O apartamento de Felipe Diniz é uma obra de arte em luz natural – GQ

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Planta baixa Felipe Diniz na sala de casa com obra de Vik Muniz e poltrona dos Irmãos Campana (Foto: Christian Maldonado)

Nada é impossível para o arquiteto Felipe Diniz, principalmente quando se trata do seu próprio apartamento. Há oito anos, ele comprou o imóvel nos Jardins, uma cobertura duplex. Depois de dois anos de aprovação e quatro de reforma, o duplex virou triplex, com uma parte da laje do prédio transformada em pátio com churrasqueira e sala de ginástica.

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No lugar das tão odiadas janelas basculantes da cozinha, foi colocada uma grande de vidro que ocupa toda a parede, alterando a fachada do prédio. “Fui na prefeitura e consegui mudar, regularizei tudo”, conta ele, como se o feito fosse a coisa mais simples do mundo.

A sala de estar que gira em torno do sofá de veludo vermelho. (Foto: Christian Maldonado)

O apartamento dos anos 1970 onde morava um casal de velhinhos, todo dividido em cômodos, escuro e cheio de paredes – uma delas fechando uma janela! – e corredores, ganhou o bem mais precioso para uma casa: luz. Isso sem contar com a vista 360 graus, que dá para o Jardim Europa, Av. Paulista e Parque do Ibirapuera. “Eu tirei muita parede e o problema é descer tudo o que você quebra, o entulho. O pessoal do prédio foi muito legal comigo, porque eu inviabilizei o elevador. Combinei de só usar em uma determinada hora do dia”, agradece.

Para Felipe, uma das coisas de que mais gosta no prédio – fora os moradores legais – é a discrição. Nada da opulência de colunas, halls de mármore com pés-direitos altíssimos, seguranças e manobristas de terno preto tão comuns no mesmo bairro. O prédio, que fica nos fundos do terreno e dá para uma rua sem saída, não tem piscina, quadra poliesportiva ou qualquer pirotecnia dos novos condomínios. Só um hall discreto, mas elegante, na entrada.

A bancada de mármore é iluminada pela grande janela que foi aberta na cozinha. À dir., as fotos de personalidades como Catherine Deneuve em P&B (Foto: Christian Maldonado)

De cara, vê-se o amor do morador por arte. Uma grande foto com copas de árvores da Floresta Amazônica, de Claudia Jaguaribe, emoldura a mesa de jantar de design italiano contemporâneo, depois nos deparamos com um Dudi Maia Rosa, uma gravura de Andy Warhol, um Vik Muniz da série feita com chocolate líquido pendurado acima de uma poltrona dos Irmãos Campana superexclusiva – só existem 12 do mesmo modelo no Brasil – e por aí vai… A foto de Marina Abramović foi um presente da artista, “ela me deu quando veio para o baile da amfAR”, fundação de combate à Aids que tem Felipe e seu irmão Dinho Diniz como anfitriões. O baile acontece na casa de Dinho, cujo projeto é de Felipe. A primeira edição foi na antiga casa dele.

Vejo uma série de fotos em preto e branco de Catherine Deneuve, Jackie Onassis e Freddie Mercury e pergunto: “São de quem?”. “Eu não sei, sabia? Fui comprando porque achei legais”. Esse é o espírito da coisa, ou melhor, da casa, “gosto de misturar tudo”. Neste “tudo” está a coleção incrível de vasos e cinzeiros de Murano, peças de todas as escolas, desde o Déco até o modernismo brasileiro, e grandes pedras de diferentes formas e cores com funções bem específicas: “Essa aqui é da cura, essa do amor e essa aqui limpa as outras quando estão carregadas. Eu não tenho religião, mas em energia eu acredito”.

Patuá de Julia Gastin e obra de Sandro Akel. (Foto: Christian Maldonado)

Entre os móveis, um dos preferidos é o sofá vermelho de veludo da sala de estar, feito sob encomenda na Ochre em Londres. “Gosto muito de cor. Essa sala é toda no vermelho, a outra é toda azul, outra rosa. Eu acho que a mistura de cores entrega bastante que é uma casa de arquiteto, é difícil as pessoas fazerem algo tão colorido”, explica ele, que assina a nova casa do chef Henrique Fogaça e acaba de ganhar da JHSF um lote inteiro na Fazenda Boa Vista para projetar.

É atrás do sofá vermelho que fica a mesa de jogos modernista, uma das diversões com amigos que sempre aparecem, “aqui toda hora tem jogatina”, além de cozinhar e, claro, aproveitar a bela piscina da cobertura cercada por espreguiçadeiras azul-turquesa, onde antes havia uma banheira jacuzzi solitária no canto. Não à toa, quando lhe pergunto o que não pode faltar na casa, ele não precisa pensar muito: “Bebida, vinho – vinho com certeza –, cerveja, velas… sou louco por cheiros… meus filhos e amigos”.

À esq., sala de TV que dá para a área da piscina (à dir.). (Foto: Christian Maldonado)

Um grande coração de tricô sobre azulejos antigos chama a atenção pelo lugar de destaque (centralizado em um nicho acima da TV) entre tantas outras obras importantes. “Minha irmã Carola fez para mim, ela diz que sou coração livre.”

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Fonte oficial: GQ

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