Para cofundador do Waze, criar uma startup é “como estar apaixonado” – GQ

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“Erguer uma startup é exatamente como estar apaixonado”. Foi neste tom que Uri Levine, empresário cofundador do Waze, engatou apresentação para internautas e empreendedores durante a Campus Party na última sexta-feira (15). Uri usou sua experiência como fundador de dezenas de negócios e projetos (entre eles a plataforma Engie, lançada em 2017 no Brasil) para aconselhar a plateia sobre o que é necessário para empreender.

O empresário aponta que abrir um negócio envolve etapas similares aos de um romance, desde a busca pela ideia perfeita até a sensação de sentir-se alienado pelos amigos e colegas discrentes de seu plano. Pode ser que a ideia de ter borboletas no estômago sobre a criação de pequenas ou médias empresas soe estranho, mas Uri reforça: “A realidade é que você precisa sentir-se apaixonado para encarar as dificuldades da jornada”.

Apaixonar-se, no contexto de Uri, envolve algumas atitudes particulares. “Celebre tudo aquilo que for a primeira vez”, aconselha o empresário. Inclusive as disputas legais. “Se alguém está te processando por infringir patente, isso significa que alguém se importa, que há alguém no mercado acreditando que o que você faz é significante o bastante que vale a pena te impedir”, conclui.

Mural do Waze celebra marcas diversas (Foto: Getty Images)

Uri é particularmente fã de uma frase em especial: “Se apaixone pelo problema, e não pela solução”. No palco, o cofundador do Waze carregou a máxima estampada orgulhosamente na camisa enquanto andava para lá e para cá, microfone na mão. “Quando você pensa no problema, acaba-se muito mais focado na criação do produto ideal”, explica.

Problema, no entanto, não é um substantivo simples. Uri lembra como foi os primeiros dois anos da plataforma, e quais seus primeiros entraves na dura luta pela retenção de usuários (métrica que, nas palavras de Uri, significa em definitivo que “tem gente realmente usando seu serviço”): 

“Levantamos capital no começo de 2008, foi aí que começamos a companhia. Lançamos o primeiro produto em 2009 – ele funcionava em um celular Nokia – e percebemos que ele já operava muito bem, mesmo tendo começado do nada: os usuários foram criando os mapas e informações de tráfego enquanto usavam o app. Isto foi se tornando popular em Israel a ponto de decidirmos lançá-lo em outros lugares. Em 2010, disponibilizamos o Waze praticamente em todo canto do mundo.”

“No começo de 2010, você poderia baixar o Waze no seu celular aqui em São Paulo – exceto pelo fato de que ninguém aqui na plateia de fato fez isso. Não era bom o bastante. Acontece que o que é ok em um lugar como Israel, não é o suficiente em qualquer canto: usuários começaram a receber informações falsas sobre como ir de A a B.”

“As pessoas gostaram da história – nós como motoristas lutando juntos contra congestionamentos. Elas baixaram o app, mas ele não era bom o bastante e elas desistiram.”

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Foi só depois de 2010, um ano de constantes melhorias e adaptações na plataforma que se tornaria o Waze que conhecemos hoje, que o app foi conquistando seu lugar sob o sol. Dominar um problema, acredita Uri, é sinônimo de dominar um mercado. Mas envolve conhecer como cada lugar e tipo de usuário se apropria dele:

“Olhe para o Waze e o valor que criamos para os israelenses. Para nós, a chance de podermos ser mais espertos que o tráfego e chegar onde queremos dois minutos antes é o que nos deixa animados, certo? Daí você vai para a América e pergunta ‘qual o valor do Waze para você?’, e eles vão contar que agora eles sabem quando vão chegar onde precisam. Eles não ligam em superar o tráfego, eles querem ter um tempo e chegada estimado. Daí você vai para a Itália com a mesma pergunta, e eles te dizem que se importam mesmo em saber o que está acontecendo na rua.”

Uri exibe energia de coach no palco, e esteve disponível para uma fila extensa de campuseiros até quase as dez horas da noite, bem depois do fim de sua palestra. Mas não é como se ele fosse um cara sem alguns limites: “Acontece que ouço muito empreendedores contarem suas histórias, e se eles começam dizendo ‘estamos construindo…’ eu digo ‘pare! Não me diga o que você está fazendo, mas sim por que você está fazendo”. 

Fonte oficial: GQ

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