“O design, a arquitetura e o urbanismo são essenciais na construção de um mundo melhor”, reconhece Leonardo Finotti – GQ

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“Passarela #01”, de 2006 (Foto: Leonardo Finotti / Divulgação)

O fotógrafo e artista visual Leonardo Finotti apresenta 20 obras que registram a interação entre a Bauhaus, a escola alemã de arte e design, e expoentes do modernismo brasileiro – como Lina Bo Bardi, Vilanova Artigas, Burle Marx, Oscar Niemeyer e Paulo Mendes da Rocha – na exposição Sotaques Paulistanos da Bauhaus.

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A mostra, derivada de duas séries dele – “Brutiful” e “Urbanometria”, produzidas entre 2006 e 2018 – acontece na Casa Modernista em São Paulo (do arquiteto Gregori Warchavchik) e conta com expografia de Michelle Jean de Castro em harmonia com o projeto arquitetônico do local (datado de 1927). “O diálogo entre os espaços da primeira construção modernista no Brasil e os registros de alguns exemplares da arquitetura de ‘inspiração bauhausiana’ possibilita uma imersão poética singular que potencializa a percepção de conceitos e princípios do programa da escola presentes na paisagem paulistana”, afirma Marcos Cartum, diretor do Departamento de Museus Municipais, que gere a construção de Warchavchik. 
Leia o bate-papo na íntegra de Leonardo Finotti com a GQ Brasil:

GQ Brasil: Focando nos sotaques paulistanos da Bauhaus, você diria que o Brasil criou um estilo próprio de arquitetura neste diálogo?
Leonardo Finotti: A Bauhaus faz parte do movimento moderno na arquitetura e o Modernismo Brasileiro é um dos mais importantes a nível mundial. Tanto é que o MoMA de Nova Iorque já dedicou três exposições sobre o tema: Brazil Builds (1943), Latin American Architecture since 1945 (1954) e Latin American in Construction: Architecture. 1955-1980 (2015), esta última tive o enorme prazer em ser escolhido pelo museu para fotografar toda a América Latina para a exposição.

“Marquise #02”, de 2012 (Foto: Leonardo Finotti / Divulgação)

GQ Brasil: Você também encontra esta relação bauhausiana em outras cidades brasileiras?
Leonardo Finotti: No fundo a questão bauhausiana é muito mais trazer o design de qualidade para o dia a dia das pessoas e pensar como os projetos podem ser feitos em escala. Este conceito parte tanto de um momento importante de industrialização dos anos 1920 quanto da necessidade de reconstrução do pós-guerra. No Brasil, o Modernismo aproveitou-se tanto desta mão de obra qualificada que fugiu das guerras quanto da liberdade de um país jovem em construção com um clima com menos restrições (isolamento térmico, sísmicas etc).

GQ Brasil: Ao começar estas séries, o que chamou sua atenção nas obras dos arquitetos?
Leonardo Finotti: Essas séries “Brutiful” e “Urbanometria” são um recorte dos últimos 13 anos da minha carreira. A palavra “Brutiful” é uma brincadeira com as palavras Brutalismo + Beautiful. Muitas vezes, a arquitetura brutalista é associada a algo feio e não à verdade dos materiais (sem revestimentos) a qual possibilitou que arquitetos paulistas construíssem uma verdadeira escola nos anos 1960-1970. Já Urbanometria seria a minha busca geométrica na cidade onde consigo construir literalmente um universo paralelo, neste caso para a exposição na Casa Modernista – são 20 obras de referência na cidade de São Paulo.

GQ Brasil: A Bauhaus completou 100 anos em 2019. Você vê a influência desta escola também nos criadores contemporâneos? 
Leonardo Finotti: Vejo muito mais referência ao Modernismo Brasileiro do que a própria Bauhaus. O exercício de entender o passado é uma ferramenta muito potente no pensar a contemporaneidade e o futuro. O design, a arquitetura e o urbanismo são essenciais na construção de um mundo melhor e a fotografia é um excelente meio para construir nossa memória.

Leonardo Finotti: “O exercício de entender o passado é uma ferramenta muito potente no pensar a contemporaneidade e o futuro” (Foto: Divulgação)

Sotaques Paulistanos da Bauhaus, de Leonardo Finotti
Local: Casa Modernista (Rua Santa Cruz, 325, Vila Mariana)
Abertura: 17/08/2019, das 14h às 16h
De 17/08/2019 a 29/03/2020. De ter. a dom., das 9h às 17h
Entrada franca (serviço educativo disponível)
 

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Fonte oficial: GQ

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