O que é a condromalácia patelar, a doença sem cura do ginasta Arthur Nory (e muitos outros) – GQ

20

Arthur Nory finaliza um dos movimentos que lhe renderam três medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Lima, um ouro e duas pratas; O ginasta sofre com a condromalácia paterlar, doença comum entre atletas profissionais e amadores (Foto: Getty Images / Ezra Shaw)

Arthur Nory sabe a dor e a delícia de ganhar três medalhas nos Jogos Pan-Americanos de Lima 2019. Literalmente, já que ele sofre de uma doença sem cura chamada condromalácia patelar, um desgaste na cartilagem do joelho que é muito mais comum do que aparenta – principalmente em corredores de rua.

+ Eu, robô: a medicina está próxima de criar super-humanos
+ Fuja da WhatsAppinite: a síndrome dos viciados em celular
+ Obrigado, ciência: Exercícios físicos estão ficando mais eficazes que remédios

Silenciosa, a doença só provoca incômodo quando o quadro já está avançado. “A condromalácia existe quando há um amolecimento anormal da cartilagem articular da patela e é muito difícil os atletas e pacientes se queixarem de dor logo no início, já que a cartilagem não possui terminações nervosas”, explica Flávio Cruz, ortopedista especializado em cirurgia do joelho, traumatologia e lesões esportivas.

Segundo o médico, na maioria dos casos a dor surge nos graus mais elevados de desgaste articular, quando já há perda da cartilagem e exposição do osso subcondral. “Muitas vezes os pacientes sentem um incômodo maior na parte anterior do joelho ao agachar, correr ou praticar exercício”, explica. “A dor também pode aparecer em situações cotidianas, como ao se levantar da cadeira, assistir um filme no cinema e descer escadas. Pode haver inchaço no joelho, e sensação de crepitação local ao dobrar e esticar o joelho”, continua.

O que causa

As causas são múltiplas e podem estar associadas. No caso de atletas e praticantes de atividades físicas, alguns distúrbios mecânicos do joelho, como um aumento da pressão entre a patela e o fêmur durante o movimento de flexão e extensão, podem ocasionar o desgaste da cartilagem. Leia-se: se você se movimentar errado, cuidado com o joelho.

Fatores anatômicos, neuromusculares e hormonais também podem facilitar o aparecimento da doença. As mulheres, por exemplo, têm maior incidência a sofrer com a condromalácia por conta do formato do joelho. Sobrepeso e obesidade também são fatores que podem aumentar o risco da doença.

Arthur Nory e Caio Souza comemoram a dobradinha brasileira no pódio da final masculina individual de ginástica, ao lado do canadense Cory Paterson (Foto: Getty Images / Ezra Shaw)

Como tratar

A má notícia é que não há cura, mas a boa é que há tratamento. “É sempre melhor optar pelo tratamento não cirúrgico no início do quadro”, recomenda Cruz. De acordo com o médico, a combinação de analgésicos e anti-inflamatórios com compressas de gelo local e fisioterapia podem ajudar a amenizar a dor. Após o alívio, a recomendação é fortalecimento muscular nos membros inferiores, alongamento das estruturas posteriores do joelho, treinamento neuromuscular e correção dos movimentos.

“Em alguns casos, pode ser indicado a injeção de medicações anti-inflamatórias dentro do joelho, assim como aplicação de ácido hialurônico, com o objetivo de hidratar e lubrificar a articulação. Mas vale sempre lembrar que o objetivo do tratamento não é a cura da lesão, já que a cartilagem tem um potencial de reparo muito baixo, e sim o controle do quadro de desgaste e do processo inflamatório, aliviando a dor e o desgaste”. Para o especialista, só em casos mais graves a artroscopia do joelho é recomendada.

Como prevenir

A principal orientação aos atletas e praticantes de atividade física é a prevenção da lesão ou da piora acelerada do quadro de desgaste da cartilagem. “Antes de iniciar qualquer tipo de treinamento mais vigoroso, como treinos longos, é fundamental fazer fortalecimento muscular desde o tronco e incluindo quadril, joelhos e tornozelos”, aconselha Cruz. “Ao menor sinal de dor na região anterior do joelho durante corridas ou exercícios, diminua o treino e busque avaliação de um especialista”, completa.

O médico informa que pode ser necessária a realização de exames de imagem (raio-X e ressonância) para identificar a lesão. Alguns testes como isocinético, baropodometria e avaliação biomecânica em 3D da corrida também podem ajudar a identificar possíveis alterações nos joelhos. O controle de carga nos treinamentos é fundamental, com aumento gradual dos treinos tanto no volume quanto na intensidade, evitando exercícios de alto impacto no joelho.

No dia a dia, as recomendações para quem já sente algum incômodo são evitar subir e descer escadas e não manter o joelho flexionado em 90° por muito tempo. “Atenção ao peso corporal nos casos de sobrepeso associado ao desgaste articular também é fundamental para não agravar o quadro”, conclui o médico.

Acompanha tudo de GQ? Agora você pode ler as edições e matérias exclusivas no Globo Mais,o app com conteúdo para todos os momentos do seu dia. Baixe agora!

Gostou da nossa matéria? Clique aqui para assinar a nossa newsletter e receba mais conteúdos.

Fonte oficial: GQ

​Os textos, informações e opiniões publicados neste espaço são de total responsabilidade do(a) autor(a). Logo, não correspondem, necessariamente, ao ponto de vista do Sixth Sense.

Comentários