Para Alok, “o amor entre duas pessoas não é opinião do Estado” – GQ

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O nome Alok Petrillo pode ser sinônimo de música eletrônica, 8 milhões de streamings no Spotify, 283 milhões de visualizações no Youtube e mais de 8 milhões de seguidores no Instagram. Muitos definem o  DJ, que ocupa a 19 posição no ranking dos melhores do mundo segundo a revista inglesa DJ MAG, em números, mas quando tocamos no assunto de família, ele mostra sua verdadeira essência e se derrete todo. “Eu já me sinto pai. Sei que serei muito em breve”, contou à GQ.

Para conhecer um pouco mais sobre o DJ, que estará em grande parte das festas de reveillon este ano, batemos um papo longo em São Paulo e já aproveitamos para conversar também com Ina Wroldsen, sua companheira de criação da mais nova música Favela. Realidade distante da cantora norueguesa, Ina se inspirou na série fotográfica Mulheres da favela: a vida nos prédios abandonados do Rio para escrever a canção. “Tinha uma foto de uma menina de 11 anos no meio do lixo. Os olhos dela passavam uma mensagem de determinação e eu queria contar aquela história”, disse. A música, lançada pouco menos de 2 meses, já coleciona mais de 8 milhões de visualizações no Youtube. A fórmula secreta? Segundo Alok, ela não existe. “Não é algo que sai de uma fórmula. É muito mais do que apenas escrever uma letra.”

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Em tempos de discurso de ódio, o mundo está carente de uma palavra de amor e Alok está ciente disso. Não à toa, o DJ fez questão de soltar um vídeo emocionante em suas redes sociais em que fala sobre sua experiência na África. Descrente de tudo, ele achou esperança em um dos lugares mais pobres do mundo e sabe a importância do seu papel quanto influenciador de passar uma boa mensagem. “Eu vejo que tenho uma responsabilidade não só de entregar um show, mas sim de passar alguma mensagem que possa trazer uma nova perspectiva pras pessoas.  É como se fosse uma mensagem de esperança nessa onda negativa”, disse à GQ.

No meio do período eleitoral, Alok se preocupa com o futuro do Brasil e, ainda mais, com o país em que criará seus filhos. “Na minha opinião, o amor entre duas pessoas não é opinião do Estado”, confirma. Sonhando com uma filha mulher, ele também já se preocupa com a segurança da pequena. “Eu quero tomar cuidado com a proteção dela, ainda mais vivendo no Brasil, um país que tem muito assédio. O nosso país é muito machista, então eu vou me preocupar com isso.”, disse.

Abaixo, você pode ler a entrevista completa com Alok. Spoiler: ele conta a história fantástica de como pediu (e deu um susto!) em sua atual noiva em casamento:

GQ: Como foi o processo criativo para escrever uma música sobre uma menina da favela?

Ina: Eu vi um documentário sobre os direitos das mulheres na américa do sul e não consegui parar de pensar. Comecei a pesquisar mais sobre isso e achei uma série de fotos no The Guardian chamado Mulheres da Favela. Tinha uma foto de uma menina de 11 anos no meio de um elevador cheio de lixo. O corpo dela, pequenininho, mas os olhos dela passavam uma mensagem de determinação. E eu queria contar aquela história. Então comecei a escrever sobre e eu já queria o alok envolvido. Ele adicionou a mágica dele e a música ficou pronta.

GQ: Vocês já esperavam o sucesso dessa música?

Ina: Está crescendo! Eu escrevo música há anos. Comecei a escrever pra mim faz apenas 2 anos. Escrevi rockabay com sinfonia e senti que algo estava saindo de mim que era eu! Eu senti: ou eu colocar a minha essência para fora agora ou eu mantenho pra mim. Mas nao pude controlar. Eu sinto que quando eu escrevo uma música, você nunca sabe se vai estourar ou não. Mas essa eu tinha certeza!

Alok: Não é algo que sai de uma fórmula. É muito mais do que apenas escrever uma letra .

Ina, você já pensou em escrever uma música em português?

Ina: Sabia que sim! Mas eu ainda nem cheguei perto disso. Hahaha eu quero muito aprender a falar português. Eu já me apaixonei pelo Brasil. É a minha segunda vez aqui. Eu vou tentar, mas nao me julgue!

