustentabilidade. É o caso do camu camu, servido em um dos preparos da casa: “É uma planta amazônica, uma das maiores fontes de vitamina C do mundo, mais do que acerola”, aponta Lourenço. A fécula de mandioca, por sua vez, se transforma na liga que compõe o copo biodegradável – e comestível – do smoothie.

Boa parte do know how a respeito dos preparos vem de Zak Tyler, natural de Portland, que trabalhava com o mercado financeiro antes de integrar o negócio de seus amigos. Zak se rotula “viciado em notícias e novidades no mundo de saúde” desde criança, e depois de deixar para trás sua vida como diretor comercial para a América Latina na Western Union, passou 4 meses viajando entre Indonésia, Tailândia, Califórnia e Nova York entendendo o smoothie. “Ele é uma ferramenta excelente para as pessoas começarem a se alimentar melhor no dia-a-dia”, explica Zak. Um exemplo está no Green Goddess, outro dos itens do cardápio da SMUV: “Ele tem duas folhas enormes de couve cruas e uma colher de spirulina, que é uma alga bem amarga. Seria muito difícil você parar no café da manhã e comer uma folha de couve, mas quando você mistura com frutas, com manga, tâmaras, vira um sorvete delicioso.”

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O espaço de dois andares ocupado pela loja foi desenhado com a ajuda da arquiteta holandesa Janet Vollebregt, amiga deles de viagens para a Chapada dos Veadeiros; A ideia é ser um espaço “neutro, com uma beleza simples”, diz Lourenço. Na decoração, tapetes persas usados, comprados em leilões online, cadeiras de vime e mobília esculpida de árvores derrubadas pelas chuvas fortes do verão paulistano. A loja abriga também um estúdio de ioga cuja agenda inclui 20 aulas semanais e 7 modalidades de atividades, além de spas para a saúde mental e terapias corporais.

SMUV (Foto: Divulgação)

Com um mês de vida e contando, o break even do negócio chegou antes do imaginado. “Digamos que a gente está, numa média, vendendo 3 ou 4 vezes mais do que previmos”, diz Lourenço. “Só neste último final de semana a gente vendeu 225 smoothies”, comemora. 

“Havia sim uma demanda reprimida por alimentação saudável, havia sim uma vontade das pessoas conciliarem indulgência com saúde”, conclui Lourenço. “O desafio é que o paladar brasileiro, ele é muito adoçado. Então quando as pessoas vêem uma imagem de um smoothie, imediatamente remetem ao universo do sorvete. E o universo do sorvete é o universo da indulgência, você abre mão da saúde em função de um prazer”, conclui.

Fonte oficial: GQ

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