O que Samuel Rosa aprendeu com o filho músico Juliano Alvarenga? – GQ

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“Estou até repensando minha trajetória como artista. Quem sabe ter uma banda paralela ao Skank”, diz Samuel Rosa. A declaração do músico, com mais de 25 anos na estrada, se deve ao fato de ele estar revivendo e repensando o início de sua própria carreira acompanhando a do seu filho, Juliano Alvarenga, que lançou o disco “Charles” com seu grupo, o Daparte, em 2018. “Comecei a frequentar novamente o circuito alternativo de Belo Horizonte”, adianta. Veja o que mais ele aprendeu com o primogênito sobre o mercado musical de hoje:

Sobre o mercado fonográfico atual
Samuel afirma: “O Juliano mudou totalmente a minha visão. Do mesmo jeito que abri o mundo para ele, agora ele abre um para mim. Banda nova em 2018 é muito diferente do que era em 1992 [quando o Skank lançou o primeiro disco, homônimo, de forma independente]. Vejo a batalha deles, as novas plataformas, o Spotify [saiba como os artistas estão se beneficiando da tecnologia para lançar suas canções]. Fora isso, existe uma outra maneira de tentar inserir o trabalho em um contexto cheio de estímulos. Vibro com esta redescoberta. Porque tem menos compromisso com o mercado fonográfico formal – de precisar estourar, tocar no rádio. As gravadoras, hoje, ficam olhando quem tem uma cena, quem tem público. Ou nem precisa de gravadora, é outra história. E comecei a frequentar novamente o circuito alternativo de Belo Horizonte. Estou até repensando minha trajetória como artista. Quem sabe ter uma banda paralela ao Skank, por exemplo? ”.

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Sobre lançar singles em vez de CD
“Um conselho interessante que posso dar para o meu pai é o tentar aderir às novidades. Uma coisa que a Anitta [nova jurada do The Voice México] faz, por exemplo, é lançar singles sem um CD. O disco está sumindo e as pessoas começaram a disponibilizar as músicas de 4 em 4 meses, tentando pegar um público jovem. Por isso, acredito que esta divulgação de ‘Os Três Primeiros’ vai ser interessante porque o Skank está com duas inéditas que são muito boas. São singles que podem tocar na rádio sem álbum”, comenta Juliano Alvarenga.

Sobre a nova turnê do Skank
Samuel reforça: “Juliano falou do nosso show: ‘Pai, está muito grande e é muito para iniciados no Skank. Vocês estão tocando o lado B do B de 1993. Pensei: “Você tem razão. Então conversei com a banda e demos uma enxugadinha. A gente acabou mexendo e funcionou”.

Sobre levar a vida de forma mais leve
“O Juliano vem me ensinando muito. O mais importante, além do carinho e do amor, é um certo relaxamento maior com a vida que eu preciso ter. O Ju é mais: ‘Pai, está preocupado demais’. Sempre fui muito de antever tudo. A maior parte do tempo a gente quer evitar o sofrimento do filho. Mas lembro de algo que eu li e que falava – não adianta o pai passar o ensinamento, os filhos devem tentar, nada vai ser mais efetivo quanto a própria experiência de se estrepar, se dar bem… ‘Não joga bola na chuva que você vai gripar’. Ele vai precisar jogar. Este relaxamento com a vida, uma certa tranquilidade com a coisas que acontecerão, vem dele. Tem que ser um filho para falar, ou um amigo muito íntimo para mandar você pegar leve. Este lado eu aprendo com ele. E o lado carinhoso também. O Juliano é muito carinhoso; e eu sou cheio de reservas, mais seco. Ele me patrulha. Você tem este lado de empatia, que é bonito [ele fala para o filho que estava junto nesta entrevista para a GQ Brasil]. Você é assim desde pequeno, até aprendeu a se anestesiar para não carregar as dores do mundo. Agora já está mais mauzinho”, brinca Samuel Rosa.

Fonte oficial: GQ

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