O Japão enfrenta uma seca e tanto de uísque – GQ – GQ

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“Vai demorar um bom tempo até que podemos retomar a venda dos produtos”. Esta frase soturna faz parte de um comunicado da marca de uísques japonesa Suntory – é, aquela de Encontros e Desencontros – divulgado nesta terça-feira (15). A companhia vai cancelar por tempo indeterminado a venda de seu Hakushu 12 anos e do Hibiki 17 anos até o fim do ano em resposta à crescente demanda de maltes japoneses – parte de uma revolução que transformou o oriente no point da bebida.

Trocando em miúdos, o mercado japonês do uísque permaneceu pequeno e local até 2008, quando um surto de coquetéis feitos em base da bebida, em particular o highball, começaram a dominar bares ao redor do país. Em 2015, foi a vez do primeiro uísque japonês ser eleito como melhor do mundo por Jim Murray – autor do Whisky Bible, referência na bebida. Daí, foi natural ele ganhar notoriedade global.

Detalhe de cartaz da Suntory em Tóquio: motivos demais para sorrir (Foto: Getty Images)

O volume comercializado no Japão ano passado, segundo o jornal Nikkei, foi de 160 mil m³, um aumento de 9% sobre 2016 e mais do dobro do alcançado em 2008. E muito dessa produção deixa o país. Segundo a Forbes, a importação do uísque japonês chegou a crescer 1.300% em cinco anos – entre 2016 e 2011.

No entanto, destilarias e fabricantes como a Suntory foram um tanto conservadoras quando o assunto foi prever a dimensão da demanda. Considerando que a gigante oriental trabalha com dados de uma década de idade, projetados na época da destilação da bebida, dá para entender o problema.

Para a Suntory, o resultado é um congelamento das operações de venda e o investimento de 18 bilhões de yen na expansão de caves nas prefeituras de Yamanashi e Shiga, além de reformar destilarias em Yamanashi e Osaka. Para as cerca de 18 destilarias atualmente produzindo uísque no país, os não envelhecidos podem ajudar a mitigar o problema. Já para os nossos amigos japoneses fãs do uísque, isso significa ir atrás de alguns importados escoceses e canadenses, que vêm invadindo o país nos últimos tempos.

Fonte oficial: GQ

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