‘Os estereótipos só existem em filmes sem profundidade’, diz Édgar Ramírez – GQ

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Édgar Ramírez (Foto: Getty Images)

Nascido na Venezuela, Édgar Ramírez é cidadão do mundo. O ator de 42 anos já morou na Áustria, Canadá, França, Peru e Colômbia – seu pai era militar, por isso viveu em tantos lugares diferentes. Atualmente, mora em Los Angeles. Jornalista de formação, ganhou fama ao interpretar Carlos, o Chacal, na minissérie de mesmo nome, em 2010. De lá para cá, a carreira de Ramirez só tem crescido. A partir do próximo dia 16, ele poderá ser visto nas telas brasileiras em Wasp Network, de Olivier Assayas, que abre a 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

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O filme, baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria, do brasileiro Fernando Morais, concorreu ao Leão de Ouro no Festival de Veneza, e tem ainda Penélope Cruz, Gael García Bernal, Wagner Moura e Leonardo Sbaraglia no elenco. “É um grande filme, e tenho muito orgulho de participar dele”, disse Ramírez, em entrevista exclusiva à GQ Brasil durante o Festival de Veneza.


Ramírez, ao lado de Wagner Moura em ‘Wasp Network’ (Foto: Divulgação)

Wasp Network conta a história real de espiões cubanos nos Estados Unidos e revela os tentáculos de uma rede terrorista na Flórida, com ramificações na América Central e com o consentimento do governo americano. O longa é uma produção da RT Features, do brasileiro Rodrigo Teixeira. Para Ramírez, embora o filme seja ambientado em um passado recente, é bastante atual. “O que é muito interessante neste filme é essa tensão contínua entre Cuba e os Estados Unidos. Ainda está acontecendo e não parece que vai parar tão cedo. Então uma das coisas mais importantes para mim, durante esse projeto, foi tentar fazer um exame cuidadoso desses indivíduos como seres humanos, e não como caricaturas do bem e do mal, como normalmente são vistos os espiões.”


Ramírez em ‘Wasp Network’ (Foto: Divulgação)

Ele conta que uma das razões para participar do filme foi a abordagem humana do livro de Fernando Morais, seguida fielmente pelo diretor e roteirista francês Olivier Assayas. “Mostrar essas pessoas como seres humanos, para mim, foi muito interessante. Acho que o espião, como arquétipo, é o exercício final de uma personalidade dividida. É como se você se tornasse outra pessoa todos os dias, algo parecido com o que os atores fazem. Mas os atores fazem isso em um contexto fictício, e para os espiões é tudo real, com consequências reais e devastadoras para suas vidas pessoais. Então, para nós como atores, foi muito interessante explorar isso”.

Na contramão de artistas latinos que consideram Hollywood um clichê para quem fala espanhol, ele só vê possibilidades positivas por causa de sua origem. “Como falo vários idiomas, tenho essa facilidade de fazer personagens em diversas línguas. Mas nunca achei que ser latino limitaria meu trabalho. Os estereótipos só existem em filmes sem profundidade.

Em Wasp Network Edgar Ramirez volta a contracenar com Penélope Cruz, com quem dividiu a cena na minissérie ‘O Assassinato de Gianni Versace’, segunda temporada da série American Crime Story. “Gosto muito de trabalhar com Penélope. Ela é fantástica, temos sintonia e nos damos muito bem”, elogia.


Penélope Cruz em ‘Wasp Network’ (Foto: Divulgação)

Na minissérie Ramírez interpreta o estilista, em elogiada performance indicada ao Globo de Ouro e ao Emmy. Ele comenta que Versace foi um de seus melhores personagens. “Foi marcante. Quando pensamos na marca Versace e na cultura que ele criou, pensamos em excesso e exuberância. E Gianni fazia parte disso. Foi assim que ele interpretou o mundo e, de alguma forma, apresentou esse mundo em suas roupas. Mas, apesar disso, ele era uma pessoa reservada e tímida. Foi um personagem incrível de interpretar”.

Pergunto se ele costuma vestir roupas da grife Versace, e como é essa experiência depois de interpretar o estilista. “Hoje não estou de Versace, mas realmente ficou diferente agora [usar uma roupa Versace] tem um significado especial”, conclui.

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Fonte oficial: GQ

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