O guia definitivo para entender ‘Death Stranding’ – GQ

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Death Stranding (Foto: Divulgação)

Norman Reedus (de The Walking Dead) precisa salvar a América realizando entregas que vão de pizzas a restos humanos, enquanto é acossado por figuras fantasmágoricas e um cenário apocalíptico onde aparentemente só as celebridades sobrevivem. Ajudando em sua saga estão um bebê in vitro que ele carrega contra o peito e um cantil tecnológico que opera o milagre de transformar água em bebida energética.

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Pronto. Este é o resumo engraçadinho de Death Stranding, jogo que chega nesta sexta-feira (8) ao PlayStation 4. Mas ele é um desserviço a um título que vai, a sua maneira, dominar o debate gamer neste fim de ano. Trocando em miúdos, se você tem um amigo que curte videogames, certamente vai encarar uma hora ou outra o desafio de conversar a respeito de Death Stranding.

E não se engane: é mesmo um desafio. É duro até se manter atento a todos estes 7 minutos do trailer de lançamento sem perder o fio da meada:

Por isso, vamos atacar Death Stranding parte por parte, para quem mesmo que não jogue games entenda. A começar, claro, pelo nome por trás de tudo:

Quem é Hideo Kojima?


Hideo Kojima (Foto: Future via Getty Images)

Desde 1998, com o lançamento de Metal Gear Solid para o PlayStation original, o game designer Hideo Kojima é um dos principais nomes quando o assunto é juntar games e cinema num só pacote. No clássico de ação furtivo, o jogador (no comando do protagonistas Solid Snake) interagia com uma porção de personagens memoráveis, construídos com tino de storyteller e dublagem de qualidade, tanto através da jogabilidade quanto de cenas não-interativas, que pontuavam o vai-e-vem narrativo da trama.

Era um jogo engenhoso, pronto para brincar com expectativas do jogador: um dos personagens em certo ponto releva que a solução de um dilema está no próprio encarte de papel que acompanha o game. A capacidade do PlayStation em ler o conteúdo de um cartão de memória é transformado no game nos poderes psíquicos de um ex-agente da KGB que ‘sabe’ exatamente o que Solid Snake gosta de jogar.

Metal Gear Solid não foi o primeiro game da série, mas definiu o que seria um legado de outras cinco sequências diretas e um grupo variado de spin-offs. Muitos dos quais ótimos games, mas também terrivelmente escritos – uma realidade sobre Kojima é que seus arroubos criativos são fascinantes na medida que você ignora alguns grandes problemas de tema e roteiro, então fique avisado.

Hideo Kojima, desde então catapultado ao status de um auteur, na verdade se formou como economista e alimentava a ambição de ser um diretor de cinema, algo que vinha desde sua juventude em Osaka. O desejo de entrar na indústria de games japonesa, então em franca expansão nos anos 80, não demorou a surgir. Assim como a oportunidade: em 1986, Kojima foi recrutado como planejador e designer para a divisão de computadores domésticos MSX da fabricante Konami, empresa que foi seu lar por 30 anos.

Por que ‘Death Stranding’ é tão importante?


Death Stranding (Foto: Divulgação)

Tudo tem a ver com uma briga corporativa, lá em 2015. Naquela época, o desenvolvimento custoso, complicado e demorado de Metal Gear Solid V havia minado a relação entre Hideo Kojima (também cansado da série que o tornou famoso) e a Konami, resultando no desligamento do designer.

Pouco tempo depois, em 2016, o anúncio inicial de Death Stranding surgiu para cimentar a separação. Ele é, em resumo, o primeiro projeto autônomo de Hideo Kojima desde Boktai em 2003, desta vez sob seu próprio estúdio: a Kojima Productions. (Boa parte do financiamento para seu novo jogo vem da Sony, mas acredita-se que a gigante japonesa teve pouquíssima influência no processo criativo)

Além disso, tem o famigerado Playable Teaser, hoje alvo de adoração entre fãs do horror. Este foi a primeira demonstração jogável do game que seria Silent Hills, uma colaboração entre Kojima, o ator Norman Reedus e o diretor Guillermo del Toro. Para todos os efeitos, o projeto foi cancelado e a demo já não existe mais, deletada da PlayStation Store após o episódio Kojima/Konami. Death Stranding, então, é a única forma de ver a energia criativo deste trio ser canalizada novamente.

O que você faz em Death Stranding?


Death Stranding (Foto: Divulgação)

Você é Sam Bridges, personagem vivido por Norman Reedus. O grosso do jogo envolve pegar carga e levá-la para algum lugar. Geralmente você faz isso à pé, cruzando um terreno belo mas perigoso. O desafio é saber quanta carga levar, como instalá-la em sua mochila e depois navegar cuidadosamente o caminho até seu destino. Death Stranding é um jogo de simulação detalhada apaixonado por trilhas: pedras podem te fazer tropeçar e danificar seu equipamento, rios podem levar sua carga longe e seu salto é insuficiente para vencer precipícios muito largos. Mesmo no controle de motos ou caminhões, é preciso ficar de olho em baterias limitadas e obstáculos variados.

Nem tudo é mero pé no chão. Certas áreas são dominadas por rebeldes ladrões de carga (que te perseguem e, bem, roubam tuas coisas) e pelo o que o jogo chama de BTs (ou “beached things”). Eles são seres invisíveis flutuantes e extremamente perigosos que se manifestam em zonas tomadas por uma chuva que envelhece tudo o que toca. O bebê que o personagem leva para lá e para cá (chamado BB, ou “bridge baby”), assim como boa parte de seu equipamento, é o que faz Sam Bridges capaz de enxergá-los. Enfrentar os BTs cara a cara é má ideia, então é preciso evitá-los. Nada de correr, nem de respirar, próximo deles.

Além de ser um entregador futurista, parte da graça de Death Stranding está em construir estruturas (como pontes, estradas e baterias) e compartilhá-las com outros jogadores online. O que você constrói – e onde – é transmitido direto para o jogo de outras pessoas.

Então ele é tipo o quê?


Death Stranding (Foto: Divulgação)

Não há exatamente um gênero simples e limpinho para colocar Death Stranding. Então vamos listar 3 referências úteis:

Red Dead Redemption 2 | O jogo de caubóis da Rockstar é um bom ponto de partida para entender como é ter Death Stranding nas mãos. Se você jogou e viu como cada interação com o ambiente é hiper detalhada – abrir gavetas individuais de uma cômoda, limpar a carcaça de um animal, folhear um catálogo em uma loja de roupas, ser derrubado do cavalo por causa de um galho – já está a meio caminho andado.

Filhos da Esperança | Assim como Death Stranding, o filme estrelado por Clive Owen é uma história sobre empatia ambientada após o fim do mundo.

Depois de um evento cataclísmico (o ‘Death Stranding’ do título), boa parte da população mundial é eliminada e as barreiras entre vida e morte perdem um pouco do bom e velho vigor. Os Estados Unidos se tornam um agrupado de pequenas comunidades ilhadas uma das outras. Um grupo de ativistas, do qual Sam faz parte, busca reatar a conexão entre elas e formar um novo país.

O final de Metal Gear Solid 2 | A comparação com o filme acima ajuda também a entender o ambiente dark (e decididamente europeu) que o jogar vai cruzar no jogo. Mas é o final de MGS2 que vai te dar uma boa ideia do que esperar do tom da trama (pelo menos em suas primeiras horas).

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Fonte oficial: GQ

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