O que faz um bom whiskey? Master distiller da Jack Daniel’s conta as singularidades da bebida – GQ

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Jeff Arnett, master distiller da Jack Daniel's (Foto: Wesley Allen)

Ser master distiller da Jack Daniel’s não é pra qualquer um. O cargo, um dos mais cobiçados do mundo, requer um nível de maestria altíssimo para manter o selo de qualidade da destilaria. E poucas pessoas podem dizer que chegaram lá. Uma delas é Jeff Arnett. Ele ocupa uma posição em que poucos tiveram oportunidade de estar em mais de 150 anos de empresa. Apenas cinco gerações o separam de Jasper Newton Daniel, conhecido como Mr. Jack, criador da Jack Daniel’s, whiskey americano.

Arnett cresceu no Tennessee e entrou na empresa como gerente de controle de qualidade do rótulo Single Barrel, um dos seis carros-chefes da marca, que conta ainda com o Old nº7, Gentleman Jack, Honey, Fire e Apple Jack, novo sabor que acabou de entrar para a lista (lançado, por enquanto, apenas nos Estados Unidos). O Single Barrel segue como favorito de Arnett até hoje, servido com uma pedra de gelo.

Na empresa há quase 20 anos, ocupando o cargo atual há 11, ele é responsável por supervisionar os processos de produção de todos os rótulos do início ao fim. E quando não está viajando pelo mundo – Arnett já visitou 41 países, “serão 43 até o final da primavera, quando embarco para Tanzânia e Quênia”, diz – ele passa seus dias na pacata cidade de Lynchburg, onde até hoje está localizada a destilaria da marca e onde todos os produtos são feitos – em grande parte por conta da proximidade com a fonte de água.


Todos os rótulos da Jack Daniel's: Fire, Honey, Old nº7, Gentleman Jack e Single Barrel (da esq. para dir.) (Foto: Divulgação)

Não é exagero dizer que centenas de segredos estão por trás do que faz Jack Daniel’s um dos melhores whiskies do mundo. Talvez o mais importante de todos seja o barril. É daí que sai a cor caramelizada clássica da bebida. Foi por isso que a destilaria tomou a decisão de não ser apenas fabricante do destilado, mas também dos próprios barris. “O líquido que entra no barril é transparente como a água. Todo o resto se desenvolve naturalmente, as notas, os aromas e o visual”, conta Arnett.

E acredite: mais da metade do sabor que você sente na bebida está diretamente ligado a essa etapa. Todo whiskey americano que você conhece usa a técnica de carbonizar os barris Mas uma das marcas registradas (e patenteada) da Jack Daniel’s é o processo de tostar. Esse método usa o calor e o tempo em vés da combustão. Arnett explica que é a mesma lógica do  marshmallow na fogueira. Quando você coloca o doce por cima do fogo e o torra devagar, o resultado do açúcar queimado é mais realçado do que quando colocado diretamente na chama. Tempo e clima também influenciam na criação de um bom whiskey.

O padrão de amadurecimento da bebida americana pode variar para mais, com um líquido mais escuro e amargo, ou para menos, mais doce e claro. Deixar o whiskey esquecido dentro de um barril não o tornará melhor, avisa o master distiller. “Existe um limite de tempo pra ele ficar bom, ganhar cor, gosto e complexidade, e às vezes você estraga esse equilíbrio”, explica Arnett. Não existe uma tecnologia que indique quando a bebida está pronta, e por isso Arnett conta com um time dentro da empresa (incluindo ele mesmo) que tem como principal missão provar cada lote para ter certeza de que nada está fora do normal.

Mas, tal qual discutir o que é belo, entender o que faz um bom whiskey leva a caminhos sem respostas. cada parte de seu processo interfere diretamente no resultado final. Diferentemente da vodca, por exemplo, que sempre terá as mesmas características não importa de onde venha, Arnett gosta de pensar no whiskey como uma arte centenária, o que significa que diversas culturas já tiveram oportunidade de moldá-lo e interferir na sua receita por meios de produção (Jack Daniel’s leva milho em sua composição) ou por meios naturais (climas quentes ou frios também alteram o resultado final).

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Por isso você ouve constantemente sobre suas variações, como, por exemplo, o whiskey escocês (scotch), whiskey japonês, whiskey canadense, bourbon e o Tennessee Whiskey, marca registrada deles, que além de sua água, grãos, barril e clima ainda passa por outro processo que o diferencia. “Jack Daniel’s é único pelo fato de que nós usamos charcoal mellow – suavização em carvão vegetal – e isso nos torna Tennessee Whiskey e não bourbon”, diz Arnett, que de forma despreocupada revela o que pode ser a resposta para entender a bebida: nenhum whiskey jamais será como outro.

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Fonte oficial: GQ

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