Os dilemas paternos mais comuns nas sessões de terapia – parte 2 – GQ

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O site Huffington Post teve acesso as maiores preocupações paternas levadas às sessões de terapia. Fomos a fundo, e procuramos uma especialista, a Rita Calegari, psicóloga da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, para ajudar os pais que se identificam com cada um desses diemas.

Já falamos aqui de alguns deles. Depois de ler, sente-se no divã e confira a seguir o que diz Calegari.

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“A paternidade está colocando uma pressão sobre o meu relacionamento com minha parceira ou parceiro”

Quando o casal passa a ser uma família com a chegada dos filhos, toda rotina se transforma. Há ganhos diversos, mas há uma série de ajustes que precisam ser realizados nas três rotinas: do casal, da família e da pessoa. Não é fácil.

A pressão deve ser encarada como inerente a essa importante transformação social do casal, que assumiu em conjunto a responsabilidade da paternidade. Obviamente, por mais que uma pessoa tenha noção desta responsabilidade, vivê-la é bem diferente.

O recomendado é que durante a gestação ou preparação da adoção, o casal busque conversar com outros casais que passaram pela mesma situação: amigos, familiares e até mesmo grupos de apoio que possam compartilhar suas dificuldades e como enfrentaram a situação.

Especialmente nas relações entre homem e mulher, alguns homens tem dificuldades reais em apoiar as mães de seus filhos, ficam confusos quando a mulher disponível e carinhosa, que muitas vezes o colocava no centro das suas atenções, passa, em razão de  uma necessidade real, a colocar o bebê em primeiro plano. O que exige do homem um reajuste, uma participação diferente na rotina da casa e do casal. (Você já viu isso aqui.)

A mulher não vai estar na melhor das formas por causa do pós-parto, vai sentir dores e vai ter menos tempo disponível para cuidar de si. Isso pode desanimar alguns homens nos primeiros meses da chegada do bebê, despertando a sensação de que “perderam” sua companheira. Mas se eles forem capazes de compreender o momento pelo qual elas passam e forem mais pacientes em relação a suas necessidades, poderão desenvolver um nível de relacionamento muito positivo e, com certeza, recuperar os momentos prazerosos que o casal vivia (acreditem, a maioria das mulheres também anseia por isso!).

É importante ainda entender essa “pressão”. Do que se trata? O que ela revela? Como pensar num plano de ação para que o relacionamento saia dessa possível crise mais fortalecido? Para ter êxito, o primeiro passo é conversar (e conversar não significa colocar a pressão do seu problema na outra pessoa) e assumir a parte que lhe cabe.

“Estou preocupado, pois estou me perdendo”

Essa é a frase de quem está naturalmente sobrecarregado com a nova atividade de ser pai – e não raramente em sofrimento psíquico intenso.

Há casos de despersonalização e rupturas psíquicas deflagradas com a paternidade. O segredo é: esses problemas já estavam latentes e com essa grande transformação foram revelados. Ou seja, é preciso procurar ajuda médica. 

“Estou tão preocupado o tempo todo. Eu não era assim antes”

Isso pode ser um sinal positivo de amadurecimento. Obviamente, é importante avaliar se essa preocupação não reflete um estado de ansiedade, que deve ser tratado. Um profissional de saúde mental (psicólogo ou psiquiatra) pode ajudar a identificar se as preocupações são positivas ou estão atrapalhando mais que ajudando.

Fonte oficial: GQ

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