Paul Allen: o que acontece com a fortuna de um dos maiores filantropos do mundo? – GQ

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O empresário Paul Allen faleceu nesta segunda-feira (15) aos 65 anos, naquela que seria sua terceira luta contra o linfoma não Hodgkin. Cofundador da Microsoft e dono de times esportivos como o Seattle SeaHawks, ele era até então o 44º homem mais rico do mundo, com fortuna estimada em US$ 21,7 bilhões. Mais importante: em recente levantamento da Forbes, ele esteve lado a lado de seu ex-colega, Bill Gates, como um dos maiores expoentes da filantropia no mundo.

O bilionário é famoso por ter um papel central na criação da gigante tech, por  motivar Bill Gates a largar a Universidade de Harvard para empreender e bater o martelo no nome ‘Micro-Soft’ em 1975. Mas a vida do milionário tem sido dedicada à filantropia desde 1986, pouco depois de deixar a mesa diretora da companhia, com a fundação da Vulcan Inc., sua companhia de investimentos. Até hoje, calcula-se que Allen doou um total de US$ 2,6 bilhões para a caridade, representando 11% de sua riqueza projetada. Destes, 500 milhões foram destinados ao Instituto Allen para Ciências do Cérebro, que pesquisa o câncer cerebral e doenças relacionadas ao órgão. Outros 100 bilhões foram dedicados ao combate à Ebola.

Allen é signatário do The Giving Pledge, uma instituição fundada por Warren Buffett, Bill e Melinda Gates, que reúne dezenas de bilionários ao redor do tema da caridade – ‘doar mais, doar o quanto antes, e de forma mais inteligente’ é lema do grupo. Ter estado entre os membros significa que Allen se comprometeu a destinar mais da metade de sua riqueza para esforços filantrópicos – na prática, é um convite mais do que uma obrigação.

Paul Allen e o Seattle SeaHawks (time que era dono) cumprimentam Barack Obama: o bilionário ajudou a financiar tanto democratas quanto republicanos (Foto: Getty Images)

Mas quando Paul Allen assinou sua colaboração, sua riqueza estipulada estava na casa dos US$ 13,5 bi. Um outro mundo se considerarmos o quanto o bilionário valia em 2018, que também é um ano recorde para os super ricos dos EUA – no país, eles ficaram em média US$ 500 milhões mais afortunados. US$ 10 bilhões é uma soma e tanto para mover sem complicações, ainda mais no caso de Allen, cujos esforços pela caridade eram levados a cabo por uma série de instituições próprias e geridos em parte por um fundo filantrópico.

Em outras palavras, ainda não está claro como essa riqueza será partilhada. Por ora, há apenas o comunicado da Vulcan Inc., publicado nesta segunda: “Paul abordou cuidadosamente quantas de suas instituições que fundou e deu suporte seguirão uncionando depois que ele não fosse capaz de liderá-las. Este não é o momento para lidar com essas especificidades enquanto nos focamos na família de Paul. Continuaremos a trabalhar em sua missão e nos projetos que ele nos confiou.”

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As atividades filantrópicas do bilionário num geral se concentraram em Seattle e no noroeste americano, e abraçaram as artes, ciências e o campo social. A área da tecnologia também. Mais recentemente, o bilionário anunciou que separaria US$ 125 milhões de sua riqueza no decorrer de três anos para a pesquisa de inteligência artificial, mais especificamente ao ‘Projeto Alexandria’, cujo trabalho tem como meta criar uma base – ou senso comum – para IAs serem capazes de responder de forma mais ágil e precisa às necessidades dos usuários.

“No fim das contas, minha maior satisfação vem de trabalhar para fazer do mundo um lugar melhor”, disse Allen em seu juramento para o The Giving Pledge em 2010. “Nos últimos anos, venho sentindo uma maior preocupação sobre os desafios crescentes que nosso planeta enfrenta. Através dos meus gestos, quero abordar as mudanças climáticas, evitar epidemias perigosas, salvar as mais icônicas espécies da extinção e recuperar a saúde de nossos oceanos, antes que seja tarde demais”, relata.

“Suas contribuições para o mundo da tecnologia e da filantropia vão ser lembradas por gerações”, escreve Bill Gates em comunicado logo após o falecimento de seu amigo. “Vou sentir uma falta tremenda dele”.

Paul Allen deixa a irmã, Jody, e sobrinhos.

Fonte oficial: GQ

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