Alok: E vai ser ótimo! Eu nunca tentaria fazer uma música em norueguês (risos).

GQ: Alok, um vídeo seu falando sobre Deus deu uma viralizada esses dias. Você já esperava isso?

Alok: Engraçado que, hoje, as pessoas tem me parado na rua pra falar sobre esse vídeo. E eu achei super legal que atinge pessoas que não atingiria. Eu vejo que tenho uma responsabilidade não só de entregar um show, mas sim de passar alguma mensagem que possa trazer uma nova perspectiva pras pessoas.
É como se fosse uma mensagem de esperança nessa onda negativa. Geralmente as noticias ruim correm rápido. Quando eu tive o acidente de avião, foi o que eu mais tive feedback, até esse vídeo.

GQ: Nós estamos no meio das eleições presidenciais e, falando em Deus, você acha que crença e Estado devem se misturar?

Alok: Eu acho que o Estado, na minha opinião, não tem que se meter em religião. Na minha opinião, o amor entre duas pessoas tambem nao é opinião do Estado. Eu fico chateado com pessoas que tem rpeconceito com homosexuais e que usam religião pra isso. Isso é a decisão de cada um, do que faz feliz. Eles perguntam: “mas alok, e se você tivesse um filho homossexual?”. Cara, eu ia amar do mesmo jeito. Essa é a minha posição.

GQ: Agora, bora pular pro assunto casório! Quanto tempo você ficou ensaiando para pedir a Romana em casamento?

Alok: Nós estamos juntos há 4 anos. O relacionamento tem que ser conquistado todos os dias, né. Quando começa a andar no automático, ele começa a perder aquele coisa. Por uma cobrança minha, a gente acabou tentando dar um tempo, mas inventamos desculpas pra se encontrar e se falar. Quando voltamos, ela ficou grávida. Nesse momento, foi uma surpresa muito boa. Quando perdemos o bebê, ficamos muito abalados, mas ao mesmo tempo eu tive certeza que queria ela pra minha vida. Eu não pensava em ter filhos antes, não pelo fato de não querer uma criança, mas por não saber quem seria a mãe dos meus filhos. Eu já me sinto pai. Sei que serei muito breve, to tentando! O casamento veio de uma forma muito clara.

Eu pedi ela em casamento em um momento intimista em São Paulo. Eu dei a aliança, mas ficou um pouco grande. Então, mandei apertar e logo depois fomos para a Grécia. Eu levei duas caixinhas, uma com as alianças e outra com o solitário. O que eu fiz: coloquei tudo em uma caixinha e coloquei a outra vazia no meu bolso. Quando estávamos passeando de barco, eu fui fazer o pedido e fingi que a caixinha caiu no mar. Ela chorou e gritava “o que você fez!”. Tem até vídeo! Quando eu tirei a aliança verdadeira do bolso, ela não sabia se me matava, se desistia ou se aceitava (risos).

Alok e Romana Novais  (Foto: reprodução)

GQ: Agora sobre o noivo…como serão os preparativos? Você vai cuidar da pele, do cabelo?

Alok: A única coisa que eu sei é que quem vai fazer o meu cabelo é a Rosangela Araujo. Ela chega sem espelho, me arruma e tá ótimo.

GQ: Já escolheu o terno?

Alok: Nós estamos estudando. Não quero decidir agora, mas vou escolher algo que me sinta confortável, nada por conta de marca.

GQ: Quantos filhos vocês sonham ter?

Alok: Eu, nesse momento, dois. Mas tudo pode mudar. Não quero dizer que tenho preferências, mas gostaria de um menina e um menino. Mas uma menina eu to sonhando!

GQ: E como você seria como pai?

Alok: Eu tento fazer o papel de irmão mais velho protetor com a minha irmã mais nova, mas acabo tirando o papel do pai e da mãe. Eu achei super legal que o Marcos Mion soltou um livro chamado Pai de Menina e tem uns assuntos que, pra mim, eram meio distantes tipo menstruação…é uma coisa que eu nao sei como dialogar! Mas eu quero ser um pai participativo sim. Eu quero tomar cuidado com a proteção dela, ainda mais vivendo no Brasil, um país que tem muito assédio. O nosso país é muito machista, então eu vou me preocupar com isso.

Alok e sua noiva Romana (Foto: Reprodução/ Instagram)

Fonte oficial: GQ

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