“O homem pode ser mais afetuoso. Mas isso só é possível se a mulher abrir espaço”, diz Mário Queiroz – GQ

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Mário Queiroz: “Se não houver dentro da sociedade mulheres que entendam que os homens podem ser o que quiserem, nada vai acontecer” (Foto: Divulgação)

GQ Brasil: São cinco anos do Homem Brasileiro. Quais as principais mudanças no comportamento masculino até aqui?
Mário Queiroz: Vejo uma diversidade, uma diversificação maior do conceito do que é ser homem no Brasil hoje. Apesar dessa onda de conservadorismo no mundo, percebo discussões – em meios em que isso não era comum – sobre este novo papel do homem; há o surgimento de grupos de autoajuda nas redes sociais; noto também eles buscando homens ou a ajuda de outros profissionais para que entendam como se colocar em uma sociedade na qual as mulheres passaram a ter um papel diferente. O cenário é outro. Não sei se houve evoluções de o homem se liberar do machismo, por exemplo. Mas já se fala mais sobre isso.

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GQ Brasil: Esta mudança dos homens, esta abertura do pensamento deles, tem a ver com a da mulher?
Mário Queiroz: Com certeza. Não tenho dúvida disso. Quando se fala de espaço para a mulher, isso envolve o homem e a mulher. Se não houver dentro da sociedade mulheres que entendam que os homens podem ser o que quiserem, nada vai acontecer. Porque elas já têm o resultado disso durou muito tempo. Os homens foram resistentes – e muitos deles ainda são  – a que elas sejam colocadas em pé de igualdade. Quando se fala que o homem pode ser mais vaidoso, mais afetuoso, mais sentimental, isso só é possível se a mulher também abrir espaço.

GQ Brasil: Existe este homem brasileiro único?
Mário Queiroz: O evento está no singular, mas sim, estamos falando de um superplural. A possibilidade de desenvolver edições fora de São Paulo – em Santa Catarina e Ceará – nos deu a dimensão de que discussões sobre sexualidade, representação de gênero, paternidade, violência são comuns e pertinentes. É claro que estando em São Paulo a gente sente a pluralidade mais latente nas ruas. Assim como, por exemplo, estando aqui a gente vê que continua combatendo o machismo.

ESPM – 26 e 27 de agosto
Masculinidades: comunicação, design e consumo
Unibes Cultural – 28 de Agosto
Masculinidades e sociedade: afeto e violência
Centro Cultural São Paulo – 29 de agosto
Masculinidades: gênero e sexualidade

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Fonte oficial: GQ

